Carlos Eduardo Pereira não crê em Obi Mikel no Botafogo: ‘Não cogitaria’

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Carlos Eduardo Pereira Botafogo Obi Mikel
Foto: Vítor Silva / Botafogo

O vice-presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, disse que, após a contratação de Honda, não acredita na contratação de Obi Mikel ou Yaya Touré. Em live no Canal do Nicola, o dirigente afirmou que a prioridade do Clube deve ser pagar salários.

— É assunto do comitê. Depois do Honda, não deve haver nenhuma contratação desse montante não. A prioridade deve ser pagamento de salário, recolhimento de impostos. Eu não cogitaria contratação de grande porte. Para mim, nem Yaya Touré nem Obi Mikel.

Obi Mikel Botafogo
Para Carlos Eduardo Pereira, Botafogo não deve contratar Obi Mikel. Paul Gilham/Getty Images

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Início da gestão

— A primeira noite da gestão já foi de ficar impressionado, porque nós ganhamos a primeira urna. Eram quatro urnas na eleição. Perdemos na segunda. Aí ganhamos a terceira. Minha mulher olhou da varanda para dentro de onde era feito a apuração com o sinal de que eu ia ganhar. Então caiu minha ficha. Tomamos posse a 1h30 da manhã daquele mesmo dia, com todas as contas bloqueadas. Não tínhamos sequer time para treinar. Depois da contratação do Renê Simões, pensamos num diretor técnico. Foi quando surgiu o nome do Antônio Lopes. Pensei que ele não fosse aceitar. Para minha surpresa, ele encarou o desafio. Foi a maior amizade que fiz no futebol.

Impacto da pandemia

— A diferença entre funcionar e a asfixia. O Botafogo, infelizmente, tem um perfil de receita que é extremamente calcado nos contratos da TV. Os contratos de patrocínio nós temos poucos. Tivemos a questão do Azeite Royal que acabou rompendo com todos os outros clubes. Era nosso patrociandor master. Com isso, ficou concentrado na TV. A Globo já deixou claro que não vai pagar a última parcela do Carioca, provavelmente também não a primeira do Brasileiro. Isso é grave para o Clube.

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Dependência da TV

— Continua na mesma dependência do que era quando entramos no clube. Algo em torno de 70%, 80%.

Maior salário do Botafogo

— Acredito que seja o Joel Carli.

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Carli, Cícero e Bochecha fora dos planos

— As coisas foram muito mal conduzidas na gestão do Anderson Barros. Não tenho a menor dúvida disso. Inclusive, quando o Nelson assumiu e colocou o Gustavo Noronha para tocar o departamento de futebol, houve uma reunião no meu escritório, inclusive. Ali, eles aceitaram a saída do Jair Ventura. Ele levou o preparador físico, nosso melhor analista de desempenho. Eu alertei que havíamos perdido o melhor do nosso departamento. A memória está indo toda embora. Entregaram ao Anderson (Barros) uma carta branca para fazer as contratações e infelizmente não teve sucesso. A questão do salário foi agravada também em função das cotas de TV. Tivemos problemas nas escolhas dos jogadores. A mudança de pagamento da TV foi determinante para os atrasos.

Nova divisão de cotas de TV

— A emissora (Globo) infelizmente ajudou a criar a disparidade entre os Clubes. Com relação ao Botafogo foram quase 500 milhões de diferença em cinco anos. Fica muito difícil concorrer com uma disparidade dessa.

Anderson Barros

— Ele não teve a maior culpa. A maior culpa foi a carta branca dada a ele. A direção do Botafogo foi a maior culpada. Porque eram basicamente pessoas que não tinham grande conhecimento do futebol e aceitavam negociações que quando você olha agora, é de horrorizar. Como foi o caso do Diego Souza, que você tinha renovação garantida caso ninguém se interessasse. Tinha o caso do Cícero, do Zé Gatinha. Aquilo foi uma piada de extremo mal gosto.

Botafogo S/A

— Nossa luta está muito centrada em 2020. O grande objetivo é seguir trabalhando para as coisas melhorarem. Pôr a Botafogo S/A para dar essa vanguarda ao Clube. Isso é importante. O trabalho é consistente, de grande profundidade. É o nosso principal objetivo. É a nossa prioridade.

