Favorita para assumir a SAF Botafogo, a GDA Luma corre o risco de não avançar na negociação. Segundo o jornalista Bernardo Gentile, a volta de John Textor ao ‘ringue’, inclusive com críticas a Gabriel de Alba, sócio da GDA, pode cansar a empresa no processo.
– Sobre a GDA, importante também, perguntei se a GDA está sabendo dessa volta do Textor e como ela reagiu a tudo isso. Está sabendo de tudo. O medo do Botafogo é que a GDA, em algum momento, se canse disso. Esse medo existe. Mas, até o momento, não é justificado, porque a GDA, quando soube disso, o que aconteceu, tratou o assunto com leveza. Tratou o assunto, tipo assim, “ah, ele voltou”. A GDA não parecia preocupada com a ressurreição de Textor. Mas o Botafogo está mais preocupado do que a GDA. Primeiro, porque não esperava mais ter que lidar com o Textor. E segundo, beleza, a GDA está levando bem, mas até quando ela vai levar isso bem? Até quando ela vai continuar firmona? – iniciou.
– Existe um medo dentro do clube de que alguma coisa possa acontecer nesse sentido. “Na moral, o Textor é muito chato, eu cansei, então vocês se resolvam aí. Depois, se vocês tiverem resolvido, vocês me procuram aí e se a proposta vier, eu volto”. Mas aí já é um risco danado que ninguém quer que chegue nesse momento. Então vamos ver os próximos passos para a gente seguir adiante, que é o que eu mais quero, que o Botafogo consiga fazer esse plano dele, de pegar esse dinheiro da Ares, seguir adiante, fechar com a GDA e vambora. Eu acho que esse é o caminho – disse.
– O lado positivo de tudo isso é que a GDA é uma empresa acostumada a lidar com esse tipo de situação e pessoas, tá? Eles fazem justamente esse trabalho com empresas que estão próximas da falência. Então, empresas próximas da falência são empresas de extremamente cenário difícil, com pessoas que não querem largar o osso, com pessoas que acreditam numa volta por cima. Eles estão acostumados a botar touquinha, óculos, snorkel e mergulhar no esgoto. Estão acostumados a isso. Eles vão se sujar e estão acostumados com isso. Então, quer dizer que eles não vão desistir? Também não. Mas eles têm um limite muito maior do que qualquer outra empresa. Qualquer outra empresa normal, assim, vamos dizer assim, já teria desistido. É muita confusão pra você se arriscar. Só que eles estão acostumados a se arriscar e se meter nessas confusões. Até quando? A gente não sabe. Mas tem esse aspecto positivo aí para a galera ficar mais tranquila também um pouquinho – concluiu.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.
Relação com o Botafogo
Em 2026, o fundo — ao lado da Hutton Capital — já realizou um aporte/empréstimo de US$ 25 milhões na SAF. Existe ainda a possibilidade de mais US$ 25 milhões, via emissão de novas ações.
Esse segundo movimento, porém, ficou travado. John Textor, que conduzia a negociação, foi afastado do comando da SAF antes de conseguir aprovar o modelo com os demais sócios.
Mesmo assim, o interesse da GDA Luma permanece. E cresce.
Por que o fundo aparece como favorito
A própria SAF já admitiu à Justiça um estado “pré-falimentar”, com dificuldade para pagar salários e necessidade urgente de liquidez. É exatamente esse tipo de ambiente que a GDA Luma costuma atuar.
Tudo mais constante, a SAF se encaixa como o perfil ideal para o fundo.
Empresas com problema de caixa, estrutura desorganizada e potencial de recuperação.
Internamente, a leitura é de que a GDA Luma poderia entrar não apenas com dinheiro, mas com um plano de reestruturação completo — algo que o clube hoje não tem consolidado.
O que pode mudar no Botafogo
Caso avance, a entrada da GDA Luma tende a trazer um modelo mais rígido de gestão. Menos margem para erro. Mais controle financeiro, além de foco absoluto em geração de caixa.
Não significa, automaticamente, sucesso esportivo. Mas indica um caminho claro: organizar para depois crescer. Nesta quarta, inclusive, a SAF apresentou Carlos Martins como novo CFO, em claro movimento de reestruturação da casa.
O processo ainda está em andamento. Depende de decisões judiciais, assembleias e negociação entre sócios.





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