Após tomar conhecimento da decisão judicial proferida no Rio nesta segunda, 13, John Textor comentou com pessoas próximas que identifica uma estratégia dos representantes legais da Ares Management, credora da Eagle Football, visando contestar seu controle sobre a SAF do Botafogo. Segundo ele, isso estaria sendo feito através de um conflito inexistente atualmente no Conselho de Administração da holding. A informação é do colunista Diogo Dantas, de “O Globo”, nesta terça, 14.
Diante disso, o investidor estadunidense, que detém a maior parte das ações da companhia, considera sem validade a determinação judicial que estabelece arbitragem no tribunal da Fundação Getúlio Vargas. Ele defende que não há conflito real dentro da Eagle. Já representantes da empresa interpretam a postura de Textor como uma tentativa de fugir da arbitragem por receio de perder influência.

Como principal proprietário, Textor permaneceu à frente da SAF mesmo após as saídas de Christopher Mallon e Mark Affolter, que deixaram o conselho da Eagle BIDCO. Nos bastidores, o acionista majoritário sustenta que foi ele próprio quem solicitou a anulação dos efeitos da Assembleia de 17 de julho no Botafogo, validada judicialmente, já que teria chegado a um entendimento com Mallon, designado como interventor pela Eagle para fiscalizar a administração do clube.
A sentença judicial questiona parcialmente essa autoridade de Textor. Além disso, indica uma resolução arbitral que, conforme aliados do americano, não reflete o interesse dos executivos da Eagle nem dos integrantes da SAF e do clube social do Botafogo. Por outro lado, a invalidação dos efeitos da Assembleia poderia criar espaço para ações não apenas da Eagle, mas também da SAF e do clube social visando afastar Textor do controle.
No círculo de Textor, entende-se ainda que Christopher Mallon teria concordado com o encerramento unilateral da disputa judicial pelo empresário, mas que os advogados se posicionaram contra enquanto o diretor independente estava afastado por razões pessoais. Posteriormente, Mallon renunciou ao cargo, seguido por Mark Affolter. Para a vaga, Textor nomeou o nigeriano Hemen Tseayo, alegando ter o conselho ao seu lado para eventuais embates futuros.
Irrelevante
Textor é tido como “cada vez menos relevante na operação do Botafogo. Isso porque, aos olhos da Eagle, o empresário evidencia não ter dinheiro para recomprar a SAF do Glorioso. Com isso, ele abre margem para novas ações judiciais e balança ainda mais no controle do Alvinegro.
Em meio à tormenta envolvendo sua gestão e nome, John Textor se defende e diz que não há motivos para preocupação no Botafogo. Em entrevista exclusiva ao “UOL”, no entanto, ele admite a possilibidade de uma cisão da Eagle.
– Então, eu sei que os torcedores querem uma resposta para essas coisas muito rapidamente, porque é assim que somos. Ainda não sabemos se vamos continuar juntos ou se o Botafogo vai se separar. Mas posso dizer que o clube está indo bem e muitas pessoas estão nos oferecendo capital através da Eagle para continuarmos juntos. Outras pessoas estão nos oferecendo capital para nos separarmos. Mas ninguém precisa se preocupar com a gente pagando as contas do Botafogo, porque a Eagle ainda é dona de 90% – concluiu.





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