Jefferson projeta Botafogo como referência: ‘Não pode errar mais’

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Jefferson Botafogo
Jefferson. Botafogo x Parana pelo Campeonato Brasileiro no Estadio Nilton Santos. 26 de Novembro de 2018, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo.

Dos 18 anos de carreira no futebol, Jefferson dedicou 12 ao Botafogo. Por isso, é o terceiro jogador que mais atuou com a Gloriosa camisa alvinegra, atrás apenas de Garrincha (612 jogos) e Nilton Santos (612).

Aposentado desde 2018, Jefferson teve como último ato na carreira a vitória do Botafogo sobre o Paraná, em 26 de novembro daquele ano, diante de 30 mil torcedores em plena segunda-feira.

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Conhecido pela frieza, Jefferson não conseguiu conter as lágrimas no jogo de despedida no Botafogo. Foto: Vitor Silva/Botafogo.

Pelo Botafogo, Jefferson conquistou três títulos Cariocas (2010, 2013 e 2018), um Campeonato Brasileiro da Série B (2015) e foi eleito melhor goleiro do Brasileiro 2011 e 2014.

Graças ao excelente desempenho no Botafogo, Jefferson foi convocado para seleção brasileira 63 vezes, com 22 jogos como titular e quatro títulos — Superclássico das Américas 2011, 2012 e 2014 e Copa das Confederações 2013. Com a amarelinha, chegou a defender um pênalti cobrado pelo argentino Messi.

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Jefferson comemora defesa em pênalti cobrado por Lionel Messi, em 2014. Foto: AP

Hoje empresário, Jefferson conversou com exclusividade com o Fogo Na Rede e respondeu perguntas enviadas por torcedores do Botafogo pelo Instagram.

Confira o papo na íntegra:

Já sente falta dos gramados? (Pergunta enviada por @halbertt.15)

— Sinto falta do ambiente do futebol, da resenha, das amizades. Isso aí é praticamente insubstituível, até porque foram 20 anos nessa caminhada. O clima do vestiário é sensacional, divertido. A união dos jogadores é muito legal. Esse clima eu sinto. O que não eu sinto falta são de algumas coisas que a gente tem que fechar os olhos, fingir que não estava vendo, enfim, algumas coisas que a gente não concordava, mas eu era apenas funcionário, então eu não podia falar nada. Mas sinto falta das amizades, do treinamento, dos jogos porque tem uma pressão, mas é uma pressão boa também. Você acaba até sentindo falta.

Pensa em jogar no time master do Botafogo? @rogerio_soares04

— Quem sabe futuramente. Até porque estou bastante recente, então nem me sinto muito master. Mas futuramente eu pretendo jogar sim. Por isso até que estou mantendo a forma. Comecei a treinar já. Não pode perder a forma, porque senão cria barriga e depois para tirar é complicado (risos).

Acha que o Botafogo pode voltar a ser como nas décadas passadas com o investimento dos irmãos Moreira Salles? @davibotw2k19

— O Botafogo tem tudo para poder voltar como nas décadas passadas. A primeira coisa que o Clube precisa é resgatar o respeito, a confiança de todos que estão ali, não só do time, mas quem entra no Nilton Santos vai perceber a desconfiança, enfim. A primeira coisa é resgatar dentro do Clube para depois resgatar fora. O Botafogo está caminhando para poder voltar forte certamente. É o time que mais cedeu jogadores para Seleção, é um time respeitado. Eu faço voto para que os irmãos Moreira Salles consigam ajudar o Botafogo a colocar ele onde todos nós gostaríamos.

Qual foi o real motivo por não atuar mais pela seleção? Existe discriminação ou restrição aos atletas que promovem a sua fé? @rafaeltitoneli

— A minha não permanência na Seleção todos já sabem. Mesmo num bom momento, eu não era unanimidade dentro da Seleção. Eu sempre respeitei as autoridades. Agradeço muito a Deus por ter passado cinco anos lá e ter disputado várias competições, uma delas a gente foi campeão (Copa das Confederações). A questão da fé, a gente sabe que não tem que misturar as coisas, mas a fé caminha com você em todos os lugares. Então eu não misturo, mas levo comigo onde eu vou. Claro que existia uma restrição de fazer um culto, uma reunião dos atletas de Cristo, mas na Seleção não teve perseguição nenhuma. Todo mundo respeitou. Não tive dificuldade nenhuma. Todos os treinadores que estavam ali respeitaram e a gente sempre foi aberto para expressar nossa fé lá.

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Pela seleção, Jefferson acumula quatro títulos. Foto: VCG/Getty Images

No Brasileiro de 2017, o Botafogo perdeu a vaga para Libertadores de maneira melancólica. O que, de fato, aconteceu?@hudsonarmorais

— O que aconteceu foi falta de gás. Chegou no final, tem que ter muita sabedoria para poder segurar um grupo, um time, enfim. Não só o Botafogo, mas todos os times. Se você chega num final de competição, mesmo brigando por Libertadores, você pega alguns jogadores que já não vão renovar contrato, outros que estão insatisfeitos porque não vão ficar, que já têm propostas ou vão voltar para os times e os que estão chateados por não estarem atuando. Enfim, você pega vários tipos de jogadores e precisa ter controle muito forte ali naquele momento para poder dar um gás e conseguir o objetivo.

