Fala, Torcedor: tempos são outros e o Botafogo está começando a ter lastros do que é ser copeiro

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Vítor Silva/Botafogo

Desde o sorteio do dia 17 de abril eu estava nervoso e ansioso com esse confronto diante do Vitória. Depois do jogo de ida, o qual tivemos dois gols anulados, algumas chances desperdiçadas e vencemos por apenas 1 a 0, fiquei mais ainda. Confesso que estava mais tenso em relação ao jogo de volta no Barradão do que contra o Universitario, em Lima. Motivos não faltavam. Dez desfalques, estreia de técnico novo no adversário, estádio que é um caldeirão com quase todos os ingressos vendidos e o principal: o histórico traiçoeiro do Botafogo na Copa do Brasil. Era portanto um prato cheio para o Botafogo sucumbir de forma precoce novamente e acumular mais um vexame na competição.

Todo torcedor alvinegro lembra das eliminações vergonhosas e traumáticas para Paraná (2x), Remo, Goiás, Gama, Paulista, Ipatinga, Figueirense (2x), Americano, Santa Cruz, Avaí, Aparecidense, Cuiabá, ABC e América-MG. Ainda sofremos goleadas para Flamengo, Santos e Cruzeiro.

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Vítor Silva / Botafogo

Além do maior trauma de todos, a final perdida para o Juventude em frente ao maior público da história da competição – e ainda teve uma eliminação contra eles em 2019.

O próprio Vitória, aliás, já havia nos eliminado duas vezes, em 1997 e 2012, no Caio Martins e no Estádio Nilton Santos, respectivamente.

É um fato que nosso histórico na Copa do Brasil não é bom. Em adição a tudo já citado, foram apenas três semifinais e uma final alcançada em 30 edições. Tudo isso causava o meu nervosismo e de muitos outros botafoguenses antes da partida.

Mas precisamos entender e nos acostumar com uma nova realidade. O Botafogo mudou. Hoje o time é ótimo, o elenco é muito bom – será ainda melhor – e temos um treinador de alto nível à beira do campo. O clube está organizado financeiramente e tem um investimento alto, com uma das maiores folhas salarias da América do Sul e com alguns jogadores que seriam titulares absolutos da maioria dos times do continente.

Time bom ganha

Gosto muito de uma frase simples mas muito simbólica dita recorrentemente pelo jornalista Pedro Dep, do canal Setor Visitante: “Time ruim perde e time bom ganha”. Isso parece bobo mas deixa claro o que não queríamos enxergar nos anos anteriores. Passamos vexames contra times médios e pequenos e fomos goleados por grandes porque na maioria das vezes nossos times eram fracos tecnicamente, conviviam com problemas de salários atrasados e tínhamos treinadores limitados.

Mesmo com desfalques importantíssimos como Tiquinho, Eduardo, Romero e Jeffinho, por exemplo, entramos em campo com uma equipe muito melhor que a do adversário.

Luiz Henrique, Savarino e Júnior Santos são jogadores de qualidade técnica tão alta e têm tanto repertório, que, jogando juntos, dificilmente não vão fazer no mínimo um gol por jogo, sobretudo na fase que este último vive.

Marlon Freitas é outro que é um baita jogador, está em um excelente momento e tem ao seu lado Danilo Barbosa, um ótimo primeiro volante. Os dois fazem muito bem a marcação firme e pegada no meio, com ocupação de espaços e boa saída de bola.

John e Bastos passam segurança e fazem o torcedor acreditar que não será fácil da equipe sofrer gols. Damián com sua experiência e Cuiabano com seu vigor físico e imposição nos duelos completam a solidez defensiva da primeira linha e ainda conseguem agregar ofensivamente.

A equipe está ganhando casca e o Botafogo está começando a ter lastros do que é ser copeiro. Com a volta dos lesionados e as chegadas dos reforços a partir do dia 10 de julho, a expectativa é de que teremos um baita elenco, suficiente para brigar por todas as competições.

Os tempos são outros, os traumas antigos estão morrendo e a confiança no grande time que temos só deve aumentar daqui pra frente. Que possamos fazer uma ótima temporada, e que, dessa vez, finalmente venha o tão merecido título. Ou títulos…

SAN,

Gustavo Santos, 20: estudante de jornalismo na PUC-Rio e torcedor do Botafogo do Rio de Janeiro/RJ.


*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Fogo na Rede.

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