Em meio às disputas societárias na Eagle Football, o Botafogo sangra em campo. Sem técnico e na zona de rebaixamento do Brasileirão, o time tem um futuro incerto na temporada. O jornalista Rodrigo Capello, especialista em finanças do esporte, avaliou a situação da SAF Botafogo.
– Há duas questões. Uma é a própria administração da SAF do Botafogo, que perdeu o CEO recentemente e está hiper endividada. A SAF do Botafogo se endividou muito rápido. [Se endividou] não pagando imposto, sem pagar nada de imposto, o que para mim é um absurdo. Você contrata jogador, tem que recolher INSS, tem que depositar FGTS. Tem um monte de isenção fiscal para facilitar o negócio, e o cara não recolhe INSS. E aí fica sem recolher durante três anos, com contratos altíssimos. Aí, de repente, vai ver lá, já tem R$ 300 milhões, R$ 400 milhões para pagar para o Governo, já reparcelados. Eu acho uma sacanagem com os adversários, entendeu? Se tem um time pagando, recolhendo INSS, e o teu não, o teu está tendo vantagem. Acho isso muitíssimo errado – opinou Capello ao Canal do Duda Garbi.

– Contratação de jogador… Os números de 2025 não saíram ainda, mas em 2024, o Botafogo, que inclusive atrasou a publicação do balanço em seis meses, contra a lei, só em jogador tinha mais de meio bilhão em compra de direitos. O Botafogo pré-SAF estava acostumado a gastar R$ 15 milhões, R$ 20 milhões. O Botafogo no início da SAF era R$ 100 milhões. R$ 500 milhões, cara! É muita grana. Eles se endividaram muito rápido. Tiveram retorno esportivo, ganharam Libertadores, Brasileiro, jogaram Copa do Mundo de Clubes… Tudo isso trouxe premiação e mais patrocínio, só que a conta não fechou – continuou.
– A outra parte da história é… John Textor, ao mesmo tempo que ele fez isso na gestão do Botafogo, fez coisa parecida na gestão do Lyon. E aí, os sócios e credores entraram em conflito pesado pela liderança do grupo. É uma coisa que eles estão resolvendo agora ainda, não sei qual é o desfecho dessa história – completou.
Futuro esportivo do Botafogo
– Sempre respinga [no campo]. A questão é quanto tempo leva. O elenco está lá, você ainda tem uma qualidade que permanece. Eu acho que o Botafogo é um time para cair para a segunda divisão? Não acho. Mas, nesse ajuste, quais são as dores que o clube vai sofrer por causa desses riscos exagerados que correu? Vai ter que vender jogador, vai ter que perder jogador da base, vai perder credibilidade no mercado, porque está todo mundo já sabendo que não deve receber. São os impactos desse tipo de gestão.
SAF Botafogo x SAF Vasco
– Eles [Botafogo] ganharam títulos. Então não posso ignorar isso. Não quero que o torcedor ache que eu sou um torcedor de balanço. Eu quero que o balanço esteja no azul, é para o time ganhar, só que tem que disputar campeonato consistentemente. Não é você ganhar um ano e no seguinte você estar brigando para não cair. Isso certamente é um projeto esportivo falho. Como é que você faz um clube sustentável? É gastando meio bilhão em jogador para ganhar alguma coisa e depois cair? Não é o caminho que eu gosto.
– Agora, se você comparar a SAF do Botafogo com a SAF do Vasco, que tem problemas de sócios brigando, credores reclamando e dívida, e não ganhou o Brasileiro, não ganhou títulos, a SAF do Vasco nesse sentido é pior… A situação da do Botafogo é mais grave. Agora, se a gente olhar só daqui para frente, é um desafio maior, ainda mais com fair play financeiro. Agora tem uma cobrança maior e fiscalização – encerrou Capelo.













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