Afastado do comando da SAF do Botafogo, John Textor apresentou oficialmente uma proposta para voltar ao controle do futebol alvinegro. Segundo informação do jornalista Bernardo Gentile, no canal “Arena Alvinegra”, o empresário norte-americano, junto de investidores parceiros, ofereceu US$ 95 milhões — cerca de R$ 480 milhões — em um plano previsto para dois anos.
De acordo com Gentile, tanto pessoas ligadas a Textor quanto integrantes do Botafogo associativo confirmam a existência da proposta formal.

O movimento acontece em meio ao processo de recuperação judicial da SAF e à disputa de bastidores envolvendo a futura estrutura societária do clube. Hoje, a Eagle Football Holdings está sem direitos políticos por decisão da Justiça do Rio de Janeiro, enquanto o associativo assumiu protagonismo nas decisões sobre o futuro da empresa.
Apesar da nova investida, o cenário para um retorno de Textor não é simples. Internamente, há dirigentes e conselheiros do Botafogo que demonstram forte desgaste e perda de confiança no empresário após a crise financeira enfrentada pela SAF, além dos conflitos envolvendo a Eagle, a Ares e o Lyon.
A proposta da GDA Luma, que segue em análise pelo departamento jurídico do clube, continua sendo vista como a principal concorrente neste momento. O fundo, especializado em empresas em dificuldades financeiras, negocia assumir o controle da SAF sem a participação de Textor no projeto.
Nos bastidores, o Botafogo avalia não apenas o valor financeiro das ofertas, mas também questões ligadas à governança, garantias contratuais e modelo de gestão futura da SAF.

Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
O foco não é tradicional. E isso importa. A lógica do fundo é entrar onde há problema, isto é, comprar dívida barata, assumir controle e reestruturar.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.





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