Jefferson: ‘Não jogava pelo dinheiro, mas por amor ao Botafogo’

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Jefferson Botafogo
Foto: Vítor Silva / Botafogo

Terceiro jogador que mais vestiu a camisa do Botafogo, Jefferson passou por inúmeros momentos difíceis nas doze temporadas que defendeu o Clube. O goleiro, que chegou no ano do rebaixamento do Alvinegro (2003), sobressaiu, virou ídolo do Botafogo e chegou à Seleção Brasileira.

Graças ao raro talento embaixo das traves, Jefferson acumulou propostas para deixar o Botafogo. Apesar das dificuldades financeiras notórias do Clube, recusou todas para se aposentar, de maneira precoce em 2018, diante da torcida que lhe fez ídolo.

— Sempre me cobrei muito. Sempre joguei em alto nível. Quando eu comecei a ver que o meu corpo não estava correspondendo, foi o momento que decidi parar. Eu não em via jogando em outra equipe que não o Botafogo. Eu não jogava pelo dinheiro, jogava por amor ao Botafogo. Quando eu voltei em 2017, pensei que fosse assumir o gol. Só que quando eu fui sacado do time, reparei que tinha perdido meu espaço – lembra.

Em entrevista ao Canal do TF, parceiro do Fogo Na Rede, o Jefferson contou bastidores da crise do Botafogo em 2014, lembrou o caso de racismo que sofreu na seleção e mais. Confira!

Bebeto Freitas

— Foi um cara realista. Isso é importante, porque falando de 2003 para 2014, foi praticamente a mesma coisa que vivemos. 2003 a gente praticamente não recebia. E 2014 foi exatamente a mesma coisa. Só que em 2003/04, não entrava renda para o Botafogo e quando entrava, ele passava realmente para os jogadores, funcionários. A importância do Bebeto foi fundamental naquele ano. Ele ajudou o Clube do jeito que ele conseguiu.

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Racismo

— Foi em 2003. Me lembro que o Mundial ia acontecer em janeiro. Eu estava aguardando a competição e meu nome não constava na lista. Fiquei surpreso por tudo que tinha feito na seleção. Na época, éramos eu, Fernando Henrique e Andrei. Só que não houve o Mundial. Foi adiado para o final do ano. Chegou em outubro, meu telefone tocou. Era uma pessoa da CBF, que revelou que havia uma pessoa na CBF que tinha me vetado por ser negro. Porque tinha toda a história do Barbosa na Copa de 1950. Acho que foi até um alerta de Deus, porque eu não acreditava que não existisse algo assim. Depois daquilo, comecei a observar os preconceitos. A minha ida para alguns clubes foi exatamente pelo histórico de goleiros negros.

Barbosa

— A frase que o Barbosa usou é muito forte. Ele diz que foi o único brasileiro a ser condenado por prisão perpétua. Quantos goleiros brancos já erraram e passou?

Demissões em 2014

— Em 2014, eu sabia que queriam me tirar de qualquer maneira. Tanto que o meu empresário na época soube que o Clube queria me negociar. Todos os jogadores que saíram (Júlio César, Bolívar, Sheik e Edilson) reivindicavam melhorias para o Clube e para o time. Acontecia coisas lá dentro que se a gente falar, ninguém acredita.

Zagueiros que mais te passaram segurança

— Sandro, Juninho, Antônio Carlos, Dória. São zagueiros raiz. Goleiro não tem aquela coisa de zagueiro clássico. Esses são zagueiros que se tivesse que chutar minha mão ali, os caras chutavam. A ideia era essa.

Título de 2010

— Sensação de dever cumprido. Na minha carreira, nunca me permiti relaxar. Nos meus 20 anos de carreira, sempre me cobrei muito.

Jefferson comemora defesa de pênalti de Adriano, que deu o título ao Botafogo. Foto: Fábio Castro / AGIF

Retorno ao futebol

— Pretendo voltar para o futebol. Vou estudar, me especializar para poder voltar mais experiente, mais maduro.

Estileira

— Eu sempre arrisquei. Não gostava de ser o básico, eu queria ser diferente. E os caras pegavam no meu pé. Eu gosto de usar roupa de basquete, bermudão. Hoje, como sou empresário, não uso mais essas roupas.

Wilson Gottardo

Gottardo é um cara que eu respeito muito. O que aconteceu na época é que ele chegou numa hora ruim do Clube, querendo resolver tudo. Tanto que chamei ele na sala dele: “Gottardo, está pegando fogo aqui. Tenta entender o que está acontecendo entre jogadores e diretoria. Não tenta resolver tudo que pode sobrar para você”. Fui muito franco com ele. Só que foram acontecendo algumas coisas que me chatearam.

Jefferson voa para mais uma defesa no clássico contra o Fluminense, em 2013. Foto: Vítor Silva / Botafogo

— Eu tinha viajado em 2014 com a Seleção, para um jogo na China. Eu me lembro que o Botafogo jogava contra o Santos. A diretoria havia me informado que eu não enfrentaria o Santos. Eu lembro que voltaria para o Brasil na terça e o jogo era na quarta. Só que a minha passagem estava comprada para o Rio. Mas, para minha surpresa, quando desembarquei em São Paulo para chegar ao Rio, lembro tinha um rapaz que foi me buscar no aeroporto. Foi quando liguei para o Gottardo, e ele pediu para eu ir para o Rio. O Botafogo foi para o jogo e perdeu por 5 a 1. E a comissão técnica passou uma imagem para os jogadores e para imprensa que eu me recusei a concentrar. Eu fiquei muito chateado. Nem dormi direito, então pedi uma coletiva para explicar. Naquele momento ninguém quis assumir a responsabilidade. Faltou respeito.

Obi Mikel x Yaya Touré

— São dois grandes jogadores, mas o Botafogo precisa saber qual posição está mais carente.

Honda

— O Honda, por exemplo, é um jogador que tem muito a contribuir. É um cara focado, até pela cultura japonesa. O Botafogo tem que explorar muito a imagem dele. Ele tem muito mais a apresentar.

Gatito x Cavalieri

— Hoje, meu titular seria o Gatito. Cavalieri teve uma fase muito boa no Fluminense, foi inspiração para muitos goleiros. O Botafogo está bem servido de goleiro.

Melhor técnico no Botafogo

— Oswaldo Oliveira. Ele era um cara que tinha o grupo na mão e era ousado. Isso que fazia diferença. Se pegar a formação do time dele, ele botava três atacantes. A gente treinava isso. Ele trabalhava muita pressão. Quando treinávamos isso e o time reserva conseguia sair dessa pressão, ele parava o treino e dizia: “não pode sair”. Então virou hábito pressionar.

Pelo Botafogo, Jefferson conquistou três estaduais e uma Série B. Foto: Vítor Silva / Botafogo

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Melhor partida no Botafogo

— Final de 2010. Foi uma partida que me marcou muito.

Pior partida no Botafogo

— A saída precoce da Copa do Brasil em 2018, contra o Aparecidense.

Maior defesa na Seleção

— Na partida contra França, peguei uma do Benzema.

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Maior defesa no Botafogo

— Uma cabeçada do Thiago Neves que foi praticamente no ângulo, elástica.

Veja a íntegra da entrevista de Jefferson:

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Sobre Diego Mesquita 1552 Artigos
Botafoguense, 36 anos. Formado em Jornalismo pela FACHA (RJ), trabalhou como assessor de imprensa do Botafogo F.R em 2010. Hoje, é setorista independente.

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