Próxima de assumir o controle da SAF do Botafogo, a GDA Luma teve sua aproximação com o clube iniciada ainda durante a gestão de John Textor. O fundo liderado pelo empresário mexicano Gabriel de Alba entrou na operação por meio de um empréstimo de US$ 25 milhões, mas a relação entre os dois empresários se deteriorou nos meses seguintes.
Hoje, o cenário é completamente diferente. Enquanto a GDA negocia para se tornar a nova acionista majoritária da SAF, Textor trava uma batalha jurídica e já chegou a classificar o fundo como um “credor tóxico”.
Em vídeo publicado no canal “Glorioso Play”, o jornalista Thiago Grachet revelou bastidores da relação entre Textor e Gabriel de Alba e afirmou que o rompimento ocorreu após dificuldades de comunicação entre as partes depois da liberação do empréstimo.
— Quando o Textor fala que foi traído pelo social, pelo Gabriel de Alba, o que acontece? O Textor foi lá, bateu na porta do Gabriel de Alba e falou: “Cara, estou precisando de um empréstimo, só que não é um empréstimo, você entra comigo no negócio, vou te dar um pedaço lá das ações e, a partir disso, a gente vai tocando o negócio junto”. E aí insistiu, insistiu, insistiu, o Gabriel de Alba emprestou o dinheiro para ele depois de um tempo, e aí começou a entrar na negociação. “Bom, já que ele pegou o dinheiro emprestado comigo, preciso saber como serão os próximos passos.” Ele ligou para o Textor, que, por sua vez, depois de pegar o dinheiro, o que fez? Sumiu. Isso é inacreditável. Ele simplesmente pegou o dinheiro e sumiu — contou Grachet.
Segundo o jornalista, a relação entre os dois não era tão próxima quanto chegou a ser divulgada nos bastidores.
— Primeiro, ele ficou falando para as pessoas que o Gabriel de Alba era muito amigo dele, amigo de infância. Isso era mentira, tá? Não eram amigos de infância. Eles se conheciam há um tempo, eram colegas de negócios, não era um amigo de infância, como ele falava para algumas pessoas à boca miúda. Ele pegou o dinheiro com o cara e não atendeu mais o cara — continuou.
Aproximação entre GDA e Botafogo
Ainda de acordo com Grachet, o movimento que aproximou a GDA do clube associativo aconteceu posteriormente, quando Gabriel de Alba procurou diretamente dirigentes do Botafogo.
— Gabriel de Alba, sabendo que o presidente João Paulo queria se aproximar da GDA, mandou um recado, pegou o telefone e: “Olha, vamos sentar e conversar. Quero negociar com o Botafogo, mas sem o Textor”. Foi uma mensagem clara do Gabriel de Alba. “Vamos conversar, vamos negociar, eu tenho interesse.” Óbvio que o dinheiro do GDA já estava no Botafogo. Então, o Gabriel de Alba, que já era credor do Botafogo, chegou: “Quero negociar com o Botafogo”.
Na sequência, o jornalista rejeitou a tese de que teria havido uma articulação para afastar Textor da operação.
— O fato é que não houve traição. O Botafogo não foi lá, “deixa ele chegar, deixa ele trazer o Gabriel de Alba”. O Gabriel de Alba não se aproximou do Botafogo no interesse de tirar o Textor. Não. O Textor simplesmente pegou US$ 25 milhões do cara e sumiu, não atendeu mais. Botou o dinheiro no Botafogo, o cara virou credor do Botafogo e o cara pegou o telefone e falou: “Quero negociar com o clube, mas sem o Textor”. Gente, é isso, não existiu traição nenhuma — completou.
Enquanto as negociações avançam, o Botafogo trabalha com a expectativa de receber um primeiro aporte da GDA Luma, de US$ 25 milhões, nos próximos dias.
Por outro lado, John Textor segue sustentando que continua sendo o proprietário de 90% das ações da SAF. O empresário já ingressou com medidas judiciais no Brasil e nos Estados Unidos e argumenta que a Eagle/Ares não teria autorização para negociar essas ações com a GDA Luma.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.
Relação com o Botafogo
Em 2026, o fundo — ao lado da Hutton Capital — já realizou um aporte/empréstimo de US$ 25 milhões na SAF. Existe ainda a possibilidade de mais US$ 25 milhões, via emissão de novas ações.
Esse segundo movimento, porém, ficou travado. John Textor, que conduzia a negociação, foi afastado do comando da SAF antes de conseguir aprovar o modelo com os demais sócios.
Mesmo assim, o interesse da GDA Luma permanece. E cresce.
Por que o fundo aparece como favorito
A própria SAF já admitiu à Justiça um estado “pré-falimentar”, com dificuldade para pagar salários e necessidade urgente de liquidez. É exatamente esse tipo de ambiente que a GDA Luma costuma atuar.
Tudo mais constante, a SAF se encaixa como o perfil ideal para o fundo.
Empresas com problema de caixa, estrutura desorganizada e potencial de recuperação.
Internamente, a leitura é de que a GDA Luma poderia entrar não apenas com dinheiro, mas com um plano de reestruturação completo — algo que o clube hoje não tem consolidado.
O que pode mudar no Botafogo
Caso avance, a entrada da GDA Luma tende a trazer um modelo mais rígido de gestão. Menos margem para erro. Mais controle financeiro, além de foco absoluto em geração de caixa.
Não significa, automaticamente, sucesso esportivo. Mas indica um caminho claro: organizar para depois crescer. Nesta quarta, inclusive, a SAF apresentou Carlos Martins como novo CFO, em claro movimento de reestruturação da casa.










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