Anderson Barros explica Botafogo sem reforço: ‘Situação financeira grave’

Loja Casual FC
Botafogo reforço
Anderson Barros, Nelson Mufarrej, Felipe Conceicao e Gustavo Noronha durante Apresentacao em General Severiano. 04 de janeiro de 2018, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo.
Botafogo reforço
Para Anderson Barros, grave situação financeira do Botafogo impede contratação de reforço.
Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo.

O prazo para inscrições de atletas no Brasileiro encerra nesta sexta (27). Como esperado, o Botafogo, que acumula salários atrasados, não apresentou nenhuma nova peça para o elenco de Barroca. Gerente de futebol do Botafogo, Anderson Barros concedeu entrevista coletiva após o treino e explicou o motivo de não apresentar nenhum reforço ao Clube.

Fechamento da janela sem contratações

— Nós não podemos deixar de honrar nossos compromissos básicos. O Botafogo não pode arriscar em reforço. Então a gente entendeu que, se não tivesse uma certeza absoluta de algo que pudesse vir a agregar ao grupo, que não faríamos. Posso citar um exemplo. Quando nós pensamos no próprio Neilton, é porque a gente entendia que a possibilidade de retorno era muito grande, porque o atleta já conhece a estrutura do Clube, já se sentir mais à vontade dentro do processo. Diminuir o período de adaptação. Mas infelizmente as opções que tínhamos para trazê-lo não eram aquelas que poderíamos suportar.

Potker

— Especulação. Nós tivemos um pensamento muito mais direto em cima do Neilton como reforço para o Botafogo. Conversei com um representante dele tem uns 10 dias. Na semana do jogo da final, mas infelizmente nós não tivemos como evoluir. Precisávamos entender a situação do clube, que é muito delicada esta temporada. A gente precisa entender para não pagar um preço alto por isso. O Botafogo atravessa essa crise financeira, e se não entendê-la, pode vir a ter problemas. É o que nós estamos tentando fazer no futebol.

Blandi

— Foi uma condução paralela ao departamento de futebol. Tinha o aval do departamento, mas tinha uma série de outras variáveis que cercavam essa contratação. O Botafogo tentou até o último dia, mas infelizmente elas não aconteceram. A situação financeira do clube é sempre um problema para essas negociações.

Cueva

— Nós chegamos a conversar com um representante do atleta. Mas o padrão da contratação fugia da nossa realidade. Isso é um grande dificultador. Quando você pensa numa contratação para agregar ao elenco, você tem que considerar a situação do clube. Não tenho como assumir um compromisso e não honrá-lo. Tenho pendências com o grupo de atletas. Se a gente não estiver muito atento a isso, vamos ter problemas. O Botafogo sente quando isso não ocorre de uma forma equilibrada. As especulações foram sempre de fora para dentro. Nós aqui nunca colocamos absolutamente nada, porque a gente sempre entendeu que o momento do clube precisava respeitar essa condição financeira.

Desde que nós perdemos alguns atletas, como o Erik que era um jogador muito importante, nós tínhamos construído a situação que era o Biro Biro. Infelizmente não evoluiu por problemas que fogem ao nosso controle. Entendemos desde aquele momento que precisávamos ser linear, dar continuidade àquilo que a gente vinha fazendo, honrar nossos compromissos.

No primeiro momento aconteceu como planejamos. Terminamos um turno do Brasileiro numa condição positiva, com 27 pontos. Agora nas duas primeiras rodadas acabamos não conseguindo equilibrar da mesma forma e isso já vem um peso muito grande.

O Botafogo precisa estar consciente, sabedor do que decidiu para que a gente tenha um segundo semestre como tivemos na temporada passada.

Barroca ameaçado?

— Ele vem desenvolvendo um trabalho muito positivo na nossa opinião. Os números mostram isso. Lógico que a equipe tem mostrado algum tipo de deficiência nos últimos jogos que faz parte deste processo. A gente tem que corrigir e vamos. Tivemos a experiência do ano passado, em que tivemos quatro treinadores aqui. Esse ano já conseguimos um equilíbrio maior. Esse é o caminho para o clube. Não tem porque ficar mudando esse processo. Lógico que o futebol te obriga algumas decisões, mas tivemos o experimento de 2018 e estamos tendo em 2019 que essa sequência é muito importante.

Momento ruim do Botafogo no Brasileiro

— O Campeonato Brasileiro é muito difícil. Nós, por exemplo, contra o São Paulo, tivemos um primeiro tempo muito interessante até um determinado momento do jogo, contra uma equipe extremamente qualificada. Então a gente procura entender cada momento. O interessante é que não somos só responsáveis por contratações ou desligamentos. Como nós discutimos todo um processo do futebol. É muito mais do que só contratar. Era importante entender isso. O quanto é importante a participação dos diretores executivos, dos gerentes, dos supervisores, dos profissionais que cercam o futebol para que a gente possa tomar as melhores decisões.

Satisfação da diretoria sobre pendências

— É obrigação de qualquer empregador honrar com seus compromissos. Isso não pode ser nunca discutido nem negociado. Entendo que há uma necessidade de dar uma satisfação e perspectiva para o momento. Quando a gente entende o movimento dos nossos atletas, a gente entende que a prioridade é o que está dentro das quatro linhas. É o trabalho deles. É o profissionalismo que eles encaram todas as determinações. Sobre isso não podemos dizer nada. Todos os atletas são sempre muito empenhados em atender aquilo que é determinado pela comissão técnica. Acho que esse é o fator fundamental que permite o entendimento de alguns movimentos.

A situação do clube é grave, mas o Botafogo é grande o suficiente e capaz de superá-lo. Nós estamos atrasados sim. Nossos compromissos com atletas está honrado até o mês de julho. Temos o mês de agosto e algumas pendências pequenas relacionadas aos meses anteriores. Efetivamente o Botafogo deve o mês de agosto, mas acredito que vamos conseguir resolver para que tenhamos equilíbrio até o final da temporada.

Objetivo e metas no Brasileiro

— Temos que buscar a melhor classificação possível. Hoje estamos a oito pontos do G6 e oito da zona. Mas acho que pelo tamanho do clube e tradição, temos que buscar sempre mais para frente. Quando o Barroca fala em conseguir a melhor classificação possível, acho que é esse o caminho do Clube. Ano passado, com todas as dificuldades, estivemos próximos a uma vaga da Libertadores. Este ano , mesmo com todas as dificuldades, sempre estivemos na primeira página da tabela, entre os 10 primeiros colocados. Precisamos buscar essa classificação, porque desta forma você vai se manter distante da zona de descenso.


Venda de Gatito

— Muito difícil qualquer negociação acontecer agora. Nós temos alguns atletas que têm se projetado. O Gatito é um deles. Tem sido um destaque da equipe, um jogador de seleção. Mas neste momento agora não acredito em nenhuma movimentação neste sentido.

Renovações

— Temos três atletas em fim de contrato desta temporada. Posso citar o exemplo do Diego Cavalieri. Ele tem ciência que nós temos interesse na renovação dele, até pelo profissional que ele é, mas entendemos que neste momento agora, nesta situação financeira e de campeonato, preferimos dar uma congelada para conversar individualmente com estes atletas até o final da temporada.

Sem reforço, o Botafogo enfrenta o Fortaleza na próxima segunda (30), às 20h, no Castelão.

Comentários

Sobre Diego Mesquita 1552 Artigos
Botafoguense, 36 anos. Formado em Jornalismo pela FACHA (RJ), trabalhou como assessor de imprensa do Botafogo F.R em 2010. Hoje, é setorista independente.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*


Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.