A jornalista Milly Lacombe dedicou sua coluna no UOL do último sábado, 24, para tratar do momento crítico da SAF Botafogo. Esportivamente, o clube está punido com transfer ban pela Fifa por dívida do Botafogo por Thiago Almada e, por isso, impedido de registrar novos atletas.
Leia trechos da coluna abaixo:
John Textor chegou a ter status de ídolo. Talvez ainda tenha para alguns. Mas, aos poucos, como a água represada que teima em achar um caminho e vai vazando aqui e ali, a verdade vem à tona.
Em agosto de 2024, Lucio de Castro, um dos maiores repórteres brasileiros, publicou no site do ICL uma série de quatro reportagens com o título de “O Segredo de Textor”, feitas a partir de sua teimosia incontida para seguir vigilante contra poderosos. Jornalismo, diz Lucio, “é dar com o pé na porta onde alguém esconde algo atrás”.
Lucio fez isso com Textor e revelou verdades incômodas sobre seus métodos como empresário.
[…]
Textor chegou com a pinta de gestor gringo, que é ainda mais do que gestor nacional. Gringo, meu povo.
Comprou um clube cujo valor está fora de qualquer possibilidade de cálculo – o time de Garrincha, de Nilton Santos e da estrela solitária – e saiu falando grosso.
Teve ganas de ir a Brasília, onde foi tratado por deputados da forma mais colonizada possível, um papel vexatório dos que estavam ali para escutá-lo e bajulá-lo. Foi à Capital levando uma pastinha que, segundo ele, continha provas de como nosso futebol é corrupto. O gestor veio nos ensinar a jogar e a administrar esse troço. Veio lá dos Estados Unidos, onde futebol se joga com as mãos, em missão de voluntariado.
[…]
O Botafogo afunda numa lama para a qual não sabemos se haverá saída rápida. O maravilhoso e estupendo ano de 2024 foi mesmo só aquilo. Times desmontados, dívida dobrada, transfer ban atrás de transfer ban, Nilton Santos às moscas, torcida frustrada. Era mesmo a SAF a saída? Não seria essa uma camisa pesada demais para ser entregue a gestores de métodos duvidosos?
As SAF são uma solução catastrófica para problemas reais. Não se resolve a vida financeira dos clubes entregando camisas que amamos à iniciativa privada. Futebol não pode ser orientado unicamente pelo lucro. Esse jogo não é um negócio. Se os clubes associativos vão mal, a solução não é menos democracia, mas mais democracia. Clube não é propriedade, não é brincadeira de bilionário entediado nem oportunidade para golpe.
Não existe resposta errada para a pergunta a seguir. É mesmo só uma reflexão. Valeu a pena?





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