Paul Quinn, analista financeiro independente, ganhou grande repercussão nas redes sociais após publicar análises extensas sobre a situação financeira do Botafogo, Eagle Football e a gestão de John Textor. Em entrevista exclusiva ao jornal “O Globo”, ele projetou cenários para o futuro do clube caso o empresário norte-americano deixe a SAF.
– Textor não tinha capital para adquirir, investir e manter os clubes que adquiriu. Ele dependia totalmente de empréstimos extremamente dispendiosos da Ares, um credor predatório. Além disso, não tinha dinheiro livre para continuar a financiar as perdas de todo o grupo. Em vez disso, se baseou em um modelo em que o clube que produzia fluxo de caixa positivo (Botafogo) apoiava o clube com fluxo de caixa negativo (Lyon). Além disso, não conseguiu pagar a dívida crescente, principalmente devida à Ares – explicou Paul Quinn.
– Em campo, obteve sucesso inicial e não há dúvida de que deu a volta a uma instituição falida, já fortemente endividada. No entanto, nada disso era sustentável pelas razões que expus — a Eagle estava insustentavelmente endividada e estava usando o Botafogo para apoiar o resto do negócio – acrescentou.
Especialista questiona sustentabilidade do modelo Eagle
Crítico declarado do modelo de negócios multiclubes adotado pela Eagle Football, Paul Quinn avaliou o estilo de gestão de John Textor e apontou possíveis fragilidades na estrutura financeira do grupo.
– Segundo a lei inglesa, o administrador é responsável por levantar o máximo de dinheiro possível para pagar parte ou a totalidade da dívida com a Ares. Isso significa que os três clubes serão vendidos individual ou coletivamente ao licitante com lance mais alto. É do interesse do administrador manter cada clube em funcionamento — embora seja difícil ver como isso pode acontecer, dada a natureza deficitária e os níveis extraordinários de endividamento – ponderou, antes de falar especificamente sobre o Botafogo.
– John Textor não está mais na equação. O Botafogo vai à venda pelo maior lance. Isso pode incluir a licitação de Michele Kang (atual presidente e CEO do Lyon) e da Ares pela totalidade da Eagle Football Holdings. No curto prazo, o futebol continuará normalmente. Na ausência de mais dinheiro, poderá ser necessária a alienação de jogadores e uma redução nos custos de funcionamento do clube – completou.











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