Barroca revela bastidores da saída do Botafogo: ‘Nunca vi aquilo’

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Botafogo Internacional Barroca
Foto: Vitor Silva/Botafogo.

Na última temporada, o fantasma do rebaixamento assustou o Botafogo até o final do Brasileiro. O alívio da permanência só foi sacramentado nas rodadas finais da competição. Um dos responsáveis pela permanência do Botafogo na elite do Brasileiro foi Eduardo Barroca, que deixou a equipe na 12ª posição com 27 pontos — mais da metade do total conquistado. O Alvinegro terminou em 15º lugar, com 43 pontos.

Apesar da marca conquistada, Barroca foi demitido do Botafogo após a derrota para o Fluminense por 1 a 0, no Nilton Santos. Em live no Canal do TF, parceiro do Fogo Na Rede, nesta quarta, 22, o ex-treinador do Alvinegro revelou bastidores da demissão.

— Já sabia que se a gente não vencesse o Fluminense, o trabalho seria interrompido. Terminou o jogo, tomei o banho e aguardei os diretores na minha sala. Até que os jogadores, ainda com a roupa do jogo, entraram na minha sala e perguntaram: ‘você ainda acredita na gente?’ Eu disse que sim. Eles me disseram que se eu acreditasse, ninguém ia me tirar do Botafogo – revelou Barroca.

Derrota para o Fluminense foi a última partida de Barroca no comando do Botafogo. Foto: Vítor Silva / Botafogo

Saída consensual

— O Anderson Barros entrou na sala junto com o Gustavo (Noronha) e os jogadores afirmaram que fariam um pronunciamento em minha defesa. Eu pedi que eles voltassem ao vestiário e depois conversaria com eles. Chegamos ao consenso de que a minha saída seria importante para diminuir a pressão externa até que os próprios atletas e o próprio Anderson (Barros) estavam sofrendo. Conversei com os jogadores para explicar. Eles tiveram uma atitude muito bonita, não muito comum em futebol. Nunca tinha visto aquilo – garante.

Entusiasta do bom futebol, Barroca lembrou as críticas da imprensa sobre o que se convencionou chamar de ‘posse de bola improdutiva‘ do Botafogo, sobretudo no empate sem gols contra o Cruzeiro, pela 10ª rodada do Brasileiro.

— A partida contra o Cruzeiro é emblemática. Quando você joga com as equipes do Mano, que tem como característica jogar de duas linhas de quatro e explorar seu erro, não dá para sair de peito aberto. Certamente a gente fez uma partida muito ruim no aspecto ofensivo. Mas foi um jogo que a gente se defendeu com a bola no pé. O Mano não sai de qualquer forma. O Cruzeiro estava jogando pressionado. Estávamos em sétimo. Então não fazia sentido atacar de qualquer jogo sabendo que a equipe dele joga no erro. Tenho um puta arrependimento do jogo contra o Goiás, que fiz todas as alterações para ganhar o jogo e acabei perdendo. Contra o Cruzeiro foi responsabilidade minha.

Veja mais tópicos da entrevista:

Queda de rendimento no Botafogo

— Procuro que o ambiente que esteja seja agradável para mim como cidadão. Muita gente fica presa à posse de bola. Prezo muito por segurança e confiança. No Botafogo, perdemos peças importantes como Erik. A expectativa que se criou do início que tivemos no Brasileiro acabou não sendo adequada à realidade que vivíamos. A nossa capacidade de decisão em relação a gols passou a ser basicamente a Diego Souza e Alex Santana. Sofremos muito para aliar performance com resultado.

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Perda do Biro Biro

— Pesou muito. Ele estava num processo de evolução, ele tinha um repertório muito grande, jogador de ataque às costas, velocidade. A característica que o Erik tinha.

Posse de bola improdutiva

— A partida contra o Cruzeiro é emblemática. Quando você joga com as equipes do Mando, que tem como característica jogar de duas linhas de quatro… a gente fez uma partida muito ruim no aspecto ofensivo. Mas foi um jogo que a gente se defendeu com a bola no pé. O Mano não sai de qualquer forma. O Cruzeiro estava jogando pressionado. Estávamos em sétimo. Então não fazia sentido atacar de qualquer jogo sabendo que a equipe dele joga no erro. Tenho um puta arrependimento do jogo contra o Goiás, que fiz todas as alterações para ganhar o jogo e acabei perdendo. Contra o Cruzeiro foi responsabilidade minha.

Flávio Tênius

— É tido como principal preparador de goleiros do futebol brasileiro. Certamente disparado do segundo. Formou goleiros como Júlio César, Jefferson. Tem uma história no Botafogo muito bonita. A esposa dele foi atleta de nível internacional no Botafogo.

Bochecha

— O que ele fez em 2016, por exemplo, eu nunca vi, com a minha experiência, um jogador de base fazer. A temporada dele foi espetacular, tanto que ele subiu para o profissional naquele momento. O Gustavo é um jogador com uma capacidade técnica acima da curva, de jogar pressionado. Evidente que ele precisa se desenvolver em outras coisas.

Esconder escalação ganha jogo?

