Idealizador da SAFiel, a SAF do Corinthians, Eduardo Salusse apresentou o projeto nesta terça, 28, e usou John Textor, acionista da SAF Botafogo, como exemplo a não ser seguido (assista ao vídeo abaixo).
— Uma SAF de dono tem uma série de problemas potenciais. Primeiro, ele é dono, faz o que ele quiser, pode definir o próprio destino. Tem pouca obrigação, compromisso de pedir opinião democrática de todos. Ele tem emoção, confunde com a razão. Ao passo que um gestor profissional ele não tem a emoção, ele está lá profissionalmente trabalhando. O dono pode revender a terceiros. “Ah, o Carlos quer comprar”, “Ah, o Carlos é um cara legal, vamos revender pra ele”. Ele compra ação e amanhã vende para uma pessoa que a gente sabe que é péssima, indesejada. Pode atrapalhar o Corinthians – iniciou para concluir:
— Uma pessoa que pode assumir o Corinthians pode ter outros negócios. Aconteceu no Botafogo, com Lyon. O Textor mandando dinheiro de lá pra cá, ou seja, há uma confusão que também pode atrapalhar o negócio. Então de fato não é um desejo do nosso projeto ter uma SAF de dono como os que aí estão. Lembrando que as SAFs que têm dado problema são as SAFs de dono, que criou uma imagem ruim e que a gente quer desfazer porque o nosso modelo está mais alinhado com a prática internacional. Real Madrid recentemente. 200 clubes da Europa, 90 e poucos deles têm estrutura empresarial e daí por diante – disse.
O Botafogo, de fato, vive uma disputa judicial entre Eagle e John Textor pelo controle da SAF. No último capítulo desta novela, a empresa apresentou petição judicial para sustentar que John Textor não tem capacidade de manter o controle do Glorioso.
A Eagle reiterou não ter acesso aos números da SAF Botafogo, mas entende que o momento é preocupante pelas falas recentes sobretudo do CEO Thairo Arruda, segundo o qual o clube depende de aporte financeiro para 2026.
Série de contradições
Na petição do último dia 20, a empresa listou uma série de contradições que evidenciam a falta de confiança em John Textor. A Eagle lembrou declarações do estadunidense à época no comando do Lyon.
Em uma conferência de imprensa de 16 de novembro de 2024, o Sr. Textor insistiu publicamente que “Nós [o Lyon] não seremos rebaixados, não há nenhuma chance. Eu sei que nossa situação fazem alguns serem céticos”.

Em 24 de junho de 2024, o Sr. Textor assegurou ao público repetidamente de que o Lyon estava em condições financeiras fortes. Ele disse que “graças às contribuições de capital dos nossos acionistas e à venda do Crystal Palace, nossa posição de caixa melhorou consideravelmente e temos recursos mais do que suficientes” para atender aos requisitos regulatórios
Mais tarde naquele dia, a DNCG anunciou o rebaixamento do Lyon à 2ª divisão de futebol francesa. Isso porque havia preocupações com uma dívida de quase R$ 3,5 bilhões – aproximadamente 540 milhões de euros – e falta de transparência financeira;
Em uma entrevista subsequente em 28 de junho, o Sr. Textor insistiu. “Nunca estivemos tão líquidos em caixa”, enquanto culpava os reguladores franceses e conflitos internos.
Falta de apoio financeiro
Segundo o “ge”, a Eagle afirma ainda que “o processo de reversão do rebaixamento contou com injeção financeira emergencial dos acionistas, mas o único que não contribuiu foi Textor.”
– Além disso (…) não há dúvidas de que o Sr. Textor — que continua a usar e abusar do cargo de administrador da SAF Botafogo — jamais poderia e não pode continuar a interferir diretamente na contratação, negociação ou aprovação da transferência de bens, ativos e recursos financeiros da Companhia para veículos de sua propriedade, com o intuito de privilegiar interesses emulativos – aponta ainda o documento.






Comentários