O Olympique Lyonnais enfrenta uma ação judicial de US$ 63 milhões em Londres, ligada à negociação do atacante brasileiro Igor Jesus, ex-Botafogo.
A cobrança foi movida pela PRPF LLC, subsidiária da MC Credit Partners, que exige US$ 43,1 milhões de dívida principal, além de US$ 6,5 milhões em taxas por inadimplência e juros que chegam a 10% ao mês, segundo documentos obtidos pela Bloomberg.
💼 Estrutura multiclubes no centro da disputa
O caso envolve diretamente o Botafogo, já que a transferência foi realizada entre clubes que fazem parte da Eagle Football Holdings, controlada por John Textor.
Segundo a ação, Botafogo e Lyon firmaram acordo em outubro de 2024 por € 35 milhões, divididos em parcelas. No entanto, o clube francês não pagou a primeira parte, vencida poucos dias após a assinatura.
Para antecipar o recebível, o Botafogo recorreu à PRPF em uma operação de factoring, transferindo ao fundo o direito de receber os valores. O Lyon, inclusive, reconheceu que deveria pagar diretamente à empresa, mas não cumpriu o acordo reestruturado.
⚖️ Inadimplência e risco sistêmico
O contrato foi renegociado em dezembro de 2024, prevendo pagamento de US$ 43,1 milhões em três parcelas anuais até 2027. Ainda assim, a primeira parcela, vencida em novembro, não foi quitada, nem regularizada dentro do prazo de carência.
A disputa evidencia um problema crescente no futebol moderno: o uso de jogadores como ativos financeiros dentro de estruturas multiclubes, o que aumenta o risco para credores.
— “Um calote dessa magnitude fará credores repensarem esse mercado”, alertou Philip Scott, especialista em direito financeiro.
📉 Pressão sobre o Lyon aumenta
O imbróglio surge em um momento delicado para o Lyon, que já enfrentava risco de rebaixamento por problemas financeiros. A gestão do clube passou por mudanças recentes, com Michele Kang assumindo a presidência.
Além disso, a própria Eagle Football já vive tensões com credores, como a Ares Management, após sucessivas perdas.
🔄 Transferência frustrada e desfecho
Inicialmente, Igor Jesus seria integrado ao elenco do Lyon, mas a transferência foi barrada pelo regulador francês devido a sanções ao clube. Posteriormente, o atacante acabou negociado com o Nottingham Forest.
Agora, com a inadimplência confirmada, a PRPF busca recuperar o valor total na Justiça, ampliando um caso que já ultrapassa o âmbito esportivo e expõe fragilidades estruturais no modelo financeiro do grupo de clubes.













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