Fala, torcedor: Camisa 7, o programa de sócio-torcedor que já nasceu morto

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Camisa 7 Botafogo
Foto: Reprodução / Botafogo
Rafael Schoch*

Primeiramente antes de me aprofundar no assunto da coluna gostaria de agradecer ao Diego Mesquita pelo trabalho incansável de cobrir o Botafogo. Para nós, torcedores do Glorioso, esse trabalho das mídias independentes sem rabo preso é importantíssimo.

Bom, vamos ao que importa.

Acho importante eu me apresentar para dar o mínimo de embasamento no que irei falar. Sou profissional de Marketing há mais de 12 anos. Prestei assessoria para diversas pequenas, médias e grandes empresas com a minha empresa Schoch Marketing.

Pós-graduado em Marketing pela Cândido Mendes e com cursos de gestão de mídia e tráfego. Dito isso, vou passar a minha opinião sobre o atual programa. Clube que desde que nasci mora no meu coração e permeia minha vida, inclusive interferindo no meu humor.

A atual diretoria, liderada por Durcesio Mello, lançou o esperado plano de sócio, o Camisa 7. O processo anterior ao lançamento, com pesquisas de mercado com torcedores e sócios deixou a torcida esperançosa. Soma-se a isso o discurso de profissionalização tão difundido pela atual diretoria.

Com todo esse trabalho bem-feito do pré-lançamento, criou-se uma expectativa alta por parte da torcida.

Uma pausa para falar de um exemplo: o Terra Encantada. Um parque temático na Barra, no Rio, que norteou sua estratégia de divulgação pré-lançamento no jargão “O Maior da América Latina”. A marca abusou de comerciais na TV, propaganda nos jornais impressos, muitos colunistas falando.

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Com isso, criou-se uma grande expectativa para a inauguração. Como não poderia deixar de ser, na estreia, filas imensas e desorganização. E o pior: mais da metade das atrações não estavam finalizadas.

Resultado: depois de alguns meses com um bom fluxo de clientes e sem ter inaugurado todas as atrações, o parque declinou até o seu fechamento. 

Esse case é um case clássico de como não se fazer marketing, como que se você criar uma expectativa acima do que você irá oferecer o feitiço irá se voltar contra o feiticeiro. Isso não é se, não é talvez. É certo!

Dito isso, vamos ao Camisa 7, o novo plano de sócio-torcedor do Botafogo.

A diretoria passou, durante a campanha e início de sua gestão, a fazer críticas ao plano anterior. Inclusive ao sócio estatutário — uma das maiores aberrações que eu já vi. Neste cenário e com a alta expectativa criada pela torcida, o Botafogo lançou o plano. Aí que começa a dar errado.

O lançamento feito em uma live sem estrutura alguma, aparentando ser sem planejamento e que passou de longe a sensação de algo feito de qualquer jeito. Até profissional dentro do carro teve. Remeteu, pois, a um passado recente de amadorismo, algo que a diretoria diz ser completamente contra.

Nos deparamos com o plano Glorioso. Este seria o único com direito a voto. Pagando R$ 149,90 e ficando dois anos adimplente, o sócio poderia exercê-lo. O Glorioso, então, fez os outros ficarem em segundo plano. Por melhor que fossem. Ele, aliás, causou a revolta de vários botafoguenses.

Aí entra a expectativa.

Isso porque os planos foram lançados pela metade. Sem divulgação, por exemplo, de todos os benefícios e sem explicar de maneira plausível a relação com descontos na compra dos ingressos para jogos futuros (independente de estarmos em pandemia já deveria estar definido isso). 

Um lançamento completamente frustrado, malfeito e com amadorismo. Soma-se a isso ao péssimo momento do Botafogo. Com um técnico que a grande maioria da torcida não gosta, eliminado de duas competições na temporada. Com isso, a adesão foi irrisória, ou seja, o lançamento do plano foi um fracasso.

Para ilustrar isso vou dar dados do Portal de Transparência no site do próprio plano Camisa 7: 

No momento em que escrevo essa coluna, dia 25/06/2021, são 16.394 sócios adimplentes. Destes 97,45% são planos antigos, 0,98% plano branco, 0,97% no plano Preto, 0,29% no plano Alvinegro, 0,28% no plano Glorioso e 0,03% no plano Cria.

Frente a esses números chegamos, mesmo em menos de um mês, ao número pífio de 414 sócios do Camisa 7. Em 10 dias, dá uma média de 41,4 sócios por dia. Este número em um universo de aproximadamente três milhões de potenciais consumidores é ridículo. Certamente não atingiu nenhuma meta estipulada.

Fazendo uma matemática aproximada, são: 15.976 torcedores nos planos antigos, 161 no plano Branco, 159 no plano Preto, 48 no plano Alvinegro e 46 no plano Glorioso. O plano Cria não vou calcular pois ele tem opção de ser sem custo.

Este número é péssimo sobretudo pelo fator pré-lançamento que gerou grande expectativa na torcida. Além disso, considere-se o lançamento feito de forma amadora e sem agregar valor ao produto. Além, claro, do fator produto que veio abaixo do que foi esperado.

Agora temos o fator pós-lançamento. 

Tivemos, de fato, uma boa fase no início da Série B. Mas já decaímos. Para piorar, a diretoria ignorou o torcedor, com a venda de um dos seus principais ativos por uma miséria. Com isso, o público alvo do programa simplesmente não acredita mais em quem está oferecendo o programa.

A não ser que tenha uma reviravolta inesperada, com o time atropelando a todos na Série B, esse plano não irá decolar e ao final do ano estaremos novamente falando que o plano foi malfeito e que tem que ser refeito. Discurso, aliás, repetido desde o Botafogo no Coração do Bebeto de Freitas.

Outro ponto importante: não houve uma campanha de divulgação do plano pós-lançamento. Não há tráfego pago na internet, não há propaganda em televisão ou mídias direcionadas ao torcedor botafoguense. Além disso, não teve um sorteio de um plano. Apenas um lançamento de dentro de um carro. 

A impressão que dá é que o profissionalismo fica apenas no discurso.

É triste, gostaria de vir aqui falar sobre pontos positivos do Botafogo, tentar passar uma mensagem positiva, mas não dá. Desde a entrada do Mais Botafogo o nosso orgulho, a nossa alegria foi se minguando e hoje só sobram momentos ínfimos de felicidades. 

Duro ver o torcedor distante do Botafogo. Mais duro ainda é ver o Botafogo se distanciando dos torcedores. Espero um dia ver um Botafogo realmente profissional, com coisas simples bem-feitas. 

Saudações Botafoguenses desse louco apaixonado pelo Glorioso.

Rafael Schoch, especialista em Marketing.


*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Fogo na Rede.

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