John Textor se pronunciou após a divulgação de que o Botafogo associativo acionou o bônus de subscrição previsto no acordo de acionistas e passou a reivindicar 51% das ações da SAF.
O clube associativo sustenta que o mecanismo foi acionado porque o acordo firmado entre as partes teria sido descumprido pelo empresário norte-americano. Segundo o Botafogo, houve o que classificou como “aportes simulados”, relacionados à terceira parcela do investimento previsto no contrato de 2022.
O questionamento do associativo envolve movimentações financeiras realizadas em 2024. De acordo com o clube, o Lyon transferiu € 10,9 milhões para a SAF do Botafogo e, no mesmo dia, cerca de € 10 milhões retornaram ao clube francês na forma de empréstimo.
A versão de Textor
Ainda segundo a alegação do Botafogo, situação semelhante voltou a ocorrer posteriormente, quando aproximadamente R$ 55 milhões também foram enviados pelo Lyon e, dias depois, retornaram ao clube francês por meio de novas operações de empréstimo.
– Recebo essas informações com surpresa, mas também com absoluta tranquilidade. Sempre conduzi meus investimentos no Botafogo com responsabilidade, transparência e dentro da legalidade. Aliás, movimentações de saída de recursos estão sendo apresentadas de forma isolada, sem considerar as entradas significativas de caixa que ocorreram poucas semanas depois e que mais do que compensaram esses valores. A análise parcial dessas operações inevitavelmente produz uma narrativa distorcida da realidade – disse Textor ao “UOL”.
– Esses fatos não são recentes. As operações ocorreram há mais de dois anos e de fato eram de conhecimento dos órgãos de governança competentes naquele momento. Não pretendo transformar esse assunto em uma disputa de versões na imprensa. Porque tenho absoluta confiança na regularidade das operações realizadas durante minha gestão e na integridade de todos os atos praticados – continuou.
Advogado de Textor na causa, Felipe de Abreu Sampaio apontou para a descontextualização dos fatos.
– As operações mencionadas não são recentes nem desconhecidas. Foram realizadas há mais de dois anos, dentro da estrutura de governança da companhia. Uma avaliação baseada apenas em movimentações financeiras isoladas, sem considerar o contexto completo das operações, não reflete adequadamente a realidade dos fatos. [Trata-se de] uma tentativa inadequada de trazer novamente à tona movimentações antigas, já conhecidas à época, para lhes atribuir um significado que elas nunca tiveram – defendeu Sampaio.

Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.
Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.










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