E acho que faltou ali naquele momento isso. Não digo nem empenho, porque todo mundo teve, mas faltou o último gás ali de todo mundo querer mesmo: “gente, vamos nos fechar aqui e, independentemente de qualquer coisa, vamos conseguir essa vaga”. Eu me lembro muito bem, em 2004, a gente estava brigando para não cair no Botafogo e no último jogo ofereceram um incentivo em dinheiro para não sermos rebaixados. E aí a gente se reuniu ali e acertou que não queríamos o dinheiro, porque para nós era questão de honra não cair com o Botafogo. Isso é legal, você vê um grupo que chega no final e vai para cima. Mas às vezes não depende só de jogadores. Faltou um pouco de gás mesmo.

Como é o sentimento de ser ídolo de um Clube com uma torcida tão apaixonada? @mdmenezes67

— Um sonho realizado, porque desde quando eu cheguei no Botafogo, eu sempre me espelhei bastante no Marcos, o Ronaldo do Corinthians, jogadores que ficaram nos clubes e fizeram história. O Zetti, o Rogério Ceni. Eu queria ser reconhecido por uma equipe, porque tem muitos jogadores que acabam a carreira bem sucedidos, mas não têm uma identificação com nenhum clube. Às vezes fica dois anos em um, três anos em outro e não tem identificação. E eu sempre prezei por isso. Fico muito agradecido a Deus por esse privilégio de ser um dos maiores clubes do Brasil e do mundo.

Você aceitaria um convite para ser diretor de futebol do Botafogo? @matheuusfariia

— Hoje não. Sou muito realista. Hoje não estou preparado para ser diretor. Preciso estudar, conhecer fora de campo. Eu sei dentro de campo. Fora é diferente. E eu preciso amadurecer nesse sentido. Tenho muita experiência no Clube, no futebol, mas é umas das coisas que o pessoal às vezes tem confundido. Porque é preciso ter conhecimento para uma outra função. Eu preciso dar esse tempo para mim e para minha família e quem sabe futuramente eu possa voltar para o Clube numa função? Minha intenção é estar dentro do Botafogo, sim, com certeza.

O lançamento da sua camisa comemorativa já ocorreu no Rio e em Brasília. Já tem outro evento previsto, quando e onde?

— Graças a Deus o lançamento tem sido um sucesso. A gente está estudando aí para fazer o lançamento na loja do Botafogo em Juiz de Fora, é uma cidade que a gente sempre foi muito bem acolhido lá. É uma cidade que eu gosto de lá. Sempre quando a gente mandava os jogos para lá, lotava de botafoguense. A gente se sente em casa lá. Eles iam recepcionar a gente no hotel. Eu gostaria de lançar a camisa em Juiz de Fora, mas também estamos organizando para lançar nos Estados Unidos. Estive lá de férias e vi que tem bastante botafoguense também. Estamos organizando alguns eventos.

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Lançamento de camisa retrô do Jefferson do Botafogo no Nilton Santos.Foto: Vitor Silva/Botafogo

Você está sempre ligado ao Botafogo e certamente tem acompanhado o atual momento do clube, com dois meses de salários atrasados sem perspectiva de pagamento. Você passou por situações piores em 2003 e 2014. Hoje, de fora, como você encara essa situação recorrente no Botafogo?

— O Botafogo sempre teve problema financeiro, mas em todos os momentos o Clube sempre conseguiu dar a volta por cima, se reerguer com a ajuda da torcida, dos jogadores que ali estavam. Infelizmente a gente não conseguiu em 2014, mas o Botafogo é isso. Tem que ter essa superação. Fico triste, porque tem muitas pessoas ali que necessitam muito mais do que as outras. Às vezes, com essa instabilidade toda acaba atrapalhando o rendimento.

O culpado não é o presidente. Não vejo dessa forma. As pessoas que assumiram o Botafogo hoje estão pagando coisas que foram feitas no passado. Então, me lembro muito bem que em 2003 um diretor do Botafogo disse que se a gente não subisse, ele não sabe o que seria do Clube. Então isso já vem lá de trás. Lembro que vim do Cruzeiro na época, e no Botafogo o mês era quase 90 dias. O Botafogo não pode errar mais. A realidade é essa. Em contratação, investimento. Creio que em pouco tempo ele vai se reerguer e vai ser um Clube referência.

Num cenário como este de salários atrasados e dificuldades, a falta de satisfação dos responsáveis é o que mais irrita os atletas?

— O rombo é muito grande. O Botafogo não pode errar mais. Eu vejo às vezes os diretores de mãos atadas. Claro que poderiam usar o nome do Botafogo muito mais. Mas o rombo é muito grande. Para surgir esse recurso imediato é bem difícil. Todos têm que estar unidos para poder levantar o Botafogo novamente.

O Botafogo ainda te deve?@pauloroberto.souza.52

— Tem sim uma dívida comigo, mas converso bastante com o pessoal ali dentro. Entendo a situação do Botafogo. Falei com eles que tenho toda paciência com todos eles ali. Em nenhum momento cogitei entrar na justiça de maneira nenhuma. Eu vou esperar o Botafogo se levantar, se reestruturar para poder acertar o que ficou para trás comigo, mas sei que tem mais gente que precisa muito mais nesse momento, então eu vou aguardar até eles acertarem comigo.

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Sobre Diego Mesquita 1552 Artigos
Botafoguense, 36 anos. Formado em Jornalismo pela FACHA (RJ), trabalhou como assessor de imprensa do Botafogo F.R em 2010. Hoje, é setorista independente.

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