Afastado do comando da SAF Botafogo, John Textor se movimenta nos bastidores para seguir no clube. De acordo com o jornalista Bernardo Gentile, o estadunidense inclusive vendeu um terreno seu nas Bahamas e ofereceu aportar mais US$ 25 milhões. Com isso, o montante aportado por Textor diretamente e indiretamente via GDA Luma pode chegar a US$ 75 milhões (cerca de R$ 375 milhões na cotação atual).
– A principal notícia do dia é que a Eagle, no caso, representada pela Ares, perdeu os direitos políticos, ou seja, não apita mais nada. Ela ainda é dona das ações, não confundam as coisas, ainda tem direito a um monte de coisa ali, mas não decide mais nada. Por que isso aconteceu? Quando a gente está falando de Botafogo SAF, é uma empresa, não mais o Textor. A Justiça do Rio entendeu que a Botafogo SAF estava sendo prejudicada pela Eagle, que a Eagle estava tomando um monte de decisões que estavam prejudicando o andamento da empresa, e por isso foram tirados os poderes políticos da Eagle. Isso significa o que, que na prática a Eagle não pode mais votar e não manda mais nada – iniciou.
– A SAF Botafogo é composta por 90% Eagle, 10% social, certo? A partir do momento que você tira os 90% do social da Eagle, de poder de voto, de poder de decisão, sobram os 10%, então, politicamente, nas questões de decisões, não estamos falando de ações, os 10% do social viram 100%. Então o social hoje está vivendo o grande aumento da sua carreira. O social hoje é o grande beneficiado, além da SAF Botafogo, que vai poder andar para a frente, ao invés de ficar presa, a SAF vai poder andar, vai poder entrar e receber novos investidores, vai poder voltar a ter dinheiro na conta e fechar com um novo investidor. Então, para a SAF foi maravilhosa essa decisão, mas também foi maravilhosa a decisão para o social, porque agora, finalmente, eles estão com a faca e o queijo na mão. Eles, inclusive o João Paulo (Magalhães Lins, presidente) terá 10 dias para apresentar um novo investidor do Botafogo, é isso que eles vão fazer – garantiu.
– E aí agora, chegou o momento da verdade, da gente entender quem são, quem eles têm, quem está do lado deles ou não. Não deixa de ser também uma vitória para o Textor no julgamento, por quê? Textor quis levar a batalha para esse cenário, a batalha final está acontecendo, e o Textor escolheu onde ele queria essa batalha. A partir do momento que ele foi retirado do poder, ele não tentou voltar ao poder. Ele pede, inclusive, para que o Durcesio Mello seja mantido. Porque ele estava pensando também em tirar a Eagle, puxar para o inferno junto. Aí ele deixa tudo na mão do social. O Textor que decidiu fazer isso para dar o poder ao Social. Diante de todo o cenário, foi onde o Textor entendeu que era onde ele tinha mais chance de ter uma vitória. Vai acontecer essa vitória? Pode não acontecer, ele pode ter feito todo esse movimento e se ferrar no final das contas, beleza? Não estou dizendo nada, além de que, o último movimento, o Textor cai atirando, e ele cai atirando na Eagle, para deixar o Social com plenos poderes. Porque é ali que ele entende que vai ter chance de conseguir essa vitória. Qual é a chance da vitória dele? O social, como a gente acabou de falar, vai poder apresentar um novo investidor, um novo comprador, e aí, meus amigos, por incrível que pareça, quem pode ser esse novo investidor? John Textor. É o provável? Não, não é o mais provável, né. Para o social fazer isso, ele só vai fazer se tiver desesperado, se ele precisar muito do dinheiro.
Proposta de Textor
Para seguir na SAF, John Textor vendeu o próprio patrimônio e ofereceu US$ 25 milhões de aporta ao Botafogo, revelou Gentile.
– O que que o Textor está oferecendo? Aquela proposta, US$ 25 milhões de dólares do próprio bolso. Segundo informações que a gente teve, e aí agora já está na hora de falar, porque se não falar agora, vai falar quando, né? O Textor tem patrimônio. Ele, por exemplo, é dono de uma ilha, e essa ilha, não tem só a casa dele lá, essa ilha é dividida em vários terrenos. Ele, por exemplo, pegou um desses terrenos, vendeu e vai botar esse dinheiro no Botafogo. Essa é a história que rola no Textor. O Textor quer botar, então, US$ 25 milhões. Soma-se isso, tem os US$ 25 milhões da GDA, que já entraram, que já pagaram algumas dívidas e salários, e tem mais US$ 25 milhões para entrar, atrelados àquela questão das ações, que não pode vender. Mas, então, no total, o plano do Textor, inicialmente, passa por US$ 75 milhões: 25 que já entraram da GDA, 25 dele próprio, e os outros 25 da GDA que tem para entrar.
