Com gols de Alex Telles e Danilo, o Botafogo venceu o Nacional Potosí por 2 a 0, reverteu a vantagem dos bolivianos e avançou à terceira fase preliminar da Libertadores. Após a partida, o técnico Martín Anselmi avaliou o confronto e admitiu que o time sentiu o cansaço na segunda etapa.
— Acho que não foi em todo o segundo tempo (a reação adversária). Começamos bem, tivemos chances de fazer o terceiro gol e tentamos defender com a bola. Depois eles cresceram e não soubemos tirar a bola deles. Tentamos saindo com três, depois com um a mais no meio-campo. Acumulamos muita gente na última linha e isso provoca confusão. Eu queria pressionar e tirar a bola, mas na Libertadores há muita tensão, coisas acumuladas — analisou.
— Acho que tínhamos que ganhar e às vezes não se pode fazer tudo o que quer. Os jogadores terminaram muito cansados, fizeram muito esforço. O importante era virar o placar. Acho que deveríamos ter marcado mais um no primeiro tempo. No segundo tempo eles souberam jogar, não sei se chegaram tanto, mas chegaram.
Outras respostas de Martín Anselmi
Danilo
— Não posso falar só de Danilo. Obviamente que quando você tem jogadores da qualidade do Danilo dentro de campo, faz diferença. Como também temos muitos jogadores, como Chris Ramos e Marçal, que ainda não conseguiram ter essa sequência, mas fizeram muita falta neste jogo. Danilo é um jogador top, faz diferença, mas também tem elenco atrás dele que o acompanha e faz todo o trabalho para que ele possa fazer sua tarefa. Somos uma equipe e quanto mais jogadores tivermos, melhor. Isso significa que vai provocar competição interna, o que é saudável e melhora jogadores — disse o técnico Martin Anselmi.
Neto fora da relação
— Não temos nenhum jogador titular no Botafogo. O Léo Linck foi alguns dias antes para a Bolívia na semana passada e acho que merecia outra chance hoje. O Raul também foi bem contra o Boavista e também merecia uma oportunidade. Mas as coisas podem mudar, eles têm que competir.
Estreia na Libertadores
— Acho que o futebol brasileiro não deixa muito espaço para o sentimento. Amanhã eu já tenho outro sentimento. Vamos celebrar, é um pequeno presente para nossa torcida, que nos acompanhou e nos deu seu apoio. E também é um presente para nós, que vínhamos trabalhando e nos esforçando para conseguir uma recompensa. Hoje tivemos essa recompensa, só nós sabemos como foi toda essa sequência, como foi o trabalho interno no clube e como foi a viagem para a Bolívia, não é fácil jogar lá. Meu sentimento… obviamente estou feliz porque conseguimos lutar e virar. Mas também, nesse perfeccionismo com o qual trabalho, que talvez não seja bom, acho que temos muita coisa para melhorar. Meu sentimento é pensar nas coisas que temos que fazer para seguir melhorando.
Posicionamento de Alex Telles
— Fico feliz por ele, jogar ali não é fácil. Tem que fazer muito esforço, estou conversando muito com ele. Para jogar nessa posição precisa de muita força. Eu achava que com essa linha de cinco eu queria jogar com Vitinho e Telles, mas também com o Ponte pelo meio. Mas também que Montoro e Barrera saltem dúvida nos zagueiros se devem sair ou não, que abram espaço. Depois mudou, fizemos outra linha, com diferença de altura na linha. Defensivamente ele foi muito bem, o Vitinho também. Estou contente, está fazendo um bom trabalho. Depois jovens muito bons também. Às vezes podemos jogar com dois, com o Villalba como extremo, por exemplo.
Matheus Martins
— Tem que estar tranquilo. Ele ataca bem a profundidade, mas tem que saber que tem que defender e fez um bom trabalho. Não é fácil atacar uma linha de cinco e ele soube os momentos certos para isso. Os gols vão chegar. São situações diferentes o jogo contra o Flamengo, o jogo da Bolívia, hoje… Mas ele está fazendo as coisas para conseguir fazer os gols e como todo centroavante um dia o gol chega.

