Montenegro não descarta reduzir salários no Botafogo: ‘Vamos aguardar’

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Montenegro Botafogo S/A
Foto: Vítor Silva / Botafogo

Em colapso financeiro, o Botafogo não descarta reduzir os salários dos jogadores do elenco durante a pandemia do novo coronavírus. A declaração é de Carlos Augusto Montenegro, membro do comitê executivo do Botafogo em live com o jornalista Venê Casagrande, nesta segunda, 27.

— Não posso garantir que não haverá (redução salarial). As competições pararam dia 8 de março. Nesses dois meses (março e abril) nós vamos pagar integralmente. Maio a gente vai resolver na primeira semana. Se a gente sentir que dá para segurar o mês de maio, tudo bem. Se sentirmos que não dá, vamos conversar. Então, no meio de uma pandemia que o mundo nunca viu, é bom ir com cautela. Semana a semana – disse.

Veja mais trechos da entrevista:

Fórmula do Brasileiro

— Se o campeonato começar junho ou julho, o que seria o mais normal, eu gostaria que ficasse na fórmula atual. Eu não gosto de mudanças no formato. Acho injusto isso, inclusive, para as equipes da Série B. Não acho justo. A definição de pontos corridos foi um ganho do futebol brasileiro. Você acaba premiando os melhores. Não tem problema de manter a fórmula e levar o campeonato até janeiro. As férias já foram dadas.

Flamengo

— Devia ter a mesma postura do Botafogo, aguardando a autorização das autoridades sanitárias. O Flamengo tem que ter prudência, sobretudo pela tragédia que viveu.

Botafogo S/A

— Nós nunca deixamos de ser otimistas. A pandemia interrompeu o projeto em relação a receita, investimento na compra de jogadores. O que você teve de bom com isso? Uma redução da dívida em dólar, ou euro, em 40%, graças a desvalorização do real de janeiro até hoje. O outro ponto positivo é que vários ativos perderam liquidez. Todos saíram um pouco menores depois da crise. Você pega ações de companhia de turismo, por exemplo, são ações que despencaram na bolsa. Vai demorar um pouco a ter um retorno. Talvez, nessa comparação, investir numa S/A, na marca Botafogo, com o CT pronto, pode ser que seja um ativo interessante. Agora, ao mesmo tempo, isso pode acontecer daqui a três semanas, dois meses, ou só ano que vem. Dizem que esse ano já acabou. Tem que ter um pé atrás.

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Salários

— Cada clube tem a sua cruz. Fico sabendo dos outros clubes pela imprensa. Ouço que Fluminense e Vasco ainda não pagaram nenhum salário esse ano, que o Flamengo está indo a banco. O Botafogo está com uma folha bem mais enxuta. Nós temos uma parte do dinheiro que a Globo paga que vai para o sindicato, tem uma prioridade. Em relação ao jogadores de futebol desse ano, estamos devendo só o mês de março. Tem quatro ou três jogadores, do ano passado, que estamos devendo férias e alguns direito de imagem. Nesse ano diminuímos a folha e colocamos 95% em CLT.

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— Com relação aos funcionários, estamos devendo 77% do mês de fevereiro e o mês de março. A nossa situação é essa. É ruim dever, mas não é uma situação desesperadora. Hoje você atrasar um mês de salário no meio de uma pandemia é um esforço legal. Nós fomos um dos poucos que não mexemos no salário durante março e abril. Claro que se houver alguma coisa e ficar por mais tempo, vamos ter que sentar com eles e discutir. Não mexemos porque sempre estávamos atrasados e os jogadores pacientes, resolvemos não mexer agora. Comunicamos a eles. Vamos aguardar para ver como vai ficar a curva do coronavírus para que a vida volte ao normal.

Previsão para pagamento

— Existe a previsão para pagar algo até quinta ou até o começo da semana que vem. O que pode acontecer é essa verba que fica bloqueada na TV e vai para o sindicato para os funcionários.

Dispensa de jogadores

— Na paralisação vai ser difícil.

Obi Mikel e Yaya Touré

— O que eles geram de euforia de sócio-torcedor é brutal. O suficiente para pagar o salário deles. O Ricardo Rotenberg está alucinadamente em cima disso. Ele conversa às vezes, mas se esses jogadores vierem é exclusivamente por causa da torcida. Eles já disseram que a torcida do Botafogo enlouqueceu a cabeça deles. Ambos continuam com a chama acesa. É importante aguardar a curva.

Renovação de Honda

— O sonho dele é arrebentar no Botafogo e ser chamado para jogar na seleção japonesa na Olimpíada. Como a competição passou para 2021, posso te garantir que o Honda fica no Botafogo até 2021.

Valentim

— Quando tiraram o Valentim do Avaí, deram uma multa de 10 salários. O Valentim pegou a gente classificado para Sul-Americana, mas entregou fora da competição. Ele ficou porque sempre fomos gratos a ele. Demos uma chance de iniciar uma pré-temporada, escolher o elenco. Infelizmente, ele começou e não foi bem. Eu cheguei a ir ver os treinamentos no Espírito Santo, estava indo bem. A torcida também não gostava dele. A torcida manda? Não, mas tem grande influência. Ele tem uma rescisão caríssima. Ficou pesado, então vamos ter que resolver na justiça.

Sonho

— Voltar à arquibancada. Tive uma reunião hoje, inclusive, que dá vontade de abandonar. Mas passa um pouco de covardia, aí reflito mais. Mas daqui a pouco vou dar um prazo e se, infelizmente, não conseguirmos nada nessa prazo, vou virar torcedor de arquibancada. Está chegando o prazo. Ou a gente consegue uma S/A e aí, quem comprar, é que vai resolver. Ou não conseguimos uma S/A e vou pedir para sair porque é muito desgastante. A partir de 2021, vou continuar torcendo muito pelo Botafogo sem me envolver com ele.

Laterais gêmeos

— São maravilhosos. Eu adoraria tê-los no Botafogo. O contrato deles vai até o meio do ano que vem. Criar uma expectativa agora é bobeira. Espero muito que ano que vem a gente não esteja tendo essa conversa. Posso conversar com você como torcedor, porque a gente não resiste esse tempo todo num projeto sem dinheiro, perspectiva, a gente tem que virar S/A. A gente sofre muito com volumes das dívidas, das penhoras. O assunto dos laterais é para 2021. Se quem tiver comandando o Botafogo achar interessante conversar.

Preparação física

Autuori pediu para avaliar com calma a preparação. De antemão, não vejo nada de diferente do que já vi em vários clubes por aí. Ele estava analisando até a parada. Agora vamos esperar voltar para avlaiar.

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Sobre Diego Mesquita 1552 Artigos
Botafoguense, 36 anos. Formado em Jornalismo pela FACHA (RJ), trabalhou como assessor de imprensa do Botafogo F.R em 2010. Hoje, é setorista independente.

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