Em meio à crise institucional e ao transfer ban imposto pela Fifa, John Textor afirmou que vai quitar pessoalmente a dívida do Botafogo com o Atlanta United, referente à contratação de Thiago Almada, para viabilizar a liberação do clube no mercado. A declaração foi dada em entrevista à Botafogo TV.
Segundo o empresário norte-americano, a demora nas definições internas e o impasse com a Ares Management o levaram a assumir a responsabilidade direta pelo pagamento, como forma de acelerar o fim da punição.
— Eu queria anunciar isso antes do jogo, mas como as coisas estão demorando com a Ares, disse ao clube associativo que farei um investimento pessoal no valor necessário para quitar o Atlanta United. Vou bancar isso pessoalmente para encerrar o transfer ban — afirmou Textor.
O dono da SAF disse que aguarda apenas a aprovação formal do Botafogo associativo, mas acredita que a situação será resolvida em até poucos dias. A quitação permitiria ao clube registrar reforços já contratados.
Aporte de US$ 50 milhões envolve GDA Luma e Hutton Capital
Textor também detalhou quem são os grupos envolvidos no aporte de US$ 50 milhões prometido para reforçar o caixa do Botafogo. Segundo ele, os investidores são a GDA Luma Capital e a Hutton Capital, além de outros nomes que preferiram não ser divulgados.
A GDA Luma é liderada por Gabriel de Alba, investidor com atuação internacional e histórico em reestruturações financeiras. Já a Hutton, segundo Textor, mantém relação antiga com ele em outros negócios.
— A GDA Luma atua com crédito e equity. A Hutton me apoiou no passado em outros projetos. São pessoas que querem estar no estádio, entender o clube e viver a paixão do projeto — disse.
De acordo com o empresário, parte do investimento seria usada como capital de giro, enquanto outra parcela serviria para comprar a posição da Ares na Eagle Football, transformando os novos parceiros em credores e acionistas da holding.
Estrutura do negócio gera ruído interno e reação judicial
Textor admitiu que a estrutura do aporte foi desenhada de forma rígida, com garantias para os investidores, o que acabou gerando desconfiança interna e reação do clube associativo, que recorreu à Justiça.
— Quando esses termos vazam fora de contexto, soam mal. Talvez alguém de dentro não tenha gostado. O clube associativo não entendeu completamente e buscou o tribunal. As coisas aconteceram rápido demais — explicou.
A Justiça do Rio, vale lembrar, proibiu temporariamente a venda de jogadores, o que impactou diretamente os planos de captação de recursos da SAF.
Textor fala em “guerra” com a Ares e reafirma controle da Eagle
Ao abordar o conflito com a Ares Management, Textor foi direto ao afirmar que vive uma disputa aberta pelo controle da Eagle Football Holdings, com reflexos diretos no Botafogo.
— Estou em guerra com a Ares na França. Eles sabem que o Botafogo é o clube que eu amo e usam isso como pressão — declarou.
O empresário negou ter perdido o comando da holding e afirmou seguir como presidente da Eagle, além de diretor único das empresas intermediárias do grupo, citando registros oficiais no Reino Unido.
— Tudo o que foi dito sobre me afastarem não procede. Sou o único diretor da Eagle Bidco. Essa batalha vai continuar, mas há uma decisão judicial que protege a todos nós — completou.
Relação com o associativo e próximos passos
Textor reconheceu ruídos na relação com o Botafogo associativo, mas afirmou que pretende dialogar diretamente com o presidente João Paulo Magalhães Lins para esclarecer os próximos passos da SAF.
— Nem sempre nos entendemos, mas quero sentar, conversar e explicar melhor o que estamos tentando fazer — concluiu.













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