Um grupo de 41 conselheiros do Botafogo encaminhou um ofício ao presidente João Paulo Magalhães Lins cobrando mais transparência em relação ao processo de venda da SAF para a GDA Luma. O documento revela preocupação com a condução da operação e pede maior participação dos órgãos estatutários do clube.
O movimento acontece após o Botafogo assinar, em 5 de junho, um acordo vinculante com a GDA para a aquisição da SAF. Conforme revelado, a transação prevê um valor total de US$ 105 milhões (cerca de R$ 503 milhões na cotação atual), com um primeiro aporte estimado em US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 130 milhões).
No ofício, os conselheiros demonstram preocupação com a segurança jurídica da operação caso a venda seja concluída sem a análise de instâncias como Conselho Fiscal, Conselho Deliberativo e Assembleia Geral de Sócios.
Segundo os signatários, o processo deveria seguir um rito semelhante ao adotado na criação da SAF, em 2022, garantindo participação institucional e respaldo jurídico para uma decisão considerada estratégica para o futuro do clube.
— “O envolvimento institucional fortalece a legitimidade, a transparência e a segurança jurídica da operação, reduz riscos de questionamento e resguarda o Botafogo e a própria Diretoria, razão pela qual os signatários entendem como necessária a submissão da matéria aos órgãos estatutários competentes, assegurando discussão e deliberação em consonância com os princípios de governança que devem nortear decisões dessa natureza” — diz um trecho do documento.
Acordo ainda depende de etapas decisivas
O compromisso firmado entre Botafogo e GDA prevê a transferência futura do controle da SAF para Gabriel de Alba, proprietário da gestora. A empresa foi responsável pelo empréstimo concedido ao clube em fevereiro, período em que a SAF ainda estava sob controle de John Textor.
De acordo com o entendimento do clube associativo, as ações da SAF foram dadas como garantia à GDA no momento da operação financeira. Por isso, a diretoria iniciou conversas com o grupo para renegociar condições consideradas mais favoráveis ao Botafogo.
No entanto, a operação ainda está longe de ser concluída. A GDA Luma precisa chegar a um entendimento definitivo com a Eagle Football/Ares para adquirir os 90% das ações da SAF. Paralelamente, seguem as negociações envolvendo o Lyon e a própria Eagle para definição de valores e encerramento das disputas judiciais em andamento.
Quem é a GDA Luma?
A GDA Luma é uma gestora especializada em empresas em crise financeira — os chamados ativos “distressed”. Fundada por volta de 2021, administra cerca de US$ 406 milhões e opera com uma equipe enxuta, de aproximadamente 14 profissionais.
Como a GDA Luma atua
O modelo da GDA Luma segue um roteiro bem definido no mercado financeiro.
Primeiro, identifica empresas endividadas, mas com potencial de geração de caixa. Depois, adquire dívidas com desconto relevante, geralmente com garantia. A partir daí, passa a ter influência — ou controle — sobre a operação. É o chamado perfil de “white knight” — aquele investidor que entra em cenários críticos para tentar salvar o ativo.
A partir desse ponto, vem a fase mais sensível: o turnaround — a volta por cima em tradução livre. Corte de custos, ajuste de governança, reestruturação financeira, digitalização de processos. Tudo com um objetivo claro: recuperar valor e, no futuro, vender melhor.

Gabriel de Alba
A sigla GDA vem das iniciais Gabriel de Alba, fundador e sócio-gerente da empresa, executivo com mais de 25 anos de experiência em reestruturações e passagem por mercados como Estados Unidos, Europa e Canadá.
No setor, ganhou um apelido que diz muito: “pit bull dos negócios”. A reputação vem do estilo direto.
De Alba construiu carreira atuando em operações complexas, muitas delas em cenários de recuperação judicial ou quase falência. Tem no currículo casos relevantes, como a reestruturação do Cirque du Soleil e da Gateway Casinos.
Também acumula formação de peso: NYU Stern, Columbia e estudos avançados em Harvard. Hoje, preside conselhos e participa ativamente das decisões estratégicas dos ativos sob gestão.
Quais empresas a GDA já recuperou?
A GDA Luma tem experiência comprovada em recuperações de empresas distressed via compra de dívidas e turnarounds operacionais liderados por Gabriel de Alba.
Cirque du Soleil
Gabriel de Alba, presidente do conselho, liderou a reestruturação pós-falência durante a pandemia de COVID-19, recapitalizando a companhia canadense de circo e entretenimento que estava à beira do colapso, restaurando operações e estabilidade financeira.
Gateway Casinos & Entertainment
De Alba preside o conselho da operadora de cassinos canadense, recuperada de processo de insolvência via aquisição de dívidas distressed, com foco em otimização operacional e crescimento sustentável.
Frontera Energy
Recuperada quando conhecida como Pacific Rubiales, empresa de exploração de petróleo na Colômbia; De Alba como presidente do conselho implementou reestruturação de dívida e turnaround, estabilizando a companhia.
Pat McGrath Labs
Em 2026, a GDA Luma injetou até US$ 30 milhões via Chapter 11 (US$ 10 milhões DIP financing + US$ 20 milhões pós-emergência), assumindo controle acionário como credor sênior, permitindo recapitalização e continuidade criativa com Pat McGrath como CCO.






Comentários