Em meio a um ambiente de forte tensão institucional, protestos da torcida e cobranças por resultados, John Textor voltou a se manifestar publicamente sobre o momento do Botafogo. Em entrevista ao canal Arena Alvinegra, neste sábado, o acionista majoritário da SAF abordou as recentes saídas do elenco, defendeu o modelo de jogo do técnico Martín Anselmi e pediu apoio aos jogadores em um cenário que ainda exige ajustes esportivos e administrativos.
O discurso ocorre em um contexto sensível, com transfer ban em vigor, elenco reformulado e desconfiança crescente nas arquibancadas, o que amplia o peso das declarações do empresário norte-americano.

Saídas do elenco e mudança de perfil técnico
Sem citar nomes diretamente, Textor indicou que jogadores importantes negociados recentemente não se encaixavam na proposta de jogo implantada por Anselmi. A referência atinge, de forma indireta, atletas como Marlon Freitas e Savarino, que deixaram o clube no início da temporada.
Segundo o dirigente, a decisão não foi apenas financeira ou contratual, mas técnica, ligada a uma mudança clara de identidade em campo.
— Negociamos alguns jogadores importantes, ótimas pessoas, que queriam ir para outro lugar. Não é escravidão. Quando um jogador quer sair, ele pode ir. Mas jogadores que diminuem o ritmo não se encaixam num sistema de intensidade alta e pressão constante — afirmou.
Textor reforçou que o Botafogo busca um modelo de jogo mais agressivo, alinhado à ideia do treinador argentino, mesmo que isso implique abrir mão de nomes consolidados.
Confiança no elenco atual e no comando de Anselmi
Apesar das críticas externas e do momento instável, Textor afirmou estar satisfeito com o grupo montado para a temporada e reiterou confiança plena em Anselmi. Ao mesmo tempo, reconheceu que o elenco ainda está em construção.
— Gosto do nosso time agora. Gosto deste treinador. Ainda temos tempo para trazer mais jogadores. Não terminamos de construir essa equipe — disse.
O empresário também admitiu que os inícios de temporada têm sido problemáticos desde 2024, o que aumenta a pressão sobre a gestão e o planejamento esportivo.
— Peço desculpas por continuarmos tendo começos de ano complicados. Vamos tentar estabilizar isso no futuro — completou.
Cobrança por apoio da torcida em meio à queda de público
Outro ponto sensível abordado por Textor foi a relação com a torcida. O dirigente pediu apoio ao elenco e à comissão técnica, citando a queda média de público mesmo após campanhas relevantes no cenário continental.
— Fomos número um na América do Sul e, no ano seguinte, ficamos entre os cinco piores em média de público. Precisamos de um apoio melhor — afirmou.
A declaração dialoga diretamente com o momento atual, em que protestos têm sido direcionados à SAF, mas o clube tenta blindar o grupo em campo.
Presença prometida no Brasileirão e discurso de enfrentamento
Textor também afirmou que estará presente no Estádio Nilton Santos na estreia do Botafogo no Campeonato Brasileiro, na próxima quinta-feira, contra o Cruzeiro. Em tom de enfrentamento, disse estar preparado para as vaias e reforçou que não pretende se afastar do clube, mesmo sob pressão.
— Ser dono do Botafogo é um trabalho árduo. Estou preparado para isso. Podem me vaiar, não me importo. Amo o clube e estarei lá — declarou.





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