A venda da SAF do Botafogo para a GDA Luma esteve muito perto de ser concluída no último dia 3 de julho, mas uma movimentação de John Textor travou o acordo. A informação foi revelada pelo influenciador Thiago Franklin, no Canal Arena Alvinegra, nesta segunda, 13.
Segundo a apuração, a GDA Luma já tinha todos os termos acertados com a Cork Gully, empresa responsável pela administração da Eagle Bidco, e estava pronta para assinar o contrato de compra das ações da SAF.
Perdão da dívida com Lyon
No entanto, pouco antes da formalização do negócio, a Cork Gully comunicou à GDA que John Textor havia apresentado uma nova proposta, fazendo com que as negociações fossem suspensas.
De acordo com Thiago Franklin, a oferta do empresário norte-americano previa o perdão da dívida do Lyon com o Botafogo, estimada em US$ 24 milhões — cerca de R$ 124 milhões na cotação atual.
Antes desse novo movimento, a GDA Luma já havia concordado em assumir o pagamento de US$ 5,5 milhões referentes às despesas com advogados, conforme previsto no entendimento firmado com a Cork Gully.
Após a proposta de Textor, porém, as conversas voltaram à estaca zero, prolongando o impasse envolvendo a transferência do controle da SAF alvinegra.
Vale lembrar que, conforme revelou o UOL, o Botafogo associativo notificou recentemente a Cork Gully informando que acionou o bônus de subscrição previsto no acordo de acionistas. Na interpretação do clube, esse mecanismo alterou a composição societária da SAF, fazendo com que o associativo passasse a deter 51% das ações, enquanto a Eagle/Cork Gully ficaria com os 49% restantes.
A disputa societária segue sem definição. O desfecho da negociação entre Botafogo, GDA Luma, Cork Gully e John Textor é fundamental para a conclusão da transferência do controle da SAF.
Raio-X: Quem é a GDA Luma, fundo favorito para assumir a SAF Botafogo; saiba tudo

Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.
Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.










Comentários