Afastado do comando da Eagle Football Holdings, John Textor atravessa também seu momento mais delicado à frente da SAF do Botafogo desde que assumiu o controle do clube, em 2022. De acordo com o “ge“, o empresário norte-americano perdeu sustentação política interna e passou a enfrentar resistência aberta de dirigentes do associativo, executivos da SAF e figuras históricas do clube.
- Perda de apoio e ruptura interna
- Montenegro muda discurso e acende alerta
- Promessas sem lastro e clima de apreensão
- Liminar mantém Textor no poder, mas isolamento cresce
- SAF sem aporte há meses
- Dívida bilionária e transfer ban no centro da crise
- Aporte vira ponto de ruptura
- Demissões, reação da Ares e efeito dominó
- Botafogo recorre à Justiça para proteger patrimônio
- Recuperação judicial entra no radar
Nos bastidores, cresce o entendimento de que a atual condução do projeto passou a representar risco institucional, financeiro e esportivo para o Botafogo.
Perda de apoio e ruptura interna
Nas últimas semanas, Textor viu ruir parte do apoio que o sustentava internamente. Pessoas estratégicas do clube passaram a questionar decisões recentes e demonstrar preocupação com a condução da SAF.
Entre elas está o CEO Thairo Arruda, escolhido pelo próprio Textor, que se posicionou contra movimentos financeiros recentes. O presidente do associativo, João Paulo Magalhães Lins, também avalia com cautela os rumos adotados pelo empresário.
Montenegro muda discurso e acende alerta
Outro personagem relevante nesse cenário é Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente do Botafogo e ainda influente fora da estrutura formal da SAF. Após os títulos da Libertadores e do Brasileirão de 2024, Montenegro chegou a classificar Textor como “herói” e “ídolo”, mas passou a externar preocupação com a sustentabilidade do projeto.
Em declarações recentes, o ex-dirigente levantou dúvidas sobre a origem dos recursos utilizados pela SAF, evidenciando a quebra de confiança em torno da gestão.
Promessas sem lastro e clima de apreensão
O ambiente interno no Botafogo é descrito como de insegurança generalizada. Promessas de aportes financeiros feitas por Textor no início de 2026 não se materializaram, alimentando desconfiança entre dirigentes, funcionários e jogadores.
A principal expectativa era a entrada de recursos para quitar dívidas urgentes — especialmente o débito com o Atlanta United, responsável pelo transfer ban da Fifa. Até agora, não houve qualquer sinal concreto de que o dinheiro será depositado.
Liminar mantém Textor no poder, mas isolamento cresce
Textor tem ciência do isolamento e admite, a pessoas próximas, receio diante do aumento da pressão. Mesmo assim, mantém a convicção de que seguirá no comando do clube, amparado por uma liminar da Justiça do Rio de Janeiro, concedida em outubro de 2025.
Em entrevista recente, o empresário deixou claro que não cogita se afastar, mesmo diante da insatisfação da torcida e de setores internos.
SAF sem aporte há meses
Textor não injeta recursos próprios no Botafogo há pelo menos oito meses. O caixa recente da SAF tem sido sustentado por patrocínios, cotas de televisão e venda de jogadores, incluindo adiantamentos de valores de negociações futuras, como a transferência de Cuiabano para o Nottingham Forest.
Esse modelo reforça a percepção de fragilidade financeira e limita a margem de manobra do clube.
Dívida bilionária e transfer ban no centro da crise
A dívida total da SAF é estimada em R$ 1,5 bilhão, sendo cerca de R$ 700 milhões de curto prazo. O débito mais urgente é com o Atlanta United, que exige o pagamento de US$ 21 milhões para a retirada do transfer ban — valor que não representa sequer a totalidade da dívida com o clube norte-americano.
Sem esse pagamento, o Botafogo segue impedido de registrar reforços por até três janelas.
Aporte vira ponto de ruptura
O prometido aporte financeiro se tornou o principal foco de conflito. Na prática, trata-se de um empréstimo com juros elevados, oferecido por antigos parceiros comerciais de Textor.
O modelo prevê garantias agressivas: caso os juros não sejam pagos, os investidores poderiam ficar com parte da SAF ou com receitas futuras de vendas de atletas.
A proposta enfrentou resistência de praticamente todos os setores do clube, incluindo membros do conselho da Ares, dirigentes do associativo e executivos da SAF.
Demissões, reação da Ares e efeito dominó
Diante da oposição, Textor destituiu Hemen Tseayo e Stephen Welch do conselho da Ares. O movimento irritou Michele Kang, atual presidente do Lyon, que pouco depois iniciou o processo que culminou no afastamento de Textor do comando da Eagle Football.
O episódio acelerou o desgaste institucional e ampliou o conflito societário.
Botafogo recorre à Justiça para proteger patrimônio
Em meio ao cenário de instabilidade, o Botafogo de Futebol e Regatas ingressou com ação no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para manter a obrigatoriedade de que a SAF comunique previamente atos financeiros relevantes, como venda de ativos e despesas extraordinárias.
O objetivo, segundo o clube, é evitar esvaziamento patrimonial durante o conflito societário. O processo foi protocolado no último dia 26.
Recuperação judicial entra no radar
Paralelamente, o Botafogo estuda um novo pedido de recuperação, agora judicial, abrangendo dívidas contraídas durante a gestão de John Textor. A medida é vista como uma possível forma de mitigar problemas imediatos, inclusive os efeitos do transfer ban.





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