Afastado do comando da SAF do Botafogo pela Arbitragem da FGV, John Textor não saiu de cena. Pelo contrário. O empresário norte-americano prepara um novo plano para tentar reassumir protagonismo no clube — agora com aval do associativo, que passou a concentrar o poder de decisão após a perda dos direitos políticos da Eagle Bidco, determinada pela Justiça.
A informação foi detalhada pelo jornalista Bernardo Gentile, no canal “Arena Alvinegra”. Segundo ele, Textor trabalha em um projeto reformulado, batizado nos bastidores como “Eagle 2.0”.
— A apuração do lado do Textor, de pessoas que estão bem relacionadas com ele, é de cenário em aberto. Textor está na mesa de negociações e vai apresentar o plano dele. É dinheiro dele, garantem que é dinheiro dele, ele colocou um dos terrenos da ilha dele como garantia. É dinheiro novo que ele vai apresentar, são US$ 25 milhões e outros investidores dispostos a entrar, seja no Botafogo, seja na Eagle Cayman. Nesse caso, tem a entrada de novos clubes que ele vai querer comprar, e com isso outros investidores vão querer entrar… Talvez esses outros investidores não queiram entrar só no Botafogo, mas se ele tiver a Eagle Cayman com outros clubes… Ele quer montar esse projeto multiclubes Eagle Cayman em outro lugar e outros investidores talvez estejam interessados nesse projeto dele. Se tiver só o Botafogo, talvez eles não tenham o interesse – explicou Gentile.

Rede multiclubes
A ideia central é reconstruir a lógica de rede multiclubes, mas sob uma nova estrutura. E com capital fresco.
— É isso que ele vai apresentar ao social, que é quem vai decidir. E esses outros investidores viriam com dinheiro pesado, e aí ele estaria de novo capitalizado para fazer o que ele acredita. Esse é o projeto que ele acredita, que ele quer e que ele vai apresentar, um projeto Eagle 2.0, Eagle Cayman, Eagle com possíveis novos interessados, entre eles pessoas que já foram, por exemplo, parceiras de longa data na FuboTV, que foi a empresa dele que mais deu certo e com a qual ele mais ganhou dinheiro – completou.
Mas o cenário não é mais o mesmo. E isso pesa.
Gestão descentralizada
Internamente, a leitura é de que, mesmo em caso de retorno, Textor não teria mais uma gestão centralizadora como no modelo anterior. A configuração mudou — dentro e fora da SAF.
— Mesmo que o Botafogo embarque nessa de Eagle Cayman, Eagle 2.0, que seria a manutenção, de alguma forma, do Textor, o que se escuta na SAF Botafogo, e agora estou falando de pessoas que trabalham na SAF, é que essa gestão personalista, centralizadora, em que ele é o macacão da bola azul, que manda em tudo, decide o que acontece e o que não acontece, não deve mais acontecer. Ele era sócio majoritário aqui, não tinha ninguém para bater de frente, agora teria. Mesmo que seja a GDA, por exemplo. O social precisa aprovar a entrada dele. Para o social aprovar a entrada dele, tem poder de barganha. Pode barganhar, por exemplo, uma participação maior nas decisões da Eagle Cayman, pelo menos no que refere ao Botafogo. O social poderia ter um poder de veto, por exemplo. E além de tudo, por estar em recuperação judicial, existe ainda o papel obrigatório do interventor judicial – detalhou.
Nos bastidores do Alvinegro, há uma ala que rejeita qualquer reaproximação com Textor. Outra, mais pragmática, não descarta o retorno — especialmente diante da necessidade de capital imediato e da escassez de alternativas no curto prazo.











Comentários