A crise de comando na Eagle Football Holdings ganhou contornos mais claros com a revelação de um racha interno em torno do modelo de aporte defendido por John Textor para resolver dívidas urgentes do Botafogo, incluindo o transfer ban imposto pela Fifa. Segundo apuração do GE, os diretores Stephen Welch e Hemen Tseayo, demitidos do conselho da Eagle Bidco na última segunda, 26, eram contrários à estratégia financeira apresentada pelo empresário norte-americano.
A divergência não era pontual. Ela fazia parte de um conjunto de decisões recentes de Textor que vinha encontrando resistência dentro da estrutura da holding — e acabou se tornando um ponto de ruptura.
Demissões antes da assembleia mudaram correlação de forças
O afastamento de Welch e Tseayo ocorreu às vésperas da Assembleia Geral da Eagle, em um movimento interpretado internamente como tático. Com a saída dos dois, seus votos foram automaticamente invalidados, o que permitiria a Textor votar sozinho na tentativa de retomar o controle da Eagle.
O plano passava por destituir a atual diretoria do grupo, liderada por Michele Kang e Michael Gerlinger, e reassumir o comando executivo da holding multiclubes.
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Ação foi estopim para intervenção da Ares
A manobra, no entanto, teve efeito inverso. A demissão dos conselheiros foi considerada o gatilho para que a Ares Management, principal credora da Eagle, acionasse uma cláusula contratual de proteção, retirando poderes de John Textor e assumindo o controle administrativo do grupo.
Nos bastidores, a leitura é de que a Ares interpretou o movimento como um risco direto à governança e à preservação do crédito, acelerando uma decisão que já vinha sendo discutida internamente.
Textor contesta legalidade e fala em “conselho secreto”
John Textor nega que a intervenção da Ares tenha base judicial e questiona a legalidade da medida. Em entrevista ao FogãoNET, o empresário afirmou que não houve decisão judicial que justificasse a retirada de seus poderes.
Além disso, adotou tom de confronto ao se referir à Assembleia Geral marcada para esta quarta-feira, na França, chamando o encontro de “conselho secreto” e acusando Michele Kang de prejudicar o Botafogo com decisões tomadas no âmbito da Eagle.





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