Moreira Salles: o que, de fato, muda no Botafogo

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Moreira Salles Botafogo
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A relação entre os irmãos Moreira Salles e o Botafogo é antiga. Foto: Reprodução Internet.

O passo mais esperado pela torcida, enfim, foi dado. Nesta quarta (25), Walter e João Moreira Salles foram apresentados ao estudo encomendado à Ernst & Young para o Botafogo. A informação foi divulgada em primeira mão pela Rádio Botafogo, parceira do Fogo Na Rede.

O encontro entre a E&Y, os irmãos Moreira Salles e 20 executivos botafoguenses foi tido como excelente pelas partes. Agora o projeto segue para ser apresentado, nesta sexta (26), ao mandatário do Botafogo, Nelson Muffarej. Se aprovado, vai para discussão do Conselho Deliberativo, uma vez que demanda alteração do Estatuto do Clube.

A ideia dos bilionários irmãos — cuja fortuna é avaliada em R$ 11 bilhões segundo a Forbes — é profissionalizar o clube, abri-lo a investidores, separar o futebol da estrutura social do Botafogo e torná-lo viável. Hoje, o Alvinegro tem a maior dívida entre os clubes brasileiro: R$ 730 milhões.

A relação entre Botafogo e Moreira Salles é antiga. Walter e João contribuíram diretamente em contratações, empréstimos e mais recentemente com a compra de um CT de R$ 25 milhões, em Vargem Pequena. Os irmãos são credores em valores que giram em torno de R$ 50 milhões.

Com a maior dívida do futebol brasileiro e dada a incapacidade notória de gerar novas receitas, o Botafogo não tem outra saída senão caminhar rumo à profissionalização. Em um primeiro momento, os irmãos estão dispostos a aportar entre R$ 200 e R$ 300 milhões, segundo Lauro Jardim, colunista de O Globo. Nada, no entanto, para este ano.

O que muda para o Botafogo

Com a eventual entrada dos Moreira Salles, o Botafogo sinaliza positivamente ao mercado, segundo André Souza, ex-sócio da Ernst & Young.

— Se o mercado perceber que os irmãos aportaram dinheiro, certamente outros também se interessarão. Para recepcionar investidores, temos que dar garantias.

Ex-presidente do Clube e presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro nunca escondeu é um dos interessados em investir no futebol do Botafogo.

O empresário, youtuber e ex-patrocinador do clube Felipe Neto é outro nome que contribuiria em um cenário profissional. Em fevereiro, Neto foi convidado para assumir a Comunicação do Clube — campanha iniciada pelo Fogo Na Rede —, mas recusou alegando o amadorismo na gestão do Alvinegro.

— Implementar uma revolução na comunicação agora seria como colocar um motor de Ferrari num Corsa. Infelizmente não é o momento. O clube precisa de uma gestão de profissionais especializados em todos os setores. Quando isso acontecer… estarei lá pra ajudar.

Possível candidato nas próximas eleições presidenciais, o empresário Durcésio Mello também é entusiasta de um novo modelo para o Botafogo. Durante seminário para discutir o futuro do Clube em junho, Durcésio abordou o tema.

— Acredito no profissionalismo. Hoje você não consegue patrocinador sem governança, compliance. A mudança de modelo precisa ser rápida.

Diretor da Base do Botafogo, Manoel Renha não vislumbra outro caminho possível.

— O clube tem que ser gerido por um dono. O grande valor do Botafogo é a marca. Só vejo esse caminho de profissionalização.

Sem patrocinador master desde fevereiro, quando encerrou o contrato com a Caixa, o Botafogo perde a receita mais importante de sua camisa e passa por enormes dificuldades para honrar compromissos com jogadores e funcionários — os salários estão atrasados em um mês e sem qualquer previsão de pagamento.

Raphael Fraga, CEO da Magnitude Group, não acredita no modelo associativo dos clubes. Para o empresário, o modelo dono de clube é imprescindível hoje.

— É meritocrático, tem gestão profissional medida por resultados, visão de médio e longo prazo.

Para justificar, Raphael lembrou o caso de sucesso do sócio-torcedor do Palmeiras após a parceria com a Crefisa.

— Passou de 5 para 60 milhões de reais arrecadados desde a entrada da patrocinadora.

Além disso, uma vez implementado a gestão profissional, os acionistas passam a responder pelas dívidas do Clube com seu próprio patrimônio, ao contrário do que acontece hoje.

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Sobre Diego Mesquita 1552 Artigos
Botafoguense, 36 anos. Formado em Jornalismo pela FACHA (RJ), trabalhou como assessor de imprensa do Botafogo F.R em 2010. Hoje, é setorista independente.

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