O Botafogo associativo acionou o bônus de subscrição, mecanismo previsto no acordo de acionistas, e passou a se declarar proprietário de 51% das ações da SAF. Com isso, a participação da Eagle Football, empresa ligada a John Textor, cairia de 90% para 49%.
Segundo documentos obtidos pelo UOL, o associativo acusa Textor de não cumprir a obrigação de realizar a terceira parcela do aporte de R$ 100 milhões, prevista no acordo firmado em 2022. O clube sustenta que o pagamento nunca foi efetivamente realizado e afirma que houve apenas “atos simulados e fraudulentos” para dar aparência de cumprimento da obrigação.
De acordo com a documentação, a operação ocorreu em duas etapas. Em março de 2024, o Lyon transferiu R$ 58,8 milhões para a SAF do Botafogo como integralização de capital. No mesmo dia, porém, R$ 10 milhões retornaram ao clube francês na forma de empréstimo.
Já em abril de 2024, o Lyon realizou novos repasses de R$ 55 milhões e R$ 677 mil, completando, no papel, o aporte de R$ 100 milhões. No entanto, segundo o Botafogo, poucos dias depois esses valores também foram enviados de volta ao clube francês por meio de operações de empréstimo e nunca retornaram aos cofres da SAF.
A notificação foi assinada pelo presidente do clube associativo, João Paulo Magalhães Lins, e encaminhada à Cork Gully, empresa responsável pela liquidação da Eagle Bidco, na Inglaterra. É justamente com a Cork Gully que a GDA Luma, liderada por Gabriel de Alba, negocia a aquisição do controle da SAF alvinegra.
Na interpretação do Botafogo, o acionamento do bônus de subscrição altera a estrutura societária e cria um novo cenário para a operação. O clube entende que poderá vender 41% das ações à GDA Luma por um valor previamente estabelecido, enquanto a Eagle ficaria obrigada a negociar seus 49% pelo mesmo preço.
Caso esse entendimento prevaleça, a composição final da SAF voltaria ao formato de 10% para o Botafogo associativo e 90% para a GDA Luma, encerrando a participação da Eagle Football no controle do futebol alvinegro. A disputa, porém, ainda deve ter novos desdobramentos jurídicos e societários.

Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.
Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.










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