— Operação complexa. Envolve etapas que são importantes e quase que sequenciais. Elas demandam um êxito inicial. Demanda que cada etapa tenha êxito para seguir adiante. Mas de um modo geral, você precisa ter fundos regularizados na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), porque você não consegue captar esses recursos se não tiver autorização da CVM. Para isso, você tem que dar entrada com toda a papelada do Clube.

Objetivos do Botafogo no Brasileiro

— É preciso saber que tipo de campeonato teremos. Quantas datas. Eu adoraria um Brasileiro mata-mata. Acho que esse negócio de pontos corridos não daria certo este ano. É um momento de crise. O mata-mata é uma forma de levantar dinheiro, dar audiência, enfim. Não sei como vai ser nem quando vai começar. Então a expectativa tem que ser a partir daí. O Paulo Autuori é uma pessoa extraordinária, tenho por eles os maiores elogios.

Retorno à presidência

— Nossa prioridade hoje é a S/A. Transformar o futebol do Botafogo em algo profissional, com grandes investidores. A partir daí, cuidar da nossa sala de troféus, do salão nobre. Eu vou continuar a ser sócio. Não faço questão de voltar. Precisamos preparar uma nova geração de dirigentes sem a pressão do futebol. A pressão é terrível.

Participação de Felipe Neto no Botafogo

— Grande torcedor. Se mobiliza nos momentos de necessidade do Clube. Ele também tem uma vida extremamente atribulada. É um youtuber de imensa visibilidade. É o maior do Brasil, quiçá do mundo. É um botafoguense apaixonado. Admiro muito quem não renega o seu amor ao Botafogo.

Neilton

— Ele teve uma passagem conosco muito boa. Em 2016, aquela nossa retomada no Brasileiro, com Camilo e com ele, a gente bateu o Internacional em Porto Alegre. Neilton fez gol. Rapaz ótimo. Enfim, acho que não está em negociações agora não. Mas a experiência pessoal que tive com ele foi muito boa. Gosto muito dele.

Folha do Botafogo na gestão CEP

— Cerca de R$ 3 milhões. Hoje está mais ou menos por aí.

Dívida do Botafogo

— Tem algumas variáveis que podem levar a R$ 1 bi, mas outras que podem desconsiderar. Porque há casos, por exemplo, como o da Odebrecht. É um caso bastante pesado, de um contrato de R$ 30 milhões. A dívida do Botafogo com a empresa está acima de R$ 40 milhões. Segundo alguns, foi um empréstimo. É algo muito confuso. A parte trabalhista deve ter algo em torno de R$ 160 milhões. A Fazenda Nacional também é um grande credor, na casa de R$ 250 milhões. Além disso, temos muita coisa pingada, em dívidas cíveis, que são quase que imprevisíveis. Essas que vão aparecendo, como Oswaldo de Oliveira.

Impressão de investidores em relação à dívida

— Para o mercado é uma oportunidade. Se você tiver dinheiro na mão, você baixa esse montante barbaramente. Quando você não tem dinheiro na mão, você só consegue prazo.

William Arão

— O Botafogo venceu o caso, mas não recebeu até hoje. O contrato do Arão prevê, sem dúvida, que é o “Simpático” que vai ter que pagar essa dívida.

Relação com Flamengo na sua gestão

— Não funcionava. A gente sempre entendeu que, ou haveria uma união entre os quatro grandes clubes ou ia ser difícil. E o Botafogo estava numa situação em que ele não tinha força para questionar quem o pagava. No caso, quem pagava era a Federação do Rio. O primeiro encontro que eu tive com Eduardo Bandeira, ele me entregou um documento contra a Federação. Não dava para fazer parceria com eles. Eles, Flamengo e Fluminense, começaram a guerra contra a Federação. Não dava para alinhar com eles. O Flamengo nunca teve agenda comum com outros clubes. Ele tem agenda própria. Depois tivemos problemas dele com depredação do nosso estádio, com torcedor morto. No começo da gestão do Nelson Mufarrej, eles começaram com a história de que iam fazer contrato de locação do Nilton Santos. E eu deixei claro que não ia acontecer nunca. E, de fato, eles estavam negociando o Maracanã.