Avaliação da atuação de Vitinho
— Primeiramente, acho que o Vitinho é um jogador muito inteligente. Gosto de conversar com ele, gosto de falar de futebol. Ele gosta do jogo. Para mim, é sempre bom ter jogadores que gostam de falar do jogo. Ele ataca muito bem a profundidade, por vezes fica chateado porque a bola não chega. Ele quer que chegue mais. Nós trabalhamos muito no vídeo para que os companheiros olhem o Vitinho quando ataca a profundidade. Ele tem que entender que às vezes vai se esforçar, não vai receber a bola e tem que seguir. Falei na pergunta anterior, tanto ele quanto o Telles estão evoluindo nessa posição. Para mim não é nenhuma surpresa o que o Vitinho pode fazer na direita. Pode defender, pode atacar, pode passar, pode cruzar. Para mim, é um jogador muito importante. Hoje ninguém falou do Newton, mas acho que ele é um jogador que não mede esforços, que faz um trabalho invisível, que rouba as bolas. Tem que falar de Danilo, de Bastos… Temos que falar de todo o elenco, não só de um jogador. Para um jogador fazer alguma coisa, precisa dos seus companheiros. Para o Vitinho fazer bem as coisas, ele precisa dos companheiros.

Três zagueiros com Ponte improvisado
– Acho que tem que olhar melhor. Nós construímos hoje com três, mas no primeiro tempo defendemos com quatro. Ponte jogou de lateral. Então, se eu coloco um zagueiro a mais, não posso defender com quatro. Eu queria defender com quatro. Nós, no primeiro tempo, defendemos no 4-2-3-1, no 4-4-2 às vezes. Mas nós defendemos: Ponte, Bastos, Barboza, Telles; Vitinho, Newton, Danilo, Montoro, Barrera e Martins, 4-2-3-1. Se eu coloco Justino ou Ythallo, não consigo defender dessa forma. Então, tem que olhar. Meu trabalho como treinador é ter todas as possibilidades – iniciou Anselmi.
— Gosto muito de analisar o rival. Mas também, neste caso, não tenho muita informação do adversário. Eles não estão jogando ainda o Campeonato Boliviano, tinham uma vantagem em sua casa… Eu achava que eles iriam jogar com cinco atrás, mas que também podiam atacar com quatro, com cinco. Tenho que estar preparado para qualquer mudança que podem fazer. E a versatilidade também que dá Mateo, neste caso, além de que, para mim, é um jogador importante. Ele me dá essa versatilidade para jogar, se eu preciso defender com cinco ou com três, ou se preciso defender com quatro – continuou.
— Sobre a construção com três, também estamos preparados para uma construção com dois, segundo a pressão do Nacional Potosí. Se eu quero construir com dois, posso construir com Bastos e com Barboza e jogar com quatro, ou seja, com dois laterais de ofício, que podem ser Ponte e Telles. Posso jogar com Vitinho como extremo ou por dentro. Então, todas essas coisas que quando você vai armando uma escalação está pensando em muitas coisas.
— Se você me pergunta, por que escolhi construir com três no início do jogo? Porque eu queria ter controle do jogo, porque é um jogo muito longo. Queria ter controle do jogo para fazer um jogo em que nós pudéssemos ficar com a bola e fazer dano. Se não conseguíssemos fazer dano, eu tinha três opções que podíamos mudar, uma com o mesmo sistema e duas com substituições – completou.
— Por outro lado, Ythallo e Justino são jogadores jovens, que estão aqui para evoluir, para nos dar um suporte, e minha tarefa é elevá-los pouco a pouco. Mas acabou jogando o Justino. Ele estreou na Copa Libertadores, é muito importante para Botafogo isso. E foi o capitão no outro dia contra o Boavista. Então, calma. São jovens que temos que elevar pouco a pouco, mas também acredito muito neles. Se não, não teria colocado o Justino hoje – finalizou Anselmi.



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