Em meio a um cenário de instabilidade institucional e pressão externa, o técnico Martín Anselmi adotou um discurso de compreensão e cautela ao comentar os protestos feitos pela torcida do Botafogo antes da partida contra o Bangu, neste sábado, no Estádio Nilton Santos. As manifestações, direcionadas exclusivamente a John Textor por conta do transfer ban, evidenciam o ambiente de tensão que envolve o clube fora das quatro linhas.
Sem críticas aos jogadores, os atos refletiram a insatisfação com a condução da SAF em um momento decisivo da temporada, e foram tratados por Anselmi como legítimos dentro do contexto atual.
Anselmi demonstra empatia e cobra solução institucional
Em entrevista ao SporTV, o treinador argentino afirmou que as cobranças não impactam diretamente o elenco, mas reconheceu o desconforto vivido pela torcida diante do impasse financeiro e administrativo.
— Não é uma coisa que impacte para nós. Eu já fui torcedor também, me empatizo com eles. É uma situação incômoda, eles têm todo o direito de reclamar. É algo que nós, como clube e como instituição, temos que resolver — declarou.
A fala reforça um ponto sensível nos bastidores: embora o vestiário tente se blindar, a crise institucional já é pública e exige respostas rápidas da gestão.
Elenco enxuto expõe risco esportivo no curto prazo
Além do tema extracampo, Anselmi acendeu um sinal de alerta ao abordar o tamanho reduzido do elenco profissional. O treinador deixou claro que o cenário atual está longe do ideal, sobretudo diante de um calendário apertado e da limitação de mercado imposta pelo transfer ban.
Segundo ele, parte da solução imediata passa pela integração de jovens do sub-20, que vêm sendo utilizados desde o início da temporada.
— A situação de ter um elenco curto não é ideal. Disputamos a Copinha com os meninos, eles praticamente não tiveram férias, fizeram pré-temporada, jogaram a competição e ainda nos ajudaram nos primeiros jogos. Precisamos de um elenco mais profundo — explicou.
Sub-20 vira alternativa emergencial enquanto crise persiste
Anselmi destacou que alguns atletas da base seguirão treinando com o grupo principal e podem ganhar espaço ao longo da temporada, o que revela tanto uma aposta forçada quanto um reflexo direto das limitações financeiras atuais.
— Vamos dar oportunidade a muitos meninos que estão indo muito bem, para que possam, em breve, fazer parte do elenco principal — completou.





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