Torcedor ilustre do Botafogo, Marcelo Adnet analisou a atual fase da SAF então sob a gestão de John Textor. Em participação no “Setor Sul Podcast”, o humorista brincou e agradeceu o estadunidense pela Libertadores e o Brasileirão de 2024.
– Eu sou botafoguense de 89, né? Estava ali o Botafogo há 21 anos sem título, as torcidas rivais contavam até 21 e cantavam “parabéns pra você”. Era uma coisa assim que ser botafoguense não era um ato de “ah, vou me divertir aqui”. Era uma parada de sofrimento e quase religioso, né? Você ficava ali na televisão sofrendo porque o time não ganhava um clássico há não sei quantos anos. Estava há 21 anos sem título. Era um negócio bizarro. Até que chegou nosso patrono, nosso presidente, eterno presidente, Emil Pinheiro, que fez uma troca com o patrono Castor de Andrade. Ele deu uns pontos pro Castor e o Castor deu os jogadores do Bangu fantásticos pro Botafogo. Paulinho Criciúma, Marinho veio também. E a gente ficou com um time muito competitivo. Ganhamos 89, foi inesquecível ali. Fui botafoguense forjado na escassez, na dor. E um Campeonato Carioca, como o de 89, foi um dos títulos mais importantes da história do Botafogo por causa do simbolismo dele. Ele teve 90, aí o nosso patrono teve que se ausentar por motivos de força maior. Acabava a vida ali, estava no finzinho – lembrou.

– E aí, eis que, décadas depois, surge um outro patrono. O patrono eterno professor John Textor. E aí, eu olhei o patrono John Textor como um sambista. Olha pro patrono, samba com ele. Samba com o patrono, e o patrono bebe Brahma. E o patrono veste arquinho de caralho, e o patrono tá pros caralho. E vai o patrono, e todo mundo, o patrono, e eu também, olha o patrono. Só que algumas pessoas enxergaram nele um CEO, um administrador, um homem com uma capacidade financeira e administrativa fora do comum. E eu nunca comprei isso. Então, o Botafogo estava acabando antes do John Textor. Agora está acabando de novo, só que com uma Libertadores e um Brasileiro. Então, viva papai John Textor – brincou Adnet.
Improbabilidade
Apesar da gratidão, Adnet chamou Textor de incompetente. Para ele, o empresário fez no Botafogo ‘jogadas financeiras pouco éticas’.
– Só que, claro, gente, eu nunca esperei isso. Quem administra futebol, essas pessoas não são pessoas de grande confiabilidade. Aqui no Rio de Janeiro, Fluminense, Vasco, Flamengo e Botafogo têm problemas administrativos, têm pessoas incompetentes em suas diretorias. Ou, até pior, têm pessoas maldosas. E a gente tem essa cultura aqui. Eu acho que o John Textor é mais um. Mais um que não cumpriu aquilo que prometeu, que fez jogadas financeiras pouco éticas. Mas isso é a regra. Então, eu estou tranquilo. Acho que vai chegar um novo comprador e seguimos assim. Então, o Botafogo, para mim, sempre foi forjado na escassez, na improbabilidade. Então, é só mais uma improbabilidade, só mais um teste – pontuou.
– Está melhor. Eu tenho amigos que estão revoltados, putos com o Textor. Algumas pessoas que eu falei. Eu falei com alguns da diretoria. Falei, mas você voltaria atrás? Ele, sim. Você abriria mão dos títulos? Sim. Eu falei, eu devo estar muito mal informado mesmo. Eu não sei. Porque eu também não sou especialista em bastidor. Eu gosto de ver jogo. Gosto de estádio. Mas o torcedor faz essa hipérbole. Ele sempre exagera. Ou para o bem ou para o mal. Temos o melhor time do mundo e ganharemos tudo. Ou estamos falidos e acabou. É a maneira que ele encontra de fazer pressão. Então não é nem lá, nem cá. A situação é horrível, financeira. Mas o clube chegou em outro patamar agora. De visibilidade etc. O time mesmo falido, na minha opinião, tem o melhor jogador em atividade no Brasil, que é o Danilo. E, assim, as coisas seguem. Não é tão fácil definir se você está mal ou bem. Está muito mal fora de campo. Mas dentro está jogando bem. Está jogando decentemente – disse Adnet.
Debandada
Apesar do cenário de crise financeira, Adnet garantiu não temer uma debandada do elenco na janela do meio do ano.
– Claro que não, rapaz. 44 anos de idade, porra. Já vi um monte de… Já vi cada bagre, cada pereba. Os jogadores vão e vêm. Mas você nunca está só. Acho que é isso. O jogador vai e vem. Ídolo, não sei o quê. Isso é bom. Para você também criar uma casca. Antigamente era assim. O cara no Botafogo acertava um chute no ângulo e falava “saiu do clube”. O cara acertava um drible, saiu do clube. Está negociado. A realidade era essa. Hoje é melhor. É meio que comparar o mundo hoje, que é ruim, é muito rápido, é injusto, é desigual. Mas a gente voltaria para a década de 80? A galera fumando em restaurante, na nossa cara, fumando no avião. Acho que o Botafogo é só mais um clube moderno com muita história, mas com problemas – concluiu.












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