Cícero lembra permanência no Botafogo: ‘Me adequei à realidade’

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Cícero Botafogo
Cicero. Botafogo x Flamengo no Estadio Nilton Santos. 07 de Novembro de 2019, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Vitor Silva/Botafogo. rImagem protegida pela Lei do Direito Autoral Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998.
Cícero Botafogo
Cícero permaneceu no Botafogo para temporada 2020. Foto: Vitor Silva/Botafogo.

Com oito reforços, o Botafogo iniciou a temporada com a média de idade muito abaixo daquele que terminou 2019. Para este ano, apenas cinco jogadores do elenco ultrapassam a casa dos 30 anos. Um deles é Cícero. Aos 35 anos, o volante integra o jovem grupo do Alvinegro.

Para permanecer no Botafogo, Cícero aceitou reduzir seus vencimentos. Em entrevista coletiva após a atividade desta manhã no China Park, o volante lembrou o episódio.

— As pessoas sempre falam que os jogadores focam no dinheiro. É lógico que a gente sempre procura ver o melhor para nossa vida. Isso é normal para nossa vida. Até vocês, desse lado aí, às vezes podem receber uma proposta melhor e seguirem o trabalho. Têm pessoas que dependem da gente. Temos família. A gente sabe que é um momento complicado do Clube, essa transição para se tornar empresa. A gente não sabe o que vai acontecer ainda no primeiro mês, mas espero que esteja bem encaminhado. A partir do momento que eu vi que o clube queria continuar comigo, eu tentei me adequar à situação do Clube porque estou aqui para fazer parte desta transição. Nós estamos num momento de reconstrução. Vamos encarar a realidade com humildade. O torcedor precisa vir a favor. Nesse momento é preciso evoluir para conseguir bons resultados e uma identidade de time.

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Pressão no Carioca

— Pressão existe no futebol. As pessoas não querem saber se você está treinando 10 ou 11 dias. O torcedor quer o resultado. Dizer que todos estão preparados é impossível com pouco tempo de treinamento. Mas a gente tem que estar preparado nesse início de campeonato para, depois sim, readquirir aquele ritmo de jogo. Infelizmente a gente teve esses dois resultados agora. Domingo a gente entra pressionado. Estamos nos preparando para isso e vamos domingo fazer um bom jogo.

Como você vê seu papel?

— Independentemente da idade, quem está no Botafogo tem que estar preparado para tudo. Eu cheguei onde cheguei com 35 anos, tentando render em alto nível. Sou um cara que se cuida. Assumo responsabilidades desde pequeno. Peguei o Neymar no Santos com 18 anos. Eu via aquele menino assumindo responsabilidade com aquela idade. Quem está no profissional já tem que começar a assumir. Quando as coisas não encaixarem, vai sobrar para os mais velhos. E a gente está aqui para isso. Para dar o suporte para esta garotada que tem potencial. Isso que vamos procurar fazer, até para dar confiança e eles nos ajudarem.

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Você é responsável por levar o grupo na temporada?

— A responsabilidade é de todos. Às vezes pode acontecer do mais velho estar bem e o mais novo não estar tão bem. Eu saí de casa com 15 anos para enfrentar o mundo pela frente e consegui. A gente sabe que a cobrança é dobrada quando as coisas não acontecem. Vamos fazer de tudo para que o clube tenha uma caminhada melhor a partir do final de semana e assim o clube começar a mudar de patamar de novo.

Relação com os mais novos

— A gente procura deixá-los bem à vontade. Naquela resenha do almoço, da janta, procuramos conversar alguma coisa já sobre treinamentos. Até para ver a cabeça deles e ter um aprendizado melhor. Porque, eu que estou com 35 anos, tenho muito que aprender na vida. Estamos aprendendo sempre alguma coisa. Procuramos passar essa evolução para eles. A gente sabe que no futebol muitos querem entrar no nosso lugar. Se você não mantiver uma regularidade, tem outro que está para entrar.

O que o clube ganha diminuindo a média de idade?

— A juventude sempre é boa. A base sempre pode revelar bons valores, como o próprio Luís Henrique. Ele vai nos ajudar muito. Dependendo dos jogos, se for mais cascudo, faz diferença. A experiência faz diferença nessas horas. Não para ganhar jogos, mas campeonatos. Deve ter sempre equilíbrio na vida. Se você puder ter um time experiente e mais jovem, melhor ainda. Mas tem que tentar conciliar as duas coisas.

Atuar como zagueiro

— Sou um cara que desde pequeno sempre tive facilidade de jogar em várias funções. Mas me firmei como volante, que é como gosto. Ano passado, quando precisou fazer zagueiro, não tinham muitas opções e eu disse que ajudaria, embora não fosse minha preferência. O Valentim esse ano veio falar comigo, até por conta do meu jogo aéreo, da saída de bola. Eu falei para ele que estou à disposição para ajudar. Deixei claro que posso ajudar mais como volante, porque são as minhas características, mais de frente para o campo. Se ele precisar, vou estar à disposição. O que quero é que o Botafogo trilhe o caminho das vitórias.

Relação com Valentim

— A relação é muito boa. O Valentim começou há pouco tempo, tem ideias boas. O resultado influencia em muitas coisas, e ele está tentando dar isso para gente o mais rápido possível. Já foi campeão aqui dentro, que ele possa trilhar um caminho de mais títulos para se consagrar de vez no futebol brasileiro.

Como é ter que se adaptar a várias funções?

— Dentro das minhas características, vou tentar me adaptar, mas não estou acostumado. Requer um pouco de tempo. Com inteligência de jogo, tento me adaptar o mais rápido possível. A gente costuma brincar que em time encaixado dá até para jogar de falso 9. Então, é encaixar o amis rápido possível. Tudo depende de como a equipe vai reagir melhor. O Valentim vai ver o melhor para o time, e eu estou aqui para ajudar.

Quanto tempo o Botafogo vai chegar a um bom nível?

— Você treina e tudo, mas é o ritmo de jogo que dá condição de ir melhorando. Às vezes, não é só um mês. Tem jogador que solta lá para dois ou três meses, e depois engrena. Mas, o resultado tem que ser imediato. Temos que nos preparar não só fisicamente, mas mentalmente para suportar esses primeiros jogos e conseguir os resultados.

Pré-temporada na cidade natal

— Já fiz pré-temporada aqui uma vez. Sempre procuro ir na minha cidade, Castelo, todo fim de ano. Não consegui no último por conta da loucura do calendário. Ainda mais no ano passado, que foi estressante. Tentei relaxar a cabeça. Agora, consegui rever a família, os amigos e pegar essa energia boa.

Já teve alguma posição que não fez?

— Boa pergunta… Lateral-direito, de repente? Acho que foi isso daí. Se bem que a gente também cai na lateral direita para receber a bola. Fiz de tudo.

Cícero tem contrato com o Botafogo até dezembro de 2021. O volante ganhava R$ 230 mil em 2019 e vai receber cerca de R$ 150 mil nesta temporada para se adequar ao teto do Alvinegro.

Em 2019, Cícero fez 44 partidas pelo Botafogo e marcou 5 gols.

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Sobre Diego Mesquita 1552 Artigos
Botafoguense, 36 anos. Formado em Jornalismo pela FACHA (RJ), trabalhou como assessor de imprensa do Botafogo F.R em 2010. Hoje, é setorista independente.

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