Em meio à crise pelo poder da SAF, o Botafogo acumula transfer ban na Fifa e o torcedor teme pelo futuro do clube. Afastado do comando da SAF, Textor reapareceu e disse ter um acordo com a Ares/Eagle para aparar as arestas e voltar à gestão.
Também com interesse de assumir a SAF, a GDA Luma apresentou proposta ao clube social e aguarda uma definição, segundo o jornalista Bernardo Gentile, nesta quarta, 13.
— A GDA passa a ter, agora, uma função primordial na história. Porque, enquanto a GDA não assina, enquanto a GDA não fecha, tudo continua em aberto. Quem tem proposta para fazer pode fazer. John Textor diz agora que tem a proposta dele, que agora fez um acordo com a Ares. O Botafogo entende que está muito próximo de fechar com a GDA. A proposta chegou na segunda-feira passada. Ou seja, já tem mais de uma semana que a proposta da GDA está nas mãos do social. E aí o clube está passando aquele pente fino. Primeiro passou aquele pente fino para ver a proposta. “É isso mesmo? É tudo o que a gente conversou?” Era, beleza. Só que tinha algumas cláusulas que estavam no caminho que o Botafogo se sentiu meio exposto. “Ah não, posso me proteger mais aqui”. Então, foi lá e propôs algumas mudanças. E até agora ainda não teve uma resposta da GDA no sentido de que está tudo certo. Tem essa questão da GDA em compasso de espera. Nesse compasso de espera, aconteceram movimentações na Justiça, como a gente viu ontem e hoje. E como reagiu a GDA a tudo isso? – indagou.
Insegurança jurídica
– A gente vinha falando ontem dos possíveis cenários. E em um dos possíveis cenários, a gente abordou a questão da GDA. Como ela reagiria com a Eagle retomando o poder? Com o social perdendo o poder? É uma confusão que tira a confiança de um investidor de entrar com grana. Por quê? Existe um cenário claro aqui agora. Se o Botafogo perdeu o poder ontem, ele pode perder o poder daqui a dois meses. Uma canetada na Justiça você perde o poder. Enquanto não for definitivo, e ainda não é definitivo, aí, eu como empresa, GDA, que sou, vou comprar, resolver todas as minhas coisas com o Botafogo social, eu sou 90%, eles 10%, eu boto o dinheiro, eu vou pra recuperação judicial, eu entro na recuperação judicial, começo a pagar, começo a resolver as coisas, boto o dinheiro, a coisa começa a funcionar, daqui a dois meses vem uma canetada, Eagle Bidco / Ares volta ao poder? Aí a GDA fala assim, “mas pô, pera aí, eu já me acertei, eu já botei dinheiro, eu já resolvi as coisas, agora na canetada tudo que eu botei de dinheiro aqui eu perco? Como é que fica essa situação?” Então, essa briga, essa crise societária, ainda está causando muita insegurança jurídica em quem quer chegar e investir no Botafogo – explicou.
– Essa insegurança jurídica atrapalha, sim, empresas que querem entrar no Botafogo. Principalmente se for uma empresa mais séria. Outras empresas, e aí é importante falar da GDA, que é conhecida no mercado como fundo abutre. Ou seja, ela vai aonde a carne está podre. Então, para a GDA, que é uma empresa de turnover, uma empresa que recupera as empresas que estão no risco, é importante esse cenário. Esse cenário não é algo que ela não está acostumada a lidar. Ela está acostumada, meu irmão, a mergulhar no esgoto mesmo, é porrada para lá, porrada para cá. O cara está acostumado com isso. Porque esse tipo de mercado é interessante para ele. Vai lá dentro, pega um cara afundado, levanta e ganha dinheiro nisso. Está acostumado, mas também não é bobo. Se tem um risco de botar dinheiro e perder, ele não vai querer correr esse risco. Até onde a GDA está firme com o Botafogo? Essa é a primeira questão que aparece. E aí não adianta a gente escutar, “ah, o social está dizendo que está firme”. É claro, eles querem. A tábua de salvação do Botafogo nesse momento é a GDA. Então, é óbvio que vai falar que está tudo certo. Mas a gente precisa ver alguma movimentação pelo lado da GDA. Quando a GDA falar assim, “ah, chegou a proposta de novo, mostrando que está tudo certo, eles fizeram uma nova exigência”, beleza. Aí você mostra que tem GDA na parada ainda. Desde que a GDA enviou a proposta para o Botafogo, o que se tem nos investidores é uma GDA meio sumida. É uma GDA que fez a proposta e está em compasso de espera. Só que em compasso de espera até quando? Em quais condições? É isso que a gente agora está tentando esperar para ver, se vê se tem algo ainda mais quente nesse sentido. Ou se eles podem, por exemplo, dizer, “do jeito que está, eu ainda não sinto firmeza, vou esperar um pouco para você se resolver a situação, ou melhorar a situação para voltar daqui a pouco”. E aí é uma situação que deixa o Botafogo em uma situação muito ruim, porque se não for a GDA, quem vai ser? – indagou.