– Ele vai chegar, e já está acontecendo isso, desde ontem à noite, todo mundo está conversando. Tudo que o Textor tem de proposta, de investidor, de dinheiro, de patrimônio pessoal, tudo ele está chegando e colocando na mesa agora, ele está sendo transparente com todos do social, porque é o social quem vai dar as cartas, então, eles chegam agora no social, estão conversando com ele, mostrando tudo que ele tem, que os planos são esses e tal. Vai ser o suficiente? Não sei, quem vai decidir é o social.
– Vamos passar pro lado da história do social na história. O social ficou com a faca e o queijo na mão. Hoje, o que a gente escuta, é que o principal plano deles é ter a GDA sem o Textor? E aí, então, já é diferente do que pensa o Textor, de planejamento. Eles querem a GDA, mas sem o Textor. Vai entrar o quê? Aquele US$ 25 milhões que entraram e o US$ 25 milhões que faltam entrar. E aí, segundo o que corre nos bastidores, o social teria outros investidores também. Outros ou outro, não sei. Mas teria, além da GDA, outra pessoa também pra entrar e botar um dinheiro ali e compor esse montante.

— O que a gente precisa entender é o seguinte. O Botafogo entrou em recuperação judicial. O Botafogo precisa fazer essa recuperação judicial ser aprovada e depois bem executada. Porque se não conseguir fazer isso, um abraço, volta para a última divisão do Estadual. Para você fazer essa recuperação judicial funcionar, primeiro você tem que fazer aquela negociação da dívida, baixar, jogar lá embaixo, que pode ser de 80%, 90%, não sei, depende da negociação. Ela sendo bem feita, você precisa ter dinheiro para cumprir tudo isso. O Botafogo hoje, sem investidor, não tem condição de pagar uma recuperação judicial. Então, não adianta eu pedir a recuperação judicial sem o investidor, não existe. Se isso acontecer, o Botafogo vai falir, o Botafogo não vai conseguir cumprir a recuperação judicial. Então, estamos aqui na mesma página que o Botafogo precisa ter dinheiro externo.
— E aí, precisa ver se o dinheiro da GDA somente seria o suficiente, ou se eles precisariam de novo dinheiro. Se eles precisarem de novo dinheiro, eles têm esse terceiro interessado, ou não? Eles estão prontos pra colocar dinheiro, ou não? E aí é nesse caso que entra o John Textor. Porque o John Textor só está na mesa oferecendo US$ 25 milhões do próprio bolso. A pergunta que não quer calar: o social vai aceitar esse dinheiro porque precisa do dinheiro do Textor, ou não vai aceitar e vai seguir a recuperação judicial com o que tem? E isso vai ser viável? A dúvida passa por aí.
– O social não é uma pessoa. Beleza? Existem várias correntes no social. Isso é importante demais para a leitura do momento. Existe uma ala mais radical que não quer ver o Textor pintado de ouro. OK? “Ah, o Textor quer botar 25 milhões. Dane-se, problema dele. Pega o dinheiro dele, enfia no bolso dele, vai embora, que eu nunca mais quero ver esse cara aqui”. Essa é uma ala radical. No entanto, existe outra ala do social que é muito mais pragmática. “Cara, nós estamos precisando de dinheiro pra fazer a recuperação judicial. Meu plano é fazer essa recuperação judicial dar certo, sair do papel e dar certo. Para isso eu preciso de dinheiro. Qual é o dinheiro que eu tenho na mesa? Se o único dinheiro que eu tenho na mesa é GDA e Textor, então vamos de GDA e Textor. Se tiver outro dinheiro, beleza”. O fato é, tem ou não tem? Se precisar do dinheiro do Textor, existe essa ala mais pragmática que pode, sim, aceitar o dinheiro do Textor e o Textor seguir mandando.
– Para finalizar, essa gestão centralizadora do Textor que a gente viu nos últimos anos acabou. Esquece. Isso não vai mais acontecer, tá? Não existe nenhum cenário possível em que o Textor vai continuar mandando as cartas exatamente do jeito que ele fez até aqui. Vai haver um compliance, vai haver um comitê. Vai ter mais gente mandando. De cara, no próprio plano do Textor, por exemplo, teria ele, o Gabriel da GDA e provavelmente alguém do social participando. De cara. Então já de cara sai de uma gestão centralizadora para três pessoas mandando. Não sabe se quem vai mandar mais, quem vai mandar menos, depende de quanto dinheiro vai entrar, quem é majoritário, quem não é majoritário. Enfim, são outros problemas que vão ser definidos em uma mesa de negociação. E a mesma coisa acontece se for o social. Se for o social, com GDA, sem Textor, com Textor, de qualquer forma. O final das contas é esse. Esse regime centralizador do Textor acabou. Não vai mais existir. Qual vai ser depende de tudo que vai acontecer nesses próximos dias.
– E a Ares, que foi retirada e perdeu os poderes políticos nessa briga, certamente está recorrendo de tudo nesse momento. Para ela isso não é interessante. Ela vai ficar esperando esses dez dias para ver o que vai acontecer? Lógico que não. Ela está na justiça, vai tentar brigar e vai tentar recuperar esse poder político o quanto antes, que isso pode estar acontecendo nesse exato momento. Tem muita coisa pela frente.







Comentários