Narrador da getv, Jorge Iggor montou a tierlist do Campeonato Brasileiro e avaliou os 20 clubes da Série A. De acordo com o jornalista, o Botafogo, que estreia nesta quinta, contra o Cruzeiro, figura entre os times que vão lutar contra o rebaixamento na competição.
Na avaliação de Iggor, o ponto central é o transfer ban imposto pela Fifa, decorrente da dívida com o Atlanta United pela contratação de Thiago Almada, em 2024. A punição impede o registro de reforços e compromete qualquer reação esportiva ao longo da temporada.
— O Botafogo tem um bom time titular, né? Tem um cara como o Montoro que desequilibra partidas, um volante do nível do Danilo, o Barbosa que está ficando, zagueiro. Eu gosto até no papel do Botafogo, mas os salários estão atrasados; dois meses nesse momento de direito de imagem estão atrasados. Não se sabe o que vai ser do clube no futuro.
Ares, Eagle e o enfraquecimento de Textor
Iggor também destacou o contexto político e jurídico envolvendo John Textor, a Eagle Football Holdings e a Ares Management. Para ele, o empresário está enfraquecido, sustentado momentaneamente por uma liminar da Justiça do Rio de Janeiro, decisão considerada provisória e instável.
— A Ares, a empresa lá, conseguiu retomar o controle da Eagle. O Textor só não perdeu o controle do Botafogo em uma reunião de ontem à noite. Ontem fizemos os palpites no Tropa GTV e colocamos o Botafogo ali brigando pelo meio de tabela, mas eu e a Jordana Araújo fomos contrários; falamos que achamos que é briga por zona de rebaixamento. E nem tinha saído ainda o resultado da assembleia da Ares afastando o Textor – lembrou.
— Nesse momento, o Textor está garantido por uma liminar da justiça do Rio de Janeiro como presidente da SAF e dono do Botafogo. Uma liminar é algo frágil, uma decisão provisória que pode cair a qualquer momento. É isso que o sustenta agora, porque a Ares exerceu o direito para tomar o controle da Eagle. O Textor está extremamente enfraquecido, buscando uma sobrevida desesperada e amigos investidores para um empréstimo com juros altos. Se não pagar, os caras pegam o clube.
Outro fator decisivo na projeção pessimista é o tamanho do passivo. De acordo com a análise, a dívida total do Botafogo gira em torno de R$ 1,5 bilhão, com cerca de R$ 700 milhões em compromissos de curto prazo.
— O Botafogo está no fio da navalha. Como falar em briga por Libertadores com esse panorama e com um transfer ban que pode durar até o meio do ano? Além disso, o clube já está em um processo de recuperação extrajudicial com credores do clube social há dois anos, e agora o passo seria uma recuperação judicial. A dívida hoje está em R$ 1,5 bilhão, com passivos de curto prazo de 700 milhões.
— A ideia é apresentar um plano de pagamento na mesma vara empresarial que julga a briga entre Textor, Eagle e Ares. Mas, torcedor, não se iluda: a recuperação extrajudicial não resolve o transfer ban imediatamente. Há um longo caminho para aprovar isso, com plano para os credores e intermediação da justiça. Infelizmente, a realidade para 2026 é dura e o Botafogo tem que focar em fazer 45 pontos.
O clube já está inserido em um processo de recuperação extrajudicial envolvendo o associativo e caminha para uma possível recuperação judicial, que, segundo Iggor, não resolve o transfer ban de forma imediata.
Mercado travado e efeito dominó no elenco
O narrador chamou atenção para situações consideradas paradoxais, como a contratação de jogadores que não podem ser inscritos e precisam ser emprestados a outros clubes. O cenário limita reposições, aumenta a exposição do elenco e potencializa conflitos internos, sobretudo em caso de novos atrasos salariais.
— O clube está anunciando jogadores, como o Wallace Davi do Fluminense, mas não pode inscrevê-los. É uma loucura: você contrata um jogador por quatro anos e, como não pode inscrever, tem que emprestá-lo para outro clube. Se um titular importante se machuca, não há como repor no mercado. Além disso, há novas cobranças de salários atrasados, como o ultimato dado pelo Danilo. Se um jogador sair por esse motivo, outros irão.
— Trabalho com a verdade e estou preocupado com o ano de 2026 do Botafogo. Será um ano muito difícil e as soluções prometidas pelo Textor não estão se concretizando. Ele fez uma live prometendo resolver tudo, mas o campeonato começa amanhã e nada está perto de ser resolvido. É preciso parar de acreditar em promessas.
Idolatria a Textor
O narrador criticou ainda a idolatria cega de parte da torcida ao estadunidense.
— Entendo a gratidão e a idolatria pelo Textor, mas é preciso aceitar que a gestão dele foi um terror do ponto de vista financeiro. Ele deu ao Botafogo o maior título de sua história, mas com uma gestão irresponsável, pegando empréstimos de todo lado e tirando dinheiro de um clube para botar em outro. Lembrem-se da negligência com títulos no início do ano passado, dizendo que o ano só começava em maio. Isso foi um absurdo.
— A situação é grave. A realidade dos fatos sempre se impõe, e não adianta culpar a imprensa ou a “Flapress”. A realidade vai bater à porta. Deixem sua opinião nos comentários. Desejo um ótimo Campeonato Brasileiro para todos. Acho que o Brasileirão o ano todo será uma experiência legal e provocará uma reflexão necessária sobre os estaduais e o excesso de jogos – concluiu.





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