Alvo de protestos de parte da torcida do Botafogo nos arredores do Estádio Nilton Santos, John Textor reagiu de forma contundente às críticas e descartou qualquer possibilidade de deixar o comando da SAF alvinegra. Em entrevista ao vivo concedida na noite deste sábado ao canal Arena Alvinegra, o empresário norte-americano classificou como “absurda” a hipótese de abandonar o clube caso o aporte financeiro prometido não se concretize.
Textor reforçou sua posição como acionista majoritário e afirmou que não pretende recuar diante do momento de pressão vivido pelo clube.
– Não [penso em sair], isso é um absurdo. Somos donos de 90% deste clube. Eu sou o proprietário majoritário da Eagle, que detém os 90%. É bem possível que a propriedade mude com os próximos investimentos, com esses investidores que estou trazendo. E isso é bom. Mas quando as coisas ficam difíceis, você não desiste. Isso é ridículo. As coisas eram impossíveis quando cheguei a este clube. Tínhamos desafios inacreditáveis. E nos mantivemos firmes internamente. Fomos constantemente criticados pelos torcedores. A relação com os torcedores foi brutal em vários momentos. E nós continuamos trabalhando e lutando. E trouxemos para este clube o melhor ano em 120 anos – iniciou Textor.
“Sou o dono certo para este clube”, afirma empresário
Ainda no desabafo, o controlador da SAF destacou o trabalho realizado desde sua chegada ao Botafogo e afirmou não se incomodar com críticas vindas da torcida ou da imprensa. Para ele, os resultados esportivos alcançados recentemente respaldam sua gestão.
– Não me importo que os torcedores não reconheçam mais isso. Não me importo. Reputação é quem as pessoas pensam que você é. Caráter é quem você realmente é. E eu sou o dono certo para este clube porque faço o meu trabalho todos os dias. E não me preocupo com as besteiras da imprensa. Não me preocupo com os torcedores que me amam, nem com os que me odeiam. Eu trabalho todos os dias pelos torcedores. E dei a esses torcedores o melhor ano da história deste clube. E vamos trabalhar muito duro para repetir o feito. Os torcedores são muito imediatistas. O fato de eles poderem me pedir para sair do clube depois de tudo que eu já fiz por eles é, na minha opinião, um absurdo. Se eles querem levantar dinheiro e comprar de mim, que façam uma oferta. Mas até lá, vou continuar administrando este clube – completou.
Textor admite limitações financeiras e critica ex-sócios da Eagle
Durante a entrevista, Textor também abordou a estrutura financeira do futebol e reconheceu que nenhum indivíduo consegue sustentar sozinho as ambições de um clube do porte do Botafogo. Nesse contexto, admitiu que errou na escolha de parceiros dentro da Eagle Football.
– O futebol é um mundo peculiar. Existem pouquíssimas pessoas no mundo com condições de financiar integralmente as ambições dos clubes de futebol mais importantes do planeta. E eu não sou diferente. Sou uma pessoa honesta, mas não sou infinitamente rico. E o Botafogo é um dos clubes mais importantes do mundo. Vim para o Botafogo e prometi devolver a glória a este clube. Eu cumpri essa promessa. Nunca prometi que eu seria a única fonte de recursos financeiros que este clube precisaria. Se os torcedores ficarem chateados comigo porque Montenegro disse que não sou rico o suficiente, saibam que são pouquíssimas as pessoas ricas o bastante para gastar sem parar. Então, propus que nosso modelo de negócios com vários clubes nos ajudaria a criar um campeão. E reerguemos este clube das cinzas e conquistamos o impossível. Agora, para fazer isso de novo, trouxe outros sócios comigo.
O empresário foi ainda mais direto ao avaliar a atuação dos parceiros da Eagle no projeto.
– Esses sócios provaram não ser bons sócios. Eles nunca foram a um jogo no Botafogo. Nunca vieram visitar nossa equipe, as pessoas que reconstruíram o Botafogo. Então, cometi um erro ao trazer pessoas para me ajudar a alcançar essa visão. Não construí uma boa parceria na Eagle. Portanto, agora precisamos corrigir isso. Eu investi bastante para alcançar nossos objetivos. No ano passado, investimos uma quantia enorme em nosso elenco, gastando quase o mesmo que os jogadores do topo da tabela. Não conseguimos os resultados que queríamos, mas o problema não foi falta de investimento. Desde que cheguei aqui, investimos em infraestrutura. Investimos nas pessoas que constroem nosso grande clube todos os dias, nos bastidores. E vamos continuar investindo.
Resultados recentes e promessa de correção de rota
Apesar das críticas, Textor citou conquistas institucionais e esportivas dos últimos anos como forma de reforçar a solidez do projeto, mesmo diante de falhas recentes.
– Mesmo com os fracassos do ano passado, ainda nos classificamos para a Libertadores pelo terceiro ano consecutivo, um feito inédito na história. E fomos reconhecidos entre os cinco melhores clubes do mundo pela Bola de Ouro. Então, sim, a gestão de Eagle decepcionou o público. Eles não têm interesse no Brasil, isso é claro. Há um sócio da Eagle, JP Conte, que se apaixonou pelo nosso clube. E eu agradeço o apoio dele, mas isso não é suficiente para alimentar as ambições deste grupo. Foi um erro meu ter formado a parceria errada na Eagle. E estou fazendo o possível para corrigir esse erro. Agora, encontramos uma solução. Identificamos parceiros que conheço pessoalmente, com os quais já obtive grande sucesso. Então, podemos combinar meus recursos com os deles e seguir em frente – disse.
Recado a Montenegro e promessa de novos recursos
Ao final da entrevista, Textor também respondeu a críticas do ex-presidente Carlos Augusto Montenegro e voltou a garantir que novos recursos financeiros estão a caminho do clube.
– Quanto ao ex-presidente ou outros que criticam nossa falta de verbas, fiquem à vontade para apresentar soluções quando quiserem. Ele pode investir dinheiro se se importa tanto com o clube. Se o fizer, eu engraxo os sapatos dele de novo, porque sempre coloco o clube acima dos meus interesses pessoais. Estou muito feliz em informar que a diretoria da Eagle concordou com a entrada desse novo dinheiro e vamos tentar repassá-lo o mais rápido possível. E essa é a minha única promessa. Acho que teremos um ano muito bom. Peço desculpas pela falta de transparência com os torcedores, mas tudo isso precisou ser mantido em sigilo durante todo o processo.





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