Presidente do Botafogo Social, João Paulo Magalhães detalhou a disputa pela SAF e criticou John Textor, afastado do controle da empresa desde abril.
– Eu acho que o descontentamento com o John Textor é do associativo com ele, não é o contrário. Ele não tem que estar descontente com a gente. Ele teve 11 meses para tentar fazer um acordo com os sócios dele, com quem ele brigou. Não conseguiu, ele falhou. E ele não pode levar o Botafogo para a lama – disse João Paulo, em entrevista à “ESPN”.
– Eu lamento muito tudo isso que tem acontecido. Não tenho nada contra a pessoa física do John Textor, acho ele um camarada muito gentil, cortês com todo mundo, mas ele teve falhas muito significativas como gestor de futebol e prejudicou muito o Botafogo. As pessoas não têm ideia do cenário que o Botafogo se encontra hoje – continuou.
– Ele dizer que está chateado é uma piada, a gente é que está chateado com ele. O botafoguense é que está sangrando com inúmeros transfer bans, muitos compromissos sem serem cumpridos. Acho que nós vamos trabalhar todos unidos, todos os botafoguenses de mãos dadas, vamos apoiar agora a SAF, num novo momento, para que o Botafogo se recupere e volte a disputar todos os títulos de qualquer campeonato que venha a participar – concluiu.
Sem Textor, o Botafogo assinou contrato vinculante com a GDA Luma Capital na última sexta, 5.
Depois da conclusão das negociações com o Lyon, Botafogo, GDA Luma e Cork Gully deverão finalizar o chamado acordo global da operação.
Esse documento será responsável por formalizar a transferência dos 90% das ações da SAF atualmente vinculadas à estrutura administrada pela Eagle/Ares para o fundo comandado por Gabriel de Alba.
Com isso, a GDA assumirá oficialmente o controle do futebol alvinegro.
Primeiro aporte pode chegar na próxima semana
Nos bastidores, o Botafogo já trabalha com a expectativa de receber o primeiro investimento da nova controladora em curto prazo.
O aporte inicial previsto é de US$ 25 milhões, valor que corresponde a aproximadamente R$ 140 milhões na cotação atual.
Os recursos deverão ser utilizados para cobrir despesas consideradas prioritárias, incluindo compromissos operacionais e obrigações financeiras mais urgentes da SAF.
A expectativa no clube é de que o valor seja depositado já na próxima semana, desde que as etapas finais da operação sejam concluídas dentro do cronograma planejado.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.










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