Após Lucas Verthein deixar o Botafogo, agora foi a vez de sua namorada, Ana Sátila, romper com o clube. Em entrevista exclusiva ao “ge“, o medalhista olímpica disparou contra a diretoria do clube social.
— É muito triste. Foi uma realidade que eu precisei presenciar, foi uma vontade minha estar num clube para que a gente começasse ali a desbravar algo que não havia na canoagem ainda. Essa experiência infelizmente não foi boa e hoje eu acho que tenho até a obrigação de alertar os atletas que ainda estão ali presentes para realmente falar. O atleta tem que ser valorizado, ainda mais no nosso país e ainda mais nesse momento – afirmou Ana Sátila, ao podcast Rumo ao Pódio.
Ana Sátila ficou dois anos no Botafogo e lembrou o início da trajetória no Glorioso.
— Dois anos atrás, eu entrei para o Botafogo com uma expectativa de mudança muito grande, sabe? Como estava no Rio, treinando, fazia muito sentido estar em um clube carioca que queria incentivar, que queria apoiar o esporte, né? Eu fui convidada a entrar no Botafogo. E eu conheci um cara que ele é fenomenal, Durcesio Mello. Ele era o presidente do Botafogo nessa época, quando eu entrei. E ele me recebeu assim de braços abertos, de uma forma tão carinhosa, tão bonita – relatou Ana Sátila.
— Não tinha investimento, quando eu entrei, ele sentou comigo e falou: “Eu não consigo te pagar, mas a gente quer. Então confia em mim que eu vou atrás, eu vou tentar. Você não vai ter salário, você não vai ter investimento. Se tudo der certo, uma camiseta, um uniforme. Então, era com isso que eu entrei no Botafogo. E eu tava feliz – garantiu.

Assédio moral
Durcesio Mello foi presidente do clube social até 31 de dezembro de 2024. Desde então, João Paulo Magalhães responde pela mais alta cadeira do Alvinegro. Sobre a nova gestão, Sátila disparou a mais grave denúncia da entrevista. Segundo a canoísta, a cobrança interna é passível de um assédio moral.
— Eu aprendi a torcer pelo futebol também, tanto que eu vou ser botafoguense pelo resto da minha vida, mas eu não estou mais no clube. O Durcesio precisou sair do Botafogo, entrou o novo presidente. A partir de aí, o esporte olímpico foi esquecido, ele foi deixado de lado totalmente, não só a canoagem. Até o remo, que é um esporte tradicional do Botafogo. O pessoal é constantemente prejudicado, e o clube não paga um salário digno, a gente tá falando 200, 300, 500 reais para os atletas, para ter uma cobrança, sabe, absurda, algo assim passível de um uma condenação, um assédio moral, dentro do clube. Isso eu vi estando lá. Isso eu tô falando porque eu vi lá – concluiu a canoísta.
O que diz o Botafogo
Em defesa, o Botafogo relata dificuldades financeiras em manter os esportes olímpicos. Segundo o vice de remo do clube, o foco é ter poucos atletas nas categorias.
— Não podemos, é fato, querer disputar todos os esportes amadores, dada a escassez de recursos. Preferimos nos concentrar em poucos, nos quais possamos fazer boa figura – diz João Gualberto Teixeira de Mello, vice-presidente de remo do Botafogo.
— Vamos começar esclarecendo: atleta amador não tem “salário ” e, sim, ajuda de custo. O Botafogo hoje não tem mais a renda proveniente do futebol, que ficou com a SAF. Vivemos hoje da contribuição mensal dos sócios (taxa de manutenção) e de algumas receitas patrimoniais que ficaram com o clube (aluguel de lojas do shopping, aluguel da churrascaria etc). Mesmo assim, o Botafogo faz um esforço no sentido de remunerar os seus atletas de ponta com valores justos, mas não podemos fazer loucuras que comprometam o equilíbrio de receita e despesa – disse o dirigente.
– Acho que qualquer atleta de alto rendimento de nível olímpico é naturalmente cobrado, embora no caso da Ana Sátila, que não tinha uma vice-presidência específica a quem se reportar, não vejo como ela pudesse ter esse tipo de cobrança – diz, refutando também o termo “abandono” do esporte olímpico no clube.
– No meu caso, o remo olímpico e o remo de praia (nova modalidade olímpica já em Los Angeles 2028) estamos reestruturando o departamento, apostando na base (seremos campeões da categoria Júnior B, de 15 e 16 anos) e reequipando o departamento com máquinas de remo indoor (remoergômetros) e novos barcos. O basquete, pelo que sei também está recebendo toda a atenção do clube. Não podemos, é fato, querer disputar todos os esportes amadores, dada a escassez de recursos. Preferimos nos concentrar em poucos, nos quais possamos fazer boa figura – concluiu.





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