Assim como no Botafogo, John Textor virou alvo da torcida organizada do Lyon, na França. Principal grupo organizado do clube, os Bad Gones divulgaram um comunicado oficial se posicionando de forma contrária à presença do ex-presidente do clube na Assembleia Geral marcada para esta quarta-feira, no Groupama Stadium.
Mesmo fora da presidência desde 2025, Textor segue como acionista do Lyon por meio da Eagle Football Holdings, holding que controla o clube. A condição lhe garante direito estatutário de participação no encontro, mas a reação da torcida organizada transformou o evento em um foco de tensão institucional.
Comunicado expõe ruptura entre torcida e grupo controlador
No texto publicado pelos Bad Gones, o tom é de ruptura definitiva com a figura de Textor e com a Eagle. O grupo atribui diretamente ao empresário a responsabilidade pela crise estrutural vivida pelo clube nos últimos anos.
“É dever e honra de cada acionista deixar claro que o lugar dele não é aqui”, afirmaram os torcedores no comunicado divulgado nesta terça-feira.
Em outro trecho, a torcida reforça a rejeição:
“Mesmo com o trabalho da atual diretoria em andamento para recolocar o clube nos trilhos, a ideia de ver aquele que quase afundou o nosso clube vir desfilar aqui é insuportável. John Textor e a Eagle devem permanecer o mais longe possível do nosso clube.”

Gestão Textor deixou passivo financeiro e risco esportivo extremo
Textor assumiu a presidência do Lyon em 2023, após se tornar acionista majoritário. O período foi marcado por desequilíbrio financeiro, instabilidade administrativa e enfraquecimento esportivo, levando o clube a um cenário extremo: a ameaça real de rebaixamento administrativo para a Ligue 2.
A punição só foi evitada após um acordo com a acionista Michele Kang, que apresentou garantias financeiras às autoridades do futebol francês, assumiu a presidência do clube e iniciou um processo de reorganização institucional e econômica.
Esse histórico é o pano de fundo da rejeição atual: a figura de Textor se tornou símbolo de uma gestão associada a risco estrutural, instabilidade e perda de credibilidade.
Assembleia Geral vira ponto de tensão política no clube
A Assembleia desta quarta, que deveria ter caráter administrativo, passou a representar um campo de disputa simbólica entre acionistas, torcida e antigos gestores. A simples possibilidade da presença de Textor gerou mobilização organizada e um discurso público de enfrentamento.
Mesmo fora da presidência, o empresário segue sendo um fator de instabilidade política no ambiente institucional do Lyon.
Contraste com o cenário brasileiro: Textor no Nilton Santos
Enquanto enfrenta rejeição aberta na França, Textor é esperado no Estádio Nilton Santos nesta quinta-feira, para a estreia do Botafogo contra o Cruzeiro.
No Brasil, sua figura ainda está associada à condição de acionista do clube e à estrutura da Eagle Football, enquanto na França ele se tornou um símbolo de crise administrativa e risco financeiro.





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