Jornalista critica Textor, dono da SAF Botafogo: ‘Está fazendo muito mal ao futebol brasileiro’

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Depois de Textor, dono da SAF Botafogo, acusar manipulação de jogadores do São Paulo na goleada sofrida para o Palmeiras em 2023, o jornalista Luís Augusto Símon, o Menon, disparou contra o estadunidense.

Em artigo publicado no site “Forum”, Menon critica as acusações sem provas de Textor. Leia a coluna abaixo.

O futebol brasileiro deve muito de sua gloriosa trajetória ao Botafogo e seus ataques poderosos. O primeiro, com Garrincha, Didi, Amarildo e Zagallo e o segundo com Rogério, Gérson, Roberto, Jairzinho e Caju. Muitos e muitos craques, como Nilton Santos, o maior exemplo. Depois dos anos 60/70 veio a decadência e a solução – apontada como panaceia para tudo no futebol brasileiro atual – foi a Sociedade Anônima de Futebol (SAF). O Botafogo, como o Vasco, foi vendido. Não mais João Saldanha ou Carlito Rocha, apenas John Textor, o norte-americano que também é dono do Lyon e de um time na Bélgica. 

Com Textor, o Botafogo deixou de ser um time iô iô, caindo e subindo. Passou a liderar do Campeonato Brasileiro, fechou o primeiro turno do ano passado com vantagem de 13 pontos. E o título era coisa definida, questão de trâmite. O que se viu, porém, foi uma derrocada histórica que levou o time ao sexto lugar ao final da competição.

E Textor tem a ver com a derrocada. Quando Luiz Castro deixou o time, após o final do primeiro turno, ele trouxe Caçapa,do Lyon. Os resultados foram bons, mas Textor queria mais. Queria griffe. E trouxe Bruno Lage. Logo o demitiu e o Botafogo terminou o campeonato sob direção de Lúcio Flávio, inexperiente. Demissão. E veio Thiago Nunes. Fracasso. Demissão. E o Botafogo terminou novamente o campeonato carioca em quinto lugar.

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Foto: Wagner Meier/Getty Images

Em vez de fazer uma autocrítica, uma análise profunda da derrocada, Textor resolveu girar a metralhadora giratória contra o futebol brasileiro. Acusou o Palmeiras de ser favorecido por arbitragens, disse que árbitros estavam reclamando por não fazerem parte da divisão de propinas e agora diz ter informações de que cinco jogadores do São Paulo amoleceram o jogo para o Palmeiras na goleada sofrida por cinco a zero. O mesmo São Paulo que está processando o Botafogo por falta de pagamento de Tchê Tchê.

A fixação é com o Palmeiras. Ele não consegue admitir que o trabalho dos dirigentes palmeirenses é melhor que o seu. O alvo vai mudar quando outro clube superar o Botafogo. Interessante é que ele não faz acusações infundadas na França, onde o seu Lyon é freguês eterno do PSG. No Brasil, não pode, só na França. Aqui, o seu dinheiro tem de ser vitorioso. 

Se conseguir provar alguma de suas acusações, fará bem ao futebol brasileiro.

Como não vai conseguir, servirá apenas para colocar uma névoa de suspeita sobre a grande paixão brasileira. Textor faz mal ao futebol brasileiro e só poderemos dizer que faz bem ao Botafogo quando ganhar um título. 

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