O Botafogo mantém três personagens oficiais dedicados a representar a torcida em momentos distintos da história do clube. Cada figura tem origem própria, público específico e função na comunicação institucional do clube. A permanência simultânea de três identidades visuais levanta uma questão direta: por que um clube de futebol sustenta personagens com nomes próprios, histórias documentadas e papéis delimitados?
Quando um personagem assume o rosto de uma identidade
Para entender por que personagens assumem o rosto de marcas e instituições, vale olhar para um dos exemplos mais antigos da publicidade. No final do século XIX, a empresa francesa Michelin percebeu que uma pilha de pneus lembrava a silhueta de um corpo humano e transformou a observação em um personagem batizado de Bibendum, com braços, pernas e expressão facial montados a partir de camadas de borracha branca. A silhueta redonda permite identificar a marca antes da leitura do nome Michelin, e essa fórmula atravessou o século sem perder função.
Esse mesmo padrão continua a aparecer em produtos bem mais recentes também. É o caso de jogos online, por exemplo, que constroem toda a sua identidade visual em torno de um único personagem central. No jogo Fortune Tiger online, por exemplo, essa lógica aparece na figura de um tigre dourado posicionado no centro da composição, cercado por elementos de temática oriental: tons de vermelho e dourado, padrões gráficos e símbolos associados à cultura chinesa se repetem na interface e nas animações, o que torna o tigre reconhecível independentemente de onde aparece.
Um rosto gruda na memória. É por isso que marcas e instituições apostam em personagens: a figura vira a cara daquilo que ela representa, e essa mesma lógica atravessa o esporte quando um clube decide fazer o mesmo. No Botafogo, isso começou em 1948, com Biriba.
A origem do trio alvinegro
Em 1948, o zagueiro Macaé encontrou um cão nas ruas e o levou à sede do clube. O então presidente Carlito Rocha, adepto de superstições, adotou o animal como talismã do time. Batizado de Biriba, o cão acompanhou a equipe durante a campanha do Campeonato Carioca de 1948, encerrada com 17 vitórias e dois empates. O clube preservou a memória do episódio como personagem oficial, mantendo viva a ligação entre a torcida e o título conquistado naquele ano.
Décadas depois, o clube ampliou o grupo com um segundo personagem: Bira, apresentado em 2022 para animar a torcida nos jogos e carregar a referência da Estrela Solitária, símbolo histórico ligado ao escudo do Botafogo. O projeto partiu do departamento de marketing do clube, direcionado a reforçar a presença visual da torcida nas arquibancadas.
Três anos depois, o clube apresentou Bibi, em outubro de 2025, ampliando novamente o grupo de figuras oficiais. A personagem passou a acompanhar jogos do time feminino ao longo de 2026, presente nas arquibancadas do Estádio Nilton Santos durante partidas do Campeonato Brasileiro.
Mascotes precisam de histórias próprias
O clube já estende as aparições de Biriba e Bibi para além dos jogos: uma coleção de produtos com a dupla estampada em camisetas e moletons chegou às lojas oficiais do Botafogo. Obviamente, o reconhecimento de um personagem depende da continuidade das aparições em situações que acrescentem conteúdo novo à trajetória institucional do clube.
Ao manter as três figuras ativas simultaneamente, isso acaba permitindo ao Botafogo cobrir públicos e contextos distintos sem depender de um único símbolo para tudo. Além disso, o Botafogo consegue preservar em cada um dos três mascotes uma parte da história gloriosa do clube.











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