O Botafogo atravessa um dos momentos mais delicados desde a criação da SAF. Envolvido em transfer ban da Fifa, com dívidas acumuladas, atraso em pagamentos e sem perspectiva concreta de acordo societário entre John Textor, Eagle Football e Iconic Sports, o clube vive um cenário de profunda instabilidade financeira e administrativa.
- Duas saídas possíveis para o Botafogo SAF, segundo especialista
- Transfer ban expõe colapso do modelo financeiro da Eagle Football
- Fim do fluxo de dinheiro europeu agrava crise do Botafogo
- Disputa com a Iconic e risco de perda de controle acionário
- Botafogo tenta se adaptar a nova realidade financeira
- Qual pode ser o próximo passo da Ares?
Durante o programa “Redação SporTV”, exibido neste sábado (24/1), o jornalista e pesquisador Irlan Simões fez uma análise detalhada da situação da SAF alvinegra e alertou que não se pode descartar, no médio prazo, a possibilidade de falência ou liquidação do Botafogo SAF.
Duas saídas possíveis para o Botafogo SAF, segundo especialista
Na avaliação de Irlan, o Botafogo se encontra diante de apenas dois caminhos viáveis no cenário atual.
– Vou dar uma opinião breve, não estou querendo prever o futuro, mas só apontar uma possibilidade. Existem duas vias do Botafogo nesse momento, ao meu ver: ou encontrar um novo investidor, num cenário que não vejo muito interesse, muito menos num clube que já acumula 1 bilhão de dívidas só na SAF, não é dívida da associação… E um cenário muito complicado que pode estar e precisa estar em perspectiva é a SAF do Botafogo ser considerada pelo grupo Eagle, pelos controladores da Eagle, como uma SAF que precisa ser liquidada, ir à falência, porque ela é insustentável – afirmou.
O jornalista destacou que o volume da dívida torna o modelo atual praticamente inviável.
– Os valores que envolvem a dívida do Botafogo são impagáveis, seja das dívidas antigas, seja das dívidas novas. Isso não pode deixar de estar na perspectiva – completou.
Transfer ban expõe colapso do modelo financeiro da Eagle Football
Um dos pontos centrais da crise é o transfer ban imposto pela Fifa, relacionado à contratação de Thiago Almada, em operação avaliada em cerca de R$ 114 milhões. Segundo Irlan, o caso simboliza o esgotamento do modelo financeiro da Eagle Football Holdings.
– O John Textor argumentou que uma dívida da MLS poderia ser compensada entre clubes da liga, algo que não se sustenta em nenhum cenário possível. A Fifa entende que o pagamento deve ser feito integralmente ao clube vendedor – explicou.
Mais do que cobrar o valor, a entidade internacional passou a exigir garantias financeiras, diante da reincidência do Botafogo em atrasos.
Fim do fluxo de dinheiro europeu agrava crise do Botafogo
Outro fator determinante foi o rompimento prático da circulação de recursos entre os clubes da holding. Segundo Irlan, o Botafogo perdeu acesso ao dinheiro europeu que antes vinha de clubes como Lyon, RWDM Brussels e possíveis ativos ingleses.
– O Botafogo estava baseado na chance de chegarem ao mesmo tempo dólares e euros. Isso não está mais acontecendo. A estrutura da rede praticamente deixou de existir – afirmou.
Com a Ares Management controlando o fluxo financeiro e impedindo novos empréstimos, o clube passou a ser obrigado a operar com recursos próprios, algo para o qual ainda não está totalmente preparado.
Disputa com a Iconic e risco de perda de controle acionário
Além do transfer ban, a crise se aprofundou com a derrota de John Textor em um recurso judicial contra a Iconic Sports, grupo que pode assumir parte relevante do capital da Eagle.
– É um cenário em que a Ares controla o cofre, a Iconic pressiona judicialmente, e o Textor fica no meio, sem margem financeira – resumiu Irlan.
Segundo o jornalista, a consequência direta é a queda de credibilidade do projeto junto a investidores internacionais.
Botafogo tenta se adaptar a nova realidade financeira
Apesar do cenário crítico, Irlan pondera que o Botafogo, enquanto clube de futebol, não foi mal gerido esportivamente nos últimos anos.
– Enquanto teve dinheiro, o Botafogo usou bem os recursos, montou times competitivos e venceu. O problema foi o colapso da estratégia financeira da Eagle como um todo – avaliou.
Agora, o clube tenta se reestruturar para sobreviver sem o suporte externo que sustentou os grandes investimentos recentes.
Qual pode ser o próximo passo da Ares?
Por fim, Irlan explicou que a Ares tende a buscar uma solução rápida para o impasse.
– O interesse da Ares é vender pelo melhor valor possível. Se será a Eagle inteira, o Botafogo separado do Lyon, isso ainda está em aberto. O que é certo é que ela não quer mais ver o nome do Textor contraindo novas dívidas – concluiu.





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