O Botafogo pode já não ter mais poder de veto — ou até mesmo influência direta — sobre uma eventual venda da SAF. A informação foi revelada pelo jornalista André Rizek, apresentador do programa “Seleção SporTV”.
A declaração vem após a administradora da Eagle Football Holdings publicar, no Financial Times, um anúncio colocando ativos à venda, incluindo a SAF do clube.
— Vimos ontem que a nova administradora da Eagle, que é a dona do conglomerado da qual faz parte o Botafogo, colocou um anúncio no Financial Times, anunciando para quem quiser comprar a SAF do Botafogo, a SAF do Lyon. Esse é um assunto que me carece de mais apuração, de mais explicação, mas para mim é mais um elemento de uma história que eu já venho apurando há um tempo, de que o Botafogo, infelizmente, perdeu o controle de para quem a SAF vai ser vendida. Quando a administradora se sente confortável para anunciar uma SAF sem a anuência do clube associativo, para mim isso é só mais um capítulo de algo que é muito grave, que é você perder o controle de quem vai ser o seu dono — disse.
Documento citado e divergência de interpretações
Rizek também detalhou bastidores envolvendo um documento assinado na época da venda da SAF. Segundo ele, o material indicaria uma mudança relevante no poder de decisão do clube associativo.
— No ano passado, eu tive acesso a um documento assinado pelo Durcesio Mello, que era o presidente do clube associativo à época da venda por John Textor. E quando, primeiro, o Textor compra o Botafogo, depois monta um conglomerado, ele tem que fazer o Botafogo assinar um documento, que o dono não é mais ele, John Textor, e sim uma empresa, a Eagle, que foi criada. E eu tive acesso a um documento assinado pelo Durcesio, segundo o qual estava escrito ali, o Botafogo abria a mão da cláusula inicial, da primeira venda, de que caso houvesse uma revenda da SAF, ele, Botafogo, teria o poder de veto. Pelo menos esse era o entendimento que o corpo jurídico da Eagle tinha. O Botafogo abriu mão de decidir para quem vai ser vendida a SAF — iniciou.

O jornalista relatou que procurou o clube para esclarecer o ponto, mas encontrou uma interpretação diferente por parte do associativo.
— Cumprindo meu papel de repórter, eu fui consultar o Botafogo. É isso mesmo? Vocês concordam com esse entendimento daquilo que está assinado? O Botafogo, “não, isso não é bem assim. Isso foi só para aquela situação específica”. Quem tem razão? Isso aí provavelmente vai para a justiça. Não sou eu que vou dizer aqui que a Eagle está falando que ela tem razão ou que o Botafogo tem razão. O que aconteceu ontem, para mim, é só mais um capítulo de que quem hoje é dono do conglomerado se sente confortável de vender o Botafogo para quem ele quiser, sem o clube associativo poder dizer, “não, isso aqui não, eu tenho poder de veto”. No mínimo, isso vai para a justiça. Para a justiça decidir quem é que tem o poder — acrescentou.
Cenário indefinido
O Botafogo segue com John Textor à frente da SAF, mas o ambiente político e institucional segue incerto. O social não esconde as divergências com o empresário e busca alternativas para o comando da empresa.











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