Ex-presidente do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro revelou bastidores da disputa pelo controle da SAF Botafogo. Em entrevista exclusiva aos “Donos da Bola”, da Band, o ex-mandatário fez graves denúncias contra John Textor, controlador afastado da empresa.
– Filme de terror. E há um ano ele ficou falando que ia trazer dinheiro. Um ano. Chegou a mostrar a casa dele, a ilha dele, as taças e tal. E há um ano a gente só recebeu transfer ban. Tem mais oito na fila. Não pagou ninguém. Ele conseguiu, através da mentira, recolocar o social como se tivesse sido culpado… Ele assinou um empréstimo de US$ 25 milhões tendo que pagar em 40 dias esse empréstimo. Se não pagasse, sabendo que não tem dinheiro, pagaria US$ 50 milhões. O dobro, em 40 dias. E ele coloca que o social impediu isso. Graças a Deus o Social impediu isso. Graças a Deus o João Paulo Magalhães Lins impediu isso. E aí ele ficou com raiva do João Paulo – iniciou Montenegro.
– Vamos falar uma coisa hoje aqui no seu programa? Poucas pessoas sabem. Ele ameaçou o João Paulo de cassar o visto dele americano no passaporte para ele entrar nos Estados Unidos, dizendo que conhecia pessoas da imigração, pessoas do governo americano. Começou o ameaçando e depois a família dele se ele não assinasse esse empréstimo que passava de 25 para 50 milhões de dólares. Além de isso ser sério, mostra covardia. Ele aí diz que o Botafogo social não aceitou esse empréstimo. E foi culpa do Botafogo não ter pago o transfer ban que ele não pagou há três anos atrás. Ele não paga jogador há três anos. Então, aí ele teve um lado do caráter dele muito ruim. Da covardia e da ameaça – declarou.
– E o João Paulo, com muita dignidade, virou as costas para ele, se levantou e falou, “Textor, eu sou Botafogo. Eu não assino isso, você pode fazer o que você quiser comigo”. Esse é o caráter do presidente social que nós temos hoje. Então, muita gente fala, “mas você preferia aquela época de falência aos títulos?”. Cara, não tem nada mais importante que o caráter e a dignidade de uma pessoa. Aí, passa a ser chantagem ou qualquer outra coisa mexendo lá no país dele. Ameaça.
– Há 130 anos o Botafogo existe. O Botafogo não ganhou a Libertadores antes porque a Libertadores era um torneio falido na América Latina. A televisão não tinha interesse. O que ela tinha interesse era ver os maiores times do mundo jogando em torneios quadrangulares. Na Colômbia, na Venezuela, na Espanha, em Portugal, na Itália. O Botafogo jogava com o Milan, com o Benfica, com o Ajax, o Botafogo e o Santos. Eram convidados sempre. Ganhavam muito dinheiro e sobreviviam com isso. Naquela época não existia televisão. Se o Botafogo, com Garrincha, Didi, Quarentinha, Amarildo, Zagallo jogasse a Libertadores, ele teria já sido campeão da Libertadores. Como o Santos foi – argumentou.
– Eu fico confuso. Eu não sei qual é a marca do Textor que fica na minha cabeça. Se é ele tremulando bandeira quando a gente foi campeão em 2024 ou ele fazendo essa chantagem e mandando todo o dinheiro do Botafogo pro Lyon. Ele não é mais Botafogo que eu. Eu sou Botafogo há 70 anos. Ele é Botafogo há quatro anos. Ele podia guardar um pouquinho de dinheiro. Podia, pelo menos, não deixar a gente passar vergonha de ficar recebendo transfer ban toda semana. Ele podia ter um pouco de dignidade. E ele nunca assumiu um erro. O erro é do CEO, o erro é do financeiro, o erro é do social. Agora o erro é do Lyon. O Lyon é que não quis ele. E todos os sócios dele acabam com raiva dele – encerrou.





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