— Quem trabalha da forma correta não precisa esconder nada. Por isso, quando cheguei ao Botafogo, perguntei se alguém era contrário a abrir todos os treinamentos, porque pra mim, aquilo era uma proteção a todos nós que trabalhávamos da forma correta. Para que a imprensa pudesse analisar o trabalho e fazer críticas justas. Foi uma decisão simples. Não acredito nessa história de esconder escalação. Acredito em jogo de imposição. O que faz uma equipe ganhar da outra é uma ideia se sobrepor à outra.

Renha

— Uma das pessoas mais honestas que já conheci. Sempre coerente, criterioso. Pensa no Botafogo em primeiro lugar. Levo para minha vida.

Por que Victor Lindenberg não deu certo no Botafogo?

— Victor Linbenderg, em 2016, deu 27 assistências para gol. Jogador de bola parada muito boa. É um jogador que foi bem no Paysandu. Agora, quando retornei ao Botafogo, pedi o retorno dele. Mas acabou que ele voltou e foi emprestado ao Santa Cruz. Infelizmente faltou espaço. É comum de acontecer.

Estrutura do Botafogo

— Uma dificuldade que tínhamos no Nilton Santos era não ter dois campos para trabalhos com grupos diferentes. Isso era um fator limitante. A distância da academia para o campo, por exemplo, é também um fator limitante. Muitas vezes precisávamos fazer treino no campo principal porque o anexo não estava em condições ideais.

Fernando

— É um jogador que vem de uma família estruturada. Certamente precisa se desenvolver tecnicamente, ganhar experiência. Mas se você pegar os números com Fernando em campo na minha passagem foram expressivos. Ele dá uma consistência defensiva e tem consciência de que precisa melhorar. Ele é sério para caramba.

Marcinho

— Força mental acima da média, sobretudo com pressão externa, lesão e conseguir ir à Seleção. Ele é resiliente. Quando ele está mal, ele não deixa de tentar. É corajoso. Admiro e respeito demais ele.

Cícero e Diego Souza

— Não faltou peito em hipótese alguma. A responsabilidade das escolhas eram totalmente minhas. Ninguém mais do que eu precisava de resultados. Então, se tudo desse errado, eu poderia comprometer uma carreira. Foram 19 anos tentando buscar um espaço. Eu sempre entendi muito claramente as críticas dos torcedores. Em vários momentos, inclusive, as críticas eram justas pelo Diego Souza e Cícero. Mas pensar em troca, não é de repente pegar um jogador que você não quer e tirar. Você precisa ver se a peça que vai entrar vai te dar o que você precisa. O Diego, por exemplo, nós não tínhamos opção. Pedi Leandro Damião, Wellington Paulista ou Roger. O Clube não tinha condições. Tanto que incorporei o Tanque.

Barroca deixou o Botafogo após 27 jogos e 10 vitórias. Foto: Vitor Silva/Botafogo.

— O Diego e o Cícero muitas vezes não jogaram no nível que eu queria, mas precisava ter uma peça que me desse segurança. Usei Victor Rangel e Tanque e não corresponderam. O Diego foi decisivo em pelo menos 15 pontos nossos. Pensando no Cícero, a mesma coisa. Além da experiência, bola aérea, liderança, ele fez gol contra o Bahia, Flamengo, Sol de América e CSA. Ele é decisivo em bola parada. Entendo o torcedor, as críticas. A questão de mantê-los foi única e exclusivamente minha. Ninguém mais do que eu tinha necessidade de resultados para permanecer no Botafogo.

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Efeito dos salários atrasados

— No meu segundo dia de treinador do Botafogo, houve invasão da torcida organizada para conversar com cinco jogadores. E aí eu juntei os jogadores e combinei que só eu iria falar com eles. Quando cheguei na sala, os torcedores pediram para eu sair. Me recusei, porque a responsabilidade era minha. Durante todo o período que estive no Botafogo, os jogadores foram exemplares com relação a treinamentos e jogos. Inclusive, os jogadores pediram que eu fosse o corregedor dele de treinamento. O salário atrasado, sem dúvida, causa foco divido. Quando você não tem foco, naturalmente você não trabalha na sua plenitude. O salário compromete isso. O que estava claro é que no Botafogo as coisas não aconteciam com intenção. Era tudo às claras.

Corpo mole

— Nunca houve. Até porque, se houvesse, certamente eu seria o primeiro a retirar o jogador, porque eu precisava muito que o trabalho desse certo para continuá-lo. Ali estava minha vida, a minha melhor oportunidade. Em um clube que eu tenho um enorme carinho, gratidão.

Luis Henrique

— Foi um jogador que não trabalhei diretamente. Estava jogando no Sub-20. Então não tinha referências concretas de trabalho com ele. Fui assistir Botafogo x São Paulo na base, mas o Luis não foi tão bem na partida. Levei o Luis para treinar no profissional algumas vezes, mas entendi que ele ainda não me daria uma segurança. Entendi, portanto, que o Lucas Campos naquele momento estaria à frente dele.

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Sobre Diego Mesquita 1552 Artigos
Botafoguense, 36 anos. Formado em Jornalismo pela FACHA (RJ), trabalhou como assessor de imprensa do Botafogo F.R em 2010. Hoje, é setorista independente.

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