As declarações de John Textor no último fim de semana voltaram a agitar os bastidores do Botafogo em meio ao momento delicado vivido pela SAF. No sábado (24), o empresário norte-americano concedeu uma entrevista que repercutiu fortemente entre torcedores e imprensa, ampliando o debate sobre gestão, finanças e relação com a arquibancada.
O tema foi analisado pelo jornalista Danilo Lavieri, do UOL Esporte, durante o programa Posse de Bola. Ao abordar o cenário atual do clube, o comentarista fez uma retrospectiva da trajetória do Botafogo desde a chegada de Textor, destacando contradições no modelo de administração adotado pelo investidor ao longo dos anos.

Do encantamento à desconfiança
Na avaliação de Lavieri, o início da gestão foi marcado por um apoio quase irrestrito da torcida, impulsionado pela reconstrução esportiva e pelos títulos recentes. No entanto, esse cenário começou a mudar à medida que problemas estruturais e financeiros voltaram a ganhar espaço no noticiário.
— O encanto já tinha sido quebrado. No início era a “igreja do Textor”. Tudo que ele falava ou fazia era tratado como verdade absoluta, mesmo quando a mídia mostrava as dívidas e o histórico dele na gestão de clubes. Mas o Botafogo sai do fundo do poço e conquista a Libertadores e o Brasileiro. Era impossível não se apaixonar — afirmou o jornalista.
Retração de investimentos e confronto direto
Segundo Lavieri, após o auge esportivo, o clube passou por uma redução gradual no patamar de investimentos, o que fez com que alertas antigos voltassem a fazer sentido no contexto brasileiro. Para ele, os antecedentes de Textor em outros projetos esportivos começaram a se repetir no Botafogo.
O jornalista também chamou atenção para a postura adotada pelo empresário após os recentes protestos da torcida. Na visão do comentarista, havia dois caminhos possíveis: acalmar o ambiente ou partir para o embate público.
— Depois dos protestos, ele poderia reagir tranquilizando os torcedores ou indo para o confronto. Ele escolheu o confronto. Esse é um elemento novo, e ainda vamos ver como isso vai se desenvolver. Mas não dá para dizer que não houve aviso — completou.
Clima de tensão e impacto no futuro
As observações reforçam o clima de tensão institucional que se instalou no Botafogo, justamente em um momento de transfer ban, cobrança por reforços e incertezas financeiras. A forma como Textor conduzirá a relação com a torcida e com o mercado passa a ser vista como determinante para a estabilidade esportiva e política da SAF nos próximos meses.





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