Com dívidas a curto prazo e cinco transfer ban em vigor, a SAF Botafogo negocia a venda do controle para a GDA Luma. Paralelamente, o clube social trabalha com a possibilidade de contrair um empréstimo com o BTG Pactual de R$ 300 milhões a um custo mais acessível, segundo Carlos Augusto Montenegro.
– Eu não sei de detalhes. O João Paulo (Magalhães Lins, presidente) me liga, às vezes três vezes por dia. É grande sorte do Botafogo de ter uma pessoa como o João Paulo nessa hora. O João Paulo foi fantástico, e ele soube operar, conversou com todos os sócios do John Textor, com ex-sócios, com o Durcesio Mello, o tempo todo, conversando, conversando, conversando, e chegou ao final. O que eu sei é o seguinte: dentro da possibilidade, talvez, de venda de algum jogador, dentro do que foi mostrado da dívida a curto prazo, essa aproximação com o BTG, que nos assessorou a encontrar a GDA, ficou praticamente oferecido um empréstimo, se for necessário, de R$ 300 milhões a um custo mais acessível para a gente terminar o ano. Então, a gente tem isso como um step. Alguma coisa pra garantir – revelou Montenegro nesta quarta, em entrevista ao canal “Gerações Botafoguenses”.
– A gente não está trabalhando com isso. Mas a gente tem alguma coisa. O João Paulo se cercou de tudo, entendeu? Em tentar que a gente atravesse essa zona árida do deserto e depois, respirando, volte a uma vida normal. Ele conseguiu, também, arrancar dinheiro dos sócios da Eagle, arrancar dinheiro da Ares e estar nessa negociação de tentar arrancar algum dinheiro do Lyon. Está tentando acertar as contas por X com cada um, para que cada um siga a sua vida.
– Uma das coisas que nos facilitou muito foi que os sócios da Eagle e a Ares, que eram os principais interessados, e são ex-sócios do Textor, eles não têm, e falaram isso, não têm interesse no Botafogo, não têm interesse no Brasil. Eles têm um medo, uma insegurança da política, insegurança jurídica, e o valor do real perante ao dólar e ao euro incentiva que eles invistam mais no Lyon para ter retornos. Então, quando uma pessoa não quer um ativo que é deles, é mais fácil a negociação. Porque a gente quer muito, é a nossa vida, e quer pegar e quer passar pra um outro que queira. E foi o que acabou acontecendo, entendeu? Mas ele está com algumas coisas aí, alguns steps para sobreviver num momento ruim e torcendo para que a gente não precise – explicou.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.











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