Tudo mais constante, tende a ser curta a passagem do promissor Martín Anselmi no comando técnico do Botafogo.
Explico.
O argentino de 40 anos parece ter a “verdade” como um dos seus principais valores. Tratou dela na coletiva de apresentação e voltou a repetir no dia seguinte quando questionado sobre a saída de Savarino, um dia após ter dito que contava o venezuelano no elenco.
Num ato de sincericídio — contraindicado por assessores de imprensa — e indisfarçavelmente constrangido, Anselmi fez questão de ressaltar que não foi informado da negociação.
— Vou tentar responder em português, mas acho que talvez precise falar em espanhol para falar a verdade. Porque eu gostaria de falar a verdade: ontem eu não fui um mentiroso. Ontem eu não sabia nada desta negociação. E as coisas são pela verdade, é a única forma de falar aqui é pela verdade. Sem verdade eu não posso. O jogador estava relacionado, ia contar com ele e 15 minutos antes do vídeo da tarde, ele pediu para falar comigo e falou que estava fechado com o Fluminense – iniciou o técnico.
Genuíno, o técnico desembarcou numa SAF que vai na contramão dos valores que ele apregoa. Sob John Textor, o Botafogo tem uma verdade própria, peculiar, paralela, a pós-verdade. Ególatra, o estadunidense construiu um ecossistema midiático próprio, no qual a versão da SAF circula com pouco ou nenhum filtro crítico entre influenciadores e veículos que dependem do acesso ao clube para gerar conteúdo. E assim constrói um mundo fantasioso, com prazos nunca cumpridos e promessas de um futuro novamente glorioso.
Talvez ainda dure um pouco mais até que Martín Anselmi perceba que, além de dinheiro, falta à SAF Botafogo apreço pela verdade e pela transparência.
Perde o Botafogo.






Comentários