Após a derrota e eliminação do Botafogo para o Flamengo por 2 a 1, o técnico Martín Anselmi fez uma longa reflexão sobre o momento do Alvinegro, que vem de cinco derrotas seguidas na temporada.
— Quero falar de minha sensação e de algumas coisas que acho que é o momento para ter essa reflexão. Primeiro, de nossa parte… o que quero falar é que quero acreditar que hoje é este tipo de equipe que quero ver em campo. Pode perder, empatar, pode ganhar, mas tem atitude, desejo de ganhar, vontade de ir para frente, competitividade. Tudo isso não esteve presente contra o Fluminense deste jeito. Também quero deixar uma mensagem para torcida do Botafogo: quero pedir desculpas por estes três jogos. Acho que é muito importante, para eles, um clássico. Sou torcedor de um time que o clássico é mais importante da vida. E eu sofria muito também por não ganhar um clássico. Mas também quero falar para eles que este grupo está fazendo coisas boas que ainda não estão refletindo no placar. Mas posso garantir para eles que vai se refletir no placar. Agora temos um jogo com circunstâncias diferentes, difíceis, mas não vai ser desculpa para competirmos como competimos hoje. Vamos deixar tudo para passar à fase seguinte da Copa Libertadores. Tenho certeza que falta muito pouco para que os torcedores tenham orgulho deste time. Vamos recuperar jogadores e vão chegar outros que vão nos ajudar – disse.
Falhas de Neto
— Quando ganhamos, ganhamos todos. Quando perdemos, perdemos todos. Essa é a minha forma de ver futebol.
Arbitragem
— Não entendi os cartões para o meu auxiliar, para mim, a expulsão do Allan. Se tenho três decisões que não compreendo, já está claro como penso da arbitragem. Basta.
Altitude na Bolívia
— Tem que ser uma equipe inteligente. A segunda coisa é que temos que entender: uma coisa real e um fator externo que faz que teu rendimento fique condicionado. Também acho que é uma coisa mental. Não vamos ficar pensando nas condições. Temos um plano de jogo e vamos pensar nele. Sabendo nas condições que as condições de jogo não são normais. Porque eu sei e tive muita vantagem jogando na altitude em muitos jogos em 2.800. E essa agora é 4 mil. Temos gente lá, em Potosí, que estão treinando, fazendo bem as coisas. Então é essa a mentalidade. Mentalmente forte. Sabemos como é. Não controlamos isso. Temos que enfrentar como um inimigo mais. Essa vai ser nossa mentalidade.
Adaptação
— Cada liga, cada lugar, cada país tem a sua particularidade, sua essência. Não se pode jogar todas as ligas da mesma forma. Temos que fazer ajustes. A minha essência tem que ser a mesma, mas depois tenho que ter adaptações para diferentes tipos de futebol. Brasil é diferente de México, Argentina, Portugal… Depois tem um tema cultural. Eu como estrangeiro tenho que me adaptar à cultura, como fiz em todos os lugares que fui. Como é sua forma de pensar, trabalhar, ver as coisas. O Botafogo é outro microclima, micromundo. Acho que futebol brasileiro tem muita qualidade de jogadores, treinadores. E isso é um desafio enorme para mim. As equipes de futebol do Brasil certamente competem na liga de Portugal e algumas competem para ser campeão porque tem bons jogadores. Então, para mim como treinador é um desafio cada jogo. Gosto que essa gente me façam ser melhor treinador. Jogar contra o Filipe Luís me exige pensar muitas coisas. Então ele vai me vai fazer melhor treinador e vice-versa.
Desafio na SAF
— O Botafogo foi muito honesto quando me chamou. Eu já sabia a situação antes de vir. Eu gosto não da situação. Mas gosto deste tipo de desafios. É fácil chegar numa equipe onde não tem mais nada para construir, onde alguém já fez tudo. Essa é uma situação confortável. Isso eu escutei de um jogador de basquete argentino: o bonito é estar confortável no inconfortável. Aqui estamos numa situação incômoda. E nós tentamos cada dia o melhor para ficar confortável na situação incômoda. Porque se nós alcançarmos isso, quando isso vira cômoda, imagina como vamos estar. Esta é a situação que estamos vivendo agora. Eu gosto deste desafio. Vamos sair mais forte. Quando passar este momento estaremos muito mais forte. Eu quero passar isso porque eu não vim para o Botafogo para voltar à Europa em uma ano. Eu vim porque eu escolhi estar no Botafogo. Eu quero ficar neste projeto, fazer coisas boas e que os torcedores estejam orgulhosos do que conseguirmos fazer. E vou mais longe ainda: quero conquistar o Brasileirão. Não sei se alguma vez algum argentino foi campeão do Brasileirão. E não quero saber. Se nunca foi, eu quero ser o primeiro.
O Botafogo volta a campo contra o Nacional Potosí, quarta, 18, às 21h30 (de Brasília), pelo jogo de ida da pré-Libertadores.



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