Retirado do comando da SAF do Botafogo, John Textor afirmou recentemente nas redes sociais que havia chegado a um entendimento com a Ares Management sobre os próximos passos envolvendo o clube alvinegro. No entanto, em contato com “O Globo”, a gestora norte-americana nega qualquer acordo com o empresário.
Em publicação feita nos últimos dias, Textor declarou que fez “as pazes com a Ares sobre os próximos passos do Botafogo”, acrescentando que o “acordo é bom” e que “o clube social só precisa dizer sim”.
Apesar da fala, o ex-controlador da SAF não explicou se o suposto entendimento envolveria um retorno ao comando do Botafogo, participação em uma revenda da SAF ou algum outro tipo de composição financeira.
Ares rebate e diz desconhecer qualquer acordo
Após a repercussão das declarações, a Ares entrou em contato com o jornal “O Globo” para negar oficialmente a existência de qualquer entendimento com John Textor.
Segundo a empresa, qualquer comentário nesse sentido é “inverídico”.
A gestora afirmou ainda que não tem conhecimento de acordo ou transação envolvendo o empresário e destacou que as negociações relacionadas à SAF estão sendo conduzidas pela Cork Gully LLP, administradora judicial da Eagle Bidco.
Eagle e clube social vivem ‘cessar-fogo’
Nos últimos dias, clube associativo e Eagle Bidco firmaram um acordo de paz para suspender disputas judiciais e permitir avanço nas negociações sobre o futuro da SAF.
O movimento abriu espaço para análise das propostas recebidas pelo Botafogo.
Até o momento, três ofertas foram oficializadas:
- GDA Luma
- MasterCom Capital (fundo do Texas)
- John Textor
Internamente, porém, a percepção é de que a GDA Luma aparece com ampla vantagem na disputa para assumir o controle da SAF.
GDA segue favorita nos bastidores
A proposta da GDA é considerada a mais robusta financeiramente e também a que transmite maior segurança institucional ao clube social.
Enquanto isso, John Textor segue enfrentando forte resistência política dentro do Botafogo após o agravamento da crise financeira, aumento das dívidas, transfer bans e conflitos envolvendo Lyon, Eagle Football e Ares.
Atualmente, a Eagle Bidco continua oficialmente como dona de 90% das ações da SAF do Botafogo, enquanto o clube social mantém os outros 10%.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

O foco não é tradicional. E isso importa. A lógica do fundo é entrar onde há problema, isto é, comprar dívida barata, assumir controle e reestruturar.
Não é um investimento emocional. É técnico e de alto risco.
Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.
Relação com o Botafogo
Em 2026, o fundo — ao lado da Hutton Capital — já realizou um aporte/empréstimo de US$ 25 milhões na SAF. Existe ainda a possibilidade de mais US$ 25 milhões, via emissão de novas ações.
Esse segundo movimento, porém, ficou travado. John Textor, que conduzia a negociação, foi afastado do comando da SAF antes de conseguir aprovar o modelo com os demais sócios.
Mesmo assim, o interesse da GDA Luma permanece. E cresce.
Por que o fundo aparece como favorito
A própria SAF já admitiu à Justiça um estado “pré-falimentar”, com dificuldade para pagar salários e necessidade urgente de liquidez. É exatamente esse tipo de ambiente que a GDA Luma costuma atuar.
Tudo mais constante, a SAF se encaixa como o perfil ideal para o fundo.
Empresas com problema de caixa, estrutura desorganizada e potencial de recuperação.
Internamente, a leitura é de que a GDA Luma poderia entrar não apenas com dinheiro, mas com um plano de reestruturação completo — algo que o clube hoje não tem consolidado.
O que pode mudar no Botafogo
Caso avance, a entrada da GDA Luma tende a trazer um modelo mais rígido de gestão. Menos margem para erro. Mais controle financeiro, além de foco absoluto em geração de caixa.
Não significa, automaticamente, sucesso esportivo. Mas indica um caminho claro: organizar para depois crescer. Nesta quarta, inclusive, a SAF apresentou Carlos Martins como novo CFO, em claro movimento de reestruturação da casa.
O processo ainda está em andamento. Depende de decisões judiciais, assembleias e negociação entre sócios.










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