Afastado do Botafogo, John Textor protocolou uma nova manifestação na Justiça após pedir o bloqueio de 90% das ações da SAF. No documento, o estadunidense sustenta que o Botafogo social “não possui legitimidade para defender os interesses da Eagle Bidco em uma disputa privada entre as partes diretamente envolvidas”.
A manifestação é uma resposta ao pedido apresentado pelo clube associativo no mesmo processo. O Botafogo social acusa Textor de omitir documentos que, segundo a tese apresentada, desmentiriam a existência de uma dívida da Eagle Bidco com o empresário. Além disso, solicitou à Justiça autorização para atuar formalmente como parte interessada na ação, alegando ser proprietário de 51% das ações da SAF.
No documento, Textor contesta esse argumento.
A tese sustentada pelo Clube Social, se acolhida, conduziria a consequência manifestamente incompatível com o sistema processual brasileiro: qualquer associado, torcedor ou simpatizante do Botafogo poderia igualmente pretender ingressar no processo para defender interesses que entende relevantes para o clube”
Trecho da petição.

O empresário também reafirma que, caso assumisse o controle dos 90% das ações da SAF, a Eagle Bidco teria de lhe pagar R$ 150 milhões. Com base nesse entendimento, ele pede ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro uma liminar para bloquear essas ações ou, alternativamente, registrar um protesto contra a alienação da participação societária.
Outro ponto abordado na manifestação diz respeito à forma como ocorreu a transferência das ações da SAF para a Eagle Bidco. Textor rebate o argumento do Botafogo social de que a operação foi realizada por meio de capitalização e emissão de participação societária, e não por compra e venda.
Segundo o norte-americano, embora esse fosse o desenho inicial da operação, ele acabou sendo alterado.
Fatos supervenientes relacionados à operação Global e não só o Botafogo, envolvendo o Crystal Palace Football Club — que fazia parte do Grupo — impediram que a reorganização societária fosse concluída nos moldes originalmente concebidos, alterando substancialmente toda a dinâmica financeira da operação.
Trecho do documento.
Textor cita “mudança de posicionamento” do Botafogo social
Na petição, John Textor também afirma que houve uma mudança de postura por parte do Botafogo social. Segundo o empresário, há poucas semanas o associativo atuava ao seu lado para retirar a Eagle Bidco da estrutura societária da SAF, classificando a holding como uma ameaça ao futuro do clube.
Por outro lado, o Botafogo social defende que o processo pode causar impactos relevantes na recuperação judicial da SAF.
No último domingo, o associativo pediu ao desembargador Luiz Eduardo Canabarro, do TJ-RJ, autorização para participar formalmente da ação como parte interessada. O clube também solicitou que qualquer decisão seja tomada apenas após a apresentação de documentos societários públicos.
De acordo com a argumentação apresentada, a dívida citada por Textor não existiria. Além disso, o bloqueio das ações poderia comprometer o processo de recuperação judicial, dificultar a entrada de novos investimentos prevista para os próximos dias e afetar o funcionamento da SAF.
O Botafogo social sustenta ainda que as demonstrações financeiras auditadas da Eagle Bidco não registram uma dívida de R$ 150 milhões em favor de Textor. Como o empresário era o controlador da holding no período da entrada dos novos investidores, o associativo afirma que caberia a ele registrar contabilmente eventual obrigação financeira, caso ela existisse.
Enquanto Textor peticiona na justiça, a GDA Luma controla a SAF Botafogo e avança em decisões no futebol. Nesta temporada, o clube já contratou seis reforços: Warleson e Gabriel Batista (goleiros), Lucas Monzón (zagueiro), Paulinho (lateral), Domingos Duarte (volante) e Danilo Pereira (centroavante).
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.

Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.










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