A volta de Textor?
– De propostas que o Botafogo tem na mesa, hoje, além da GDA, a única proposta que tem é de quem? Do Textor. É um cenário completamente diferente do que era há uma semana atrás, quando o social não queria ver o Textor nem pintado de ouro. E agora a gente pode falar um pouco só dessa questão, rapidamente, do Textor, que conseguiu esse acordo. Textor postou no Instagram, na noite de ontem, na madrugada, que conseguiu um acordo com a Ares, e que agora depende só do social dizer sim para a proposta dele, porque aí está tudo certo. O que a gente tem de informação? O Textor sentou com as grandes lideranças da Ares. Isso nos últimos dias, nessa viagem que está fazendo. Falamos que tinha uma ponta solta nessa história toda, que mesmo o Social não querendo o Textor, podia acontecer do Textor reaparecer. Essa ponta solta era isso. Era a briga que tem lá na justiça francesa. Que tem um monte de ponta solta por lá, tiraram o Textor de forma ilegal da Eagle, porque é uma empresa de mercado aberto, né, Bolsa de Valores. E aí você tem todo um procedimento que você tem que fazer quando você vai tirar uma liderança, e eles não fizeram esse procedimento, passaram por cima. Isso aí está na justiça francesa e é um problema para os caras. A receita federal francesa está em cima da Eagle, Michele Kang e tudo mais, por conta de movimentações lá no Lyon, em que o Textor tem influência, e continua ali na briga. Então, o acordo que o Textor diz ter envolve tudo isso. Envolve Eagle, envolve Ares, envolve o próprio John Textor, envolve o Botafogo para cá, envolve Lyon. Então, tem tudo envolvido ali. O Textor certamente sabe que tem dinheiro para receber do Lyon, e se ele está dizendo que tem um acordo, esse dinheiro também vai ser pago de lá para cá. Não tem o valor confirmado, mas certamente tem um valor. Textor não ia abrir mão desse dinheiro para ficar no 0x0, porque ele falou abertamente várias vezes que tem um dinheiro grande para receber deles lá. A gente nos bastidores escutava algo de 35 milhões de euros. Não sei qual é o acordo. O acordo pode ter baixado, pode ter mantido os 35 milhões. Aí é uma outra questão que a gente tem que esperar as próximas apurações para saber qual é o valor exato desse acordo. Mas certamente tem algum valor para ele receber ali – pontuou Bernardo Gentile.
– Sempre foram duas negociações na mesa. Uma é com o social, que agora tem os poderes políticos da SAF, para você decidir qual vai ser a nova SAF. E a outra é você fazer uma negociação por fora para liberar a Eagle / Lyon / Ares do Botafogo, que eles querem ficar com o Lyon, mas eles têm dívida com o Botafogo. E aí eles têm um contrato assinado. Então, para liberar, tem que fazer essa negociação. Uma negociação o Textor diz que está finalizado, ele tem um acordo com a Ares e está dizendo que esse acordo envolve muitas coisas. Envolve Ares, Eagle, Lyon, Botafogo, Michele Kang, tudo no mesmo acordão. E aí, agora, tem a proposta do Textor, que inclusive tem a GDA, porque a GDA já está assinada com ele, já entraram US$ 25 milhões no Botafogo via acordo com o Textor, tem mais US$ 25 milhões para entrar, tem mais US$ 25 milhões dele que ele diz que vai colocar de dinheiro próprio. E aí ele daria 20% para o social, é a proposta dele. E ainda a possibilidade de novos investidores entrarem. A gente escuta muita coisa do grego (Evangelos Marinakis), com quem ele esteve reunido essa semana. Essa relação com o grego continua quente? Não continua? Ele vai dar algum jeito de entrar numa SAF 2.0 dele? Ou não? O social nega, diz que não tem nada com o grego. Enfim, aí é outra parada. Mas a proposta do Textor está na mesa e ele diz que agora só depende do social para ir para frente. Ou o social ainda vai tentar pernada no Textor para fechar com a GDA. É isso que a gente está vivendo nesse momento – concluiu.










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