Demitido do Botafogo após a eliminação do time na Copa do Mundo de Clubes para o Palmeiras, Renato Paiva não superou o episódio. Em entrevista ao veículo francês RMC Sport, o português lembrou a passagem pelo Glorioso e a relação com Textor.
— Durante quatro meses, conversei com esse senhor… No dia da minha entrevista para assinar o contrato… Ele me ligou quando jogamos a primeira partida do campeonato contra o Palmeiras, me ligou antes do jogo. Depois, nos encontramos no Mundial de Clubes em Seattle, na noite anterior à nossa partida contra o Seattle. Depois, no dia do jogo contra o PSG e no dia do jogo contra o Palmeiras. Conversei com esse senhor cinco vezes.
— Toda a comunicação, todas as mensagens sobre como jogar , como escolher meu time, sobre colocar fulano nessa posição ou ciclano naquela posição, ou sobre meu sistema tático, tudo isso foi por meio de mensagens dos meus dirigentes. Ele enviava mensagens para eles, e meus dirigentes conversavam comigo. Mas meus dirigentes estavam comigo todos os dias; eles assistiam aos treinos. Eles assistiam aos vídeos; eles acompanhavam a preparação para os jogos. Então, eles entendiam minhas escolhas e por que eu as fazia.

— Era uma relação fria (com John Textor). Para mim, é muito estranho que um dono de clube fale com seu técnico apenas cinco vezes em quatro meses. Mas é assim que as coisas são, e era assim que era meu relacionamento com ele. Na minha opinião, e de acordo com as pessoas com quem trabalho, fui demitido porque não estava fazendo certas coisas que ele queria que eu fizesse.
— Ele é o dono, tudo bem, mas contratou um técnico com suas próprias ideias. Então ele tem o direito de fazer o que fez, mas não da maneira que fez. Mas o que ele faz está certo. Mas eu tenho o direito de ser eu mesmo porque sou técnico há 23 anos e construí uma estrutura profissional. Tenho minhas ideias, estudei futebol, estudei os jogadores adversários, me reuni com meus jogadores todos os dias. Então, se eu tiver que morrer, morrerei com as minhas ideias. O que é diferente de não ouvir. Eu ouvia meus dirigentes porque eles sabiam, porque conversavam comigo sobre muitas coisas, eu ouvia minha comissão técnica e às vezes mudava as coisas quando me parecia certo. Mas eu não ia fazer coisas malucas. Era assim no Botafogo – iniciou para completar:
Showman
— Acho que ele é alguém que vive para… Para mim, ele é um showman! Claro, ele tem seus méritos; ganhou um campeonato brasileiro, ganhou a Libertadores. Ele teve sucessos. Mas, na minha opinião, esses sucessos não estão relacionados à compreensão do futebol. Seus sucessos estão relacionados à escolha das pessoas para trabalhar com ele. Mas as pessoas sempre dizem que ele não ouve muito os outros. E eu sou o exemplo perfeito disso. Ele não sabe ouvir. Isso é um problema. Mas, obviamente, ele tem muita influência aqui no Brasil e no Rio de Janeiro graças ao que trouxe para o clube, algo que o Botafogo não via há muito tempo: títulos, e títulos importantes.
— Ele ganhou o campeonato e a Libertadores no mesmo ano. Mas ele também faz coisas como aparecer em público usando um chapéu de caubói, provocando as pessoas, dizendo antes do Mundial de Clubes que íamos jogar contra o PSG e que eles eram um time pequeno… Quando fui entrevistado após a vitória contra o Paris , ao vivo e em rede mundial, ele veio até mim e me deu um beijo na bochecha, em tempo real. Ele poderia ter me beijado no vestiário, poderia ter me beijado longe das câmeras. Então, ele estava fazendo um show. E aí, ele pôde me beijar ao vivo e, sete dias depois, me demitir. Na minha opinião, isso diz mais sobre ele do que sobre o meu trabalho – concluiu.





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