Nilton Santos é bom negócio?

— Havia uma determinada situação quando nós assumirmos, que era a expectativa de ter o Maracanã menos utilizado. Exatamente pelo crescimento exponencial do público do Flamengo. Eles conseguiram dar uma dimensão de público às partidas jogadas ali que viabilizaram os custos do Maracanã. É indiscutível. É fundamental para qualquer grande estádio. E eles levaram o Fluminense junto. Como o Vasco tem São Januário, o Nilton Santos ficou como estádio exclusivo do Botafogo. Aliado a isso ao nosso momento, que nossas equipes não têm motivado a torcida, é difícil equilibrar.

— Tentamos profissionalizar a gestão do estádio com duas empresas, mas ambas declinaram, porque não viram alternativa. É um estádio caro para manter, deve estar hoje na casa de R$ 700 mil por mês. Não é um estádio econômico. Quando você precisa ligar o ar-condicionado, ele não liga por setores. Às vezes, numa partida contra o Macaé, por exemplo, você vai ter 8 mil pessoas, você tem que climatizar todo o estádio. Você tem o problema das ruas do entorno do estádio. São ruas estreitas. A insegurança no Rio também pesa. O Nilton Santos é um desafio.

Relação de Rodrigo Maia com Botafogo

— Rodrigo é um grande botafoguense. É uma pessoa que conheço há muitos anos. Ajudou muito o remo do Botafogo lá atrás, na época em que o Montenegro foi presidente. O Rodrigo Maia já estava lá ajudando o departamento de remo. Sou suspeito porque tenho admiração tanto pelo César Maia quanto pelo Rodrigo Maia. Tenho certeza que o Botafogo deve a eles muito. O César Maia é benemérito e tenho certeza que muito em breve o Rodrigo será também.

Seedorf tem chance de voltar como treinador do Botafogo?

— Ele é uma das dívidas ocultas. Ele apareceu cobrando mais de R$ 5 milhões porque parece que ele tinha um compromisso no contrato de o Botafogo pagar os compromissos de impostos dele. Parece que o fisco italiano está cobrando dele e ele do Botafogo. Não sei se vai ter clima para Seedorf no Botafogo.

Loco Abreu

— Tem ação contra o Botafogo na faixa de R$ 6 milhões. É coisa antiga, direito de imagem, não pago pelo presidente anterior.

Base do Botafogo

— Foi muito bem trabalhada na nossa gestão pelo Manoel Renha. Diria que foi o segmento mais estruturado que nós recebemos do Clube. Foi melhorado pelo Renha. Tanto é que em 2015 nós fomos vice-campeões da Copa do Brasil e, em 2016, fomos campeões brasileiros. Foi o primeiro título de importância nacional que o Botafogo veio a conquistar na base. É uma geração de Matheus Fernandes, Yuri, Bochecha, Marcinho. A base hoje é muito sólida. O Sub-15 hoje é bastante interessante. É o investimento do futuro.

Investimento na base

— Algo em torno de R$ 12 milhões.

Afastamento dos Moreira Salles

— Acho que foi uma exposição exagerada. São pessoas de vida reservada. A gente sabe que quem tem esse tipo de vida não pode se aproximar de departamento de Clube nenhum. Acredito que foi a perda de privacidade.

Maior erro da gestão

— Não ter investido mais na equipe de 2017. Poderíamos ter ido mais longe.

Interessados na Botafogo S/A

— Mais de um fundo procurou o Clube. Dois grandes fundos da Inglaterra. Infelizmente, o corona deu uma travada. Mas espero que volte logo e a gente possa falar mais de voltar a esse assunto com mais força.

Relação com Nelson Mufarrej

— Sou substituto dele. Quando ele me convoca para algo, estou à disposição.

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Sobre Diego Mesquita 1552 Artigos
Botafoguense, 36 anos. Formado em Jornalismo pela FACHA (RJ), trabalhou como assessor de imprensa do Botafogo F.R em 2010. Hoje, é setorista